Não basta ter uma narrativa agradável, é preciso teor cultural para a crônica valer a pena de verdade. Não sei como é para os outros escritores amadores como eu, mas acho complicado depurar uma prosa boa, que valha a pena, a partir de fatos corriqueiros do cotidiano, sem nada mais literário. Sempre acho que o motivo para um texto razoavelmente interessante seria um fato de proporções extraordinárias, ao menos no imaginário de quem cria o texto. O comum é comum e me parece estar destinado ao lugar comum, à caixa de papéis velhos, ao quarto de despejo, ao velho baú de enxoval, ao esquecimento. E tudo vai sendo esquecido, e tudo vai sendo puído, e tudo é corroído pelo ar que ali também ficou aprisionado e não se renova. É o ar o provável responsável pela deterioração de tudo que está contido dentro desta bolha atmosférica. É tudo culpa do ar. E até chegar a esta conclusão, eu nunca havia entendido o verdadeiro motivo pelo qual pessoas de idade avançada possuem verdadeiro pavor por portas e janelas abertas. Por ventos e brisas. Por ar. E, principalmente, por ar condicionado, é claro. Até bactérias precisam de ar para nos destruir. E as que não precisam diretamente do ar, precisam de substâncias e seres que precisam de ar para a própria constituição dos tecidos e destruição vindoura.
Ao ser levado à presença daquele Sr de seus maturados 84 anos, estava na verdade indo rever um bom pedaço de minha infância. Afinal, aquele homem de baixa estatura, tórax roliço e finas pernas de passarinho era figura muito frequente nas ruas mais movimentadas de minha terra, há uns 20 anos. Vestido com um jaleco branco sentava com boa postura em sua “motoquinha”, percorria toda cidade com seu jeito lépido. Mas agora ele se encontrava muitos anos à frente daqueles dias; e já não mais conservara sua autonomia para o “ir e vir” a toda parte. Pior ainda, naquele momento sofria com a recuperação de uma fratura no fêmur, ocorrida após uma queda dentro de sua própria casa. _Quão dura é a realidade do ancião que de andar dentro do próprio lar, pode quebrar-se ao chão, isso quando não se quebra de pé, sem mais nem menos, indo apenas posteriormente ao solo, ao que chamam de fratura espontânea. Mas retornemos ao nosso “continho”. Dia após dia, sessão após sessão, meu novo amigo ancião, recuperav...
Velho tem medo de ser corroído pelo ar??? Gente, sinceramente nunca pensei nisso, achava que era por causa do ventinho gelado resfriar os pulmões já enfraquecidos. Mas se você diz eu acredito...
ResponderExcluirÉ verdade sim Jef, o ar renova, transforma e deteriora. E pela maioria das vezes temos respirado ar mais que contaminado, culturalmente falando, creio que esse ar está contaminadíssimo e é bom buscar em lugares raros um ar mais limpo para não deteriorarmos.
Crônicas eu adoro, mas somente se tiver conteúdo [e aqui não estou falando propriamente de um mundo cultural], mas algo que faça valer a pena ler, nem que seja pra rir.
beijokas doces e um bom fim de semana.
Olá Jeff,
ResponderExcluiroi eu aqui traveis!;-) pra comentar uma crônica sobre escrever crônicas??? Sobre respirar??? ou uma coisa leva à outra???
Se a regra é idosos temerem o ar, eu sou uma idosa excepcional;-)
Minha casa é escancarada... como quero que minha vida seja!!!
Abração
Jan
E que bom que veio! Bom também você ter me dado oportunidade de falar sobre o texto. Não é uma crônica bem sobre escrever e nem sobre respirar. Eu explico: É que escrevi um texto que ficou um pouco longo para uma postagem. Está postagem que aí está seria a introdução do texto. Porém, achei muito pretensioso escrever uma crônica com um capítulo de introdução [sorrio]. Então postei este primeiro texto, introdutório, como uma postagem que dá início a uma sequência sobre uma crônica inspirada em um treinamento dentro de uma empresa, uma situação com a qual muita gente pode se identificar. Eu até havia postado junto com este o segundo texto da sequência TREINAMENTO, no entanto achei meio precipitado. Retirei e guardei o texto para daqui a alguns dias. Conto com sua atenção para a continuação, JAN. Um grande beijo e muito obrigado!
ExcluirConcordo, Jeffão...é assim mesmo que acontece comigo..hehehe
ResponderExcluirAgora, quanto a abrir as janelas para o novo ar: tem toda razão! Não tinha pensado nisso e faz TODO sentido....
Muito bom, como sempre...
Abração,
Rafa
Hola!!
ResponderExcluirTe devuelvo la visita :) y pese a mi escaso control de tu idioma, creo que es un post genial, cargado de sentido y razón :)
Soy del recién creado blog: http://resilienciayfamilia.blogspot.com.es/
Un abrazo!
Pois é Jeferson, meu esposo é especialista em ar condicionado, trabalha com isso, e casualmente hoje estando no Hospital Nove de Julho, qdo esperávamos para o atendimento, ele comentou do risco q se corre num ambiente hospitalar,qto a renovação de ar, com manutenção (limpeza e outras cositas mais), Sem falar na regulagem q muitas vezes nos fazem quase virar picolé. rs.
ResponderExcluirNossa sua crônica é ótima... me fez pensar sobre o envelhecimento, o ar.... você escreve muito bem.
ResponderExcluirBeijo
Fiquei sem ar, somente em pensar de como é difícil abrir as janelas da vida para renovação do ar, muitas vezes dou preferência por deixar fechadas,é como se fosse uma proteção, para algo que não quero ver, ou sentir... O envelhecimento é sentir medo do abandono da solidão.
ResponderExcluirJeferson amei a sua crônica é ótima ...Parabéns