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Cartas a Tás (35 de 60)

Ituverava, 30 de julho de 2009 Ziraldo disse: ‘Sarney é meu amigo’. Lula também defende o Ney. Sendo assim, não vejo por que me inibir em confessar: Sarney é meu ídolo, Tás. O que há de errado com a opinião pública? Afinal, o inimigo público numero um é o Sarney? Que mal fez Sarney que até então ganhara tudo da nação, por mérito, por habilidade retórica, por cultura e inteligência? Venceu sem jamais pegar no cabo de uma inchada, sem molhar a camisa, sem lecionar em universidades, sem roubar ninguém a mão armada. Como alguém pode ser destituído de filho dos mais queridos de um país, para ser esculhambado pelo mesmo, de uma hora para outra? E se descobriram somente agora que o Ney existe, quantos Neys existem espalhados sem tantos holofotes sobre si? A opinião pública esta pejada de inveja! Infelizmente esta é a verdade. Cada vez fico mais decepcionado com as gentes, que me parecem, na verdade, uma boiada seguindo ao som de algum berrante virulento por aí. Dizem que ele é nepotista. Por ...

Cartas a Tás (34 de 60) Acidente com Felipe Massa.

A foto de Felipe Massa com o capacete avariado, o rosto sangrando e levemente desfigurado, e o olho direito expressando espanto, me causou grande mal estar. Estou acostumado a vê-lo em seu ímpeto competitivo, com sua energia jovial, e de repente, por uma molinha saltitante na pista, a vida por um fio. Lembra Tás, dos rachas na avenida Dr Soares de Oliveira? Lembra daquela ocasião em que você aceitou o desafio do Victor Vinícius Neto Sobrinho Junior, filho do prefeito? Tudo apenas para impressionar a Luzia Picolezeira. Você contava apenas 17 anos naquela feita, era o James Jim da Mogiana, em seu Maverick preto, causava terror aos moradores de nossa pacata cidade. A máquina possuía motor V8 envenenado, vidro fume, era o famoso Negão Bebum; como a cidade apelidara seu possante que lhes causava um paradoxo de medo e admiração. Todos se benziam três vezes quando ouviam o ronco do motor, que precedia sua aparição. Parecia um anunciante do apocalipse, a verdadeira besta exalando fumo de seu e...

Cartas a Tás (33 de 60)

Ituverava, 26 de julho de 2009 Aqui estou mais uma vez, meu amigo Tás. O mundo não dá um tempo. Os acontecimentos não param, mas a memória...Ah! A memória! Esta ganha em vigor a cada alvorada que se revela aos olhos dos viventes. Esta semana estive em companhia de um Sr de 101 anos de idade. Ele nasceu em 1908. Se os anos 1950, 1960 e 1970 parecem tão distantes; o que dizer dos primórdios dos 1900? O homem é lúcido. Conversa pouco, o que para mim é sinal de lucidez (riso). Tem lá umas escapadas de memória, umas confusões quanto à escalação do grau de parentescos dos familiares, mas isso é nada diante a serenidade, boa audição, boa visão e respostas coerentes do ancião. Perguntei-lhe se havia imaginado, lá na usa mocidade, ultrapassar os 100 anos. Ele respondeu: “trabalhava na lavoura, tinha por distração a marcenaria, vez ou outra ia pescar, e o tempo (breve pausa) passou”. Foi isso que ele disse. Com calma. Com resigno. Com simplicidade. Com sapiência. Já parou para pensar em como ser...

Cartas a Tás (32 de 60)

Ituverava, 21 de julho de 2009 Erramos. Esta foto que segue em anexo não é do Marcelin de Ituverava, mas do escritor de Feliz Ano Velho, Marcelo Rubens Paiva. Se errar é humano eu sou deveras humano, pois erro mesmo. Tás, mais uma injustiça relacionada a homenagens, menções e títulos ocorreu em sua carreira, amigo. Lamento sinceramente. Quero que me desculpe, que desculpe meus colaboradores. Erramos ao publicar a foto do escritor Marcelo Rubens Paiva como se fosse o Marcelo de Ituverava. Já entrei em contato com o escritor e prestei as devidas explicações, ele pediu que tirasse uma outra foto, uma vez que aquela já estaria comprometida com o fiasco que cometemos. Segui para o Rio de Janeiro, local onde o Paiva se encontra acompanhando as filmagens de Malu de Bicicleta. Lá fizemos outra fotografia, por sinal em um cenário muito parecido com o da primeira (coincidência imensa). O cara não gostou nada de ser confundido com você, Old Boy, nada pessoal. Mas tudo bem; fazer o que?Da próxima ...

Cartas a Tás (31 de 60)

Ituverava, 19 de julho de 2009 Trago novidades, amigo Tás. Estive falando com pessoas daqui da terrinha vermelha e acho que finalmente o meu laborioso projeto, Cartas a Tás, começa a apresentar seus primeiros frutos perenes. Digo isso, pois, me é motivo de grande orgulho informar-lhe que nossos legisladores, que são leitores assíduos da saga Cartas a Tás, decidiram reparar um erro grotesco cometido pela TV da região, que homenageou nosso município citando o nadador Gustavo Borges, o Poeta Vitor Martins e o Rei do Algodão comendador Takyuki (in memoriam) e não lhe incluiu nesta homenagem (o que me motivou neste empreendimento literário que tanto me consome): “Sr Marcelo, é com grande orgulho que venho por meio desta lhe informar, em primeira mão, que, lhe será concedido o honroso Título de Honra ao Mérito Ituveravense”. E isso não é por seu diploma em Engenharia Civil pela escola politécnica da USP, nem por aquele conjunto habitacional que nunca saiu do papel, quanto às casas, prédios e...

Cartas a Tás (30 de 60) Melquíades e Amaranta I

Ituverava, 18 de julho de 2009 Contei-lhe amigo, que temos companhia de um jovem casal em nossa casa? Sim, é um casal que veio hospedar-se conosco a pedido de pessoas amigas, gente muito amiga, as quais não poderíamos em espécie alguma recusar a tal apelo. No mais tínhamos disponível no fundo de nossa casa um grande quarto com banheiro, que a muito vinha desocupado. Conheci o jovem casal em casa de Dona Zilá e Seu Ermelindo. Na época dona Zilá dava casa e pensão ao casal, porém Dona Zilá sofreu uma queda ao solo, fraturou o fêmur, e me perguntou, certa vez, durante uma de minhas visitas, em tom confidencial, se eu poderia receber o casal em minha casa por algum tempo. Respondi que precisaria consultar Andréia e que, dependendo do que ela me dissesse, daria a resposta, mas adiantei que era certo que Andréia não se recusasse a ajudar o jovem casal; o que veio a confirmar-se após eu falar com ela. Na verdade os recebemos com uma boa acolhida. As crianças adoraram o fato de termos visitas,...

Cartas a Tás (29 de 60) Melquíades e Amaranta - II

Ituverava, 17 de julho de 2009 A gestação da moça foi evoluindo normalmente, então, veio um momento delicado para o jovem casal. A moça passou a repudiar o cantor, e este passava o dia desolado, andando de um canto para outro no quintal, víamos e achávamos melhor não nos intrometer. Seu canto tomou um tom melancólico, ele realmente estava solitário e tristonho. Era comum o ver passar cantarolando em redor da casa, ou parado em algum canto a contemplar o vai e vem dos pássaros urbanos. A moça passava o dia em seu leito, levantava-se apenas para alimentar-se ou fazer suas necessidades, seu humor era terrível e nem conosco ela queria contato. Ficamos preocupados, providenciamos algumas vitaminas em sua dieta. Ao final da gestação ela se apresentava bastante abatida; era visível. Mas numa bela manhã de outono tivemos a grata alegria de ver uma criança chegar para alegrar ainda mais nossa casa. Era um belo garoto, muito parecido, de certa forma, com seus pais, seu nome era José Arcádio, mas...