
A foto de Felipe Massa com o capacete avariado, o rosto sangrando e levemente desfigurado, e o olho direito expressando espanto, me causou grande mal estar.
Estou acostumado a vê-lo em seu ímpeto competitivo, com sua energia jovial, e de repente, por uma molinha saltitante na pista, a vida por um fio.
Lembra Tás, dos rachas na avenida Dr Soares de Oliveira? Lembra daquela ocasião em que você aceitou o desafio do Victor Vinícius Neto Sobrinho Junior, filho do prefeito?
Tudo apenas para impressionar a Luzia Picolezeira.
Você contava apenas 17 anos naquela feita, era o James Jim da Mogiana, em seu Maverick preto, causava terror aos moradores de nossa pacata cidade. A máquina possuía motor V8 envenenado, vidro fume, era o famoso Negão Bebum; como a cidade apelidara seu possante que lhes causava um paradoxo de medo e admiração.
Todos se benziam três vezes quando ouviam o ronco do motor, que precedia sua aparição. Parecia um anunciante do apocalipse, a verdadeira besta exalando fumo de seu escapamento.
Muito gumex no cabelo ruim, um jeans desbotado, cigarro de palha no canto da boca...
Lá estava Tás. Montado no Negão Bebum acelerava, acelerava, acelerava e, partia ao sinal de um disparo de 38; Tempos rebeldes aqueles!
Naquele racha você disse ao Vitor Vinícius Neto Sobrinho Junior, que lhe daria dez metros de lambuja (vantagem), ao que o jovem almofadinha recusou com ar de escárnio, pois o carro do papai dele era importado, e cheirava a novo, era o que havia de melhor na cidade, o único Dodge Super Bee da época.
Para você era o mesmo que um pangaré que ficaria comendo poeira após ser ultrapassado.
Aquela noite entraria para a história de nossa cidade como uma das mais sangrentas de todas.
Vocês na ânsia de vencer se esqueceram completamente que a avenida terminava num humilde casebre. Verdade que você não ultrapassou o Vitim sem dificuldades, e quando o fez, tomado pelo êxtase da vitória, esqueceu-se completamente de tirar o pé do acelerador, creio ter pisado ainda mais. O resultado foi uma tragédia. Ai de nós! Atropelou o menino que tomava banho naquele momento. Atropelou as outras quatro crianças da casa e os pais que jantavam uma sopa rala. Todos ficaram gravemente feridos, porém todos se salvaram graças à habilidade de nossos cirurgiões, que dizem ter usado até metal dos trilhos da companhia ferroviária para fazer os reparos ósseos. A população, enfurecida, quis lincha-lo, e só não o fez por que fora esperto e caiu na braquiária, aquele matinho famoso por estas bandas, antes que lhe avistassem.Literalmente vazou na braquiária, amigo.
Estou acostumado a vê-lo em seu ímpeto competitivo, com sua energia jovial, e de repente, por uma molinha saltitante na pista, a vida por um fio.
Lembra Tás, dos rachas na avenida Dr Soares de Oliveira? Lembra daquela ocasião em que você aceitou o desafio do Victor Vinícius Neto Sobrinho Junior, filho do prefeito?
Tudo apenas para impressionar a Luzia Picolezeira.
Você contava apenas 17 anos naquela feita, era o James Jim da Mogiana, em seu Maverick preto, causava terror aos moradores de nossa pacata cidade. A máquina possuía motor V8 envenenado, vidro fume, era o famoso Negão Bebum; como a cidade apelidara seu possante que lhes causava um paradoxo de medo e admiração.
Todos se benziam três vezes quando ouviam o ronco do motor, que precedia sua aparição. Parecia um anunciante do apocalipse, a verdadeira besta exalando fumo de seu escapamento.
Muito gumex no cabelo ruim, um jeans desbotado, cigarro de palha no canto da boca...
Lá estava Tás. Montado no Negão Bebum acelerava, acelerava, acelerava e, partia ao sinal de um disparo de 38; Tempos rebeldes aqueles!
Naquele racha você disse ao Vitor Vinícius Neto Sobrinho Junior, que lhe daria dez metros de lambuja (vantagem), ao que o jovem almofadinha recusou com ar de escárnio, pois o carro do papai dele era importado, e cheirava a novo, era o que havia de melhor na cidade, o único Dodge Super Bee da época.
Para você era o mesmo que um pangaré que ficaria comendo poeira após ser ultrapassado.
Aquela noite entraria para a história de nossa cidade como uma das mais sangrentas de todas.
Vocês na ânsia de vencer se esqueceram completamente que a avenida terminava num humilde casebre. Verdade que você não ultrapassou o Vitim sem dificuldades, e quando o fez, tomado pelo êxtase da vitória, esqueceu-se completamente de tirar o pé do acelerador, creio ter pisado ainda mais. O resultado foi uma tragédia. Ai de nós! Atropelou o menino que tomava banho naquele momento. Atropelou as outras quatro crianças da casa e os pais que jantavam uma sopa rala. Todos ficaram gravemente feridos, porém todos se salvaram graças à habilidade de nossos cirurgiões, que dizem ter usado até metal dos trilhos da companhia ferroviária para fazer os reparos ósseos. A população, enfurecida, quis lincha-lo, e só não o fez por que fora esperto e caiu na braquiária, aquele matinho famoso por estas bandas, antes que lhe avistassem.Literalmente vazou na braquiária, amigo.
Bom dia querido irmão, tudo bem? Suas cartas tem sido a diversão das minhas manhãs..Esse Tás..pena que era muito nova para lembrar dele montado no “Negão Bebum”...
ResponderExcluirBjos, saudades.
Obrigado linda! Espero continuar a alegrar as suas manhãs e as do nosso amigo Tás.
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