Naquele dia, quase conheci o meu fim grudado à campainha de minha própria casa. Tudo começou quando dobrei à esquina, correndo, sob forte vento e violenta chuva em diagonal, sob clarões titânicos tétricos que acendiam a rua, que já tinha metade de sua claridade por conta da iluminação pública. Um céu sarcástico bradava tempestuoso contra qualquer ser insolente que teimasse em não esconder-se. No caso, o transeunte teimoso era este cronista que vos fala. Mas antes de chegar à esquina, eu corria para sair da avenida onde corro todos os dias. Por grande coincidência, meu pai, que passava de carro pelo local, me viu e ofereceu carona, ao que recusei com um vigoroso gesto ‘Siga em frente, que estou bem!’ que não deixou dúvida de que eu estava resoluto em seguir enfrentando a fúria da natureza por mais duas quadras e meia até chegar em casa por meus próprios passos encharcados. Ele sabe que sou mesmo assim, decidido. Deve me achar meio falto de um parafuso, mas isso não importa. Este parafuso nem faz lá muita falta. Se é que realmente falta. E voltando à avenida, eu subia os primeiros canteiros das quadras sendo castigado pelos densos pingos que me faziam procurar por pedriscos que justificassem a dor das picadas em minha pele. Tudo debaixo de espetaculares clarões dos raios que me intimidavam testando minha valentia. E não vá dizer que não tem medo de raios estando molhado e a céu aberto que eu lhe desminto de pronto. E antes de ganhar os canteiros da avenida, passei grande apuro ao cruzar a rua que fica ao fundo da represa. Nada impedia a saraivada de densas gotas que açoitava a metade esquerda de meu corpo impiedosamente. ‘Pobre de meu rosto! Ai de minha orelha! Coitado de meu ouvido! Certamente inflamará, a não ser que eu pratique alguma profilaxia’ eu pensava. ‘Não! Isso não! Auto medicar-se é um crime. Um crime de ignorância e desinformação. Sou um profissional da área da saúde, oras. Como diria o apóstolo Paulo, “Nem tudo que posso me é lícito”. No mais, na verdade na verdade, nem posso. Não sou médico. Não farei isso. Acho que não. Não sei. Mas deixe estar o meu ouvido. Que o tempo se encarregue de nossos destinos, meu e de meu pobre ouvido. Voltemos ao fundo da represa. Ou melhor, antes do fundo da represa: ’ Quando eu fazia a curva ao pé da enorme, gigantesca árvore que ali habita, creio seja uma farinha seca, o céu estava mesmo carregado por nuvens densas e com uma cor cinza escura muito funesta. Mas quem é que sabe o exato momento em que cairá uma tempestade? Eu bem que desconfiei. Antes de estar ali, sob aquele céu fero, eu descia velozmente a avenida que leva à represa. Seria perfeito, caso a chuva retardasse em, aproximadamente, quarenta minutos sua queda. Ao colocar os pés na rua, intuí que teria que ser rápido como um Pégasus. E até antes mesmo de colocar os pés na rua, ainda dentro de casa, eu já me vestia apressado. Tinha pressa assim que cheguei do trabalho. O céu estava muito rente ao solo. Temi. O céu assim tão perto do chão pode não ser um bom sinal. Alguém pode acabar subindo, sei lá. Há sempre o risco quando o céu está tão baixo. Era a agonia de um arrebol do pós dezoito horas em início de outono. Cheguei a comentar que iria dar uma corrida rápida, e com sorte voltaria antes da chuva. Minha irmã estava aqui em casa, fez cara de dúvida, fez cara de incerteza, fez cara de incerteza misturada com dúvida. Eu já estava decidido. Não haveria cara que me dissuadiria de meu propósito. E meu propósito era o de correr. Corri quase nada. Dos quarenta minutos planejados, corri menos de quinze. Correria mais, mesmo sob vento e forte chuva, caso não houvesse relâmpagos. O problema é que tenho medo de relâmpagos. Tenho medo de tudo que é modalidade de choque. Estava encharcado ao chegar diante do portão de casa. Quase fiquei grudado na campainha. Como disse no início deste, tomei um baita choque.
Ao ser levado à presença daquele Sr de seus maturados 84 anos, estava na verdade indo rever um bom pedaço de minha infância. Afinal, aquele homem de baixa estatura, tórax roliço e finas pernas de passarinho era figura muito frequente nas ruas mais movimentadas de minha terra, há uns 20 anos. Vestido com um jaleco branco sentava com boa postura em sua “motoquinha”, percorria toda cidade com seu jeito lépido. Mas agora ele se encontrava muitos anos à frente daqueles dias; e já não mais conservara sua autonomia para o “ir e vir” a toda parte. Pior ainda, naquele momento sofria com a recuperação de uma fratura no fêmur, ocorrida após uma queda dentro de sua própria casa. _Quão dura é a realidade do ancião que de andar dentro do próprio lar, pode quebrar-se ao chão, isso quando não se quebra de pé, sem mais nem menos, indo apenas posteriormente ao solo, ao que chamam de fratura espontânea. Mas retornemos ao nosso “continho”. Dia após dia, sessão após sessão, meu novo amigo ancião, recuperav...
Amei o título, e o emprego de adjetivos exacerbados, que o tratamento de choque continue a inspirá-lo. Grande abraço.
ResponderExcluirOi Jeferson... Amei o texto, o mais incrivel é que lí o texto com a sensação que eu estava correndo, deu até canseira.
ResponderExcluirContinue sempre a nos presentiar com belas e inteligentes crônicas assim. Grande abraço
Paz e bem, sempre.
Carla
http://jeitofelizdeser.blogspot.com.br/
As tempestades são amedrontantes, mas ao mesmo tempo, fascinantes! Lembrei-me muito de Gibran, que gostava de tempestades e não tinha medo delas.
ResponderExcluirTempestades externas ou internas sempre são muito perigosas. Para entrarmos em curto circuito com as energias que delas procedem, é um inspirar de medo, tão somente! Metáforas que você utilizou propicia tais elocubrações...
ResponderExcluir[ ] Célia.
Perfeito! Depois da tempestade vem a esperança de um dia de sol e um arco - íris para compensar!
ResponderExcluirRetribuindo a visita, bem bacana seu blog, parabéns. O meu é uma miscelânia de m´sucias, poesias, citações, e alguns escritos meus, desabafos e postagens políticas tb.....Bem genérico, bem eclético como eu.....Bj!
ResponderExcluirObrigada pela sua visita!
ResponderExcluirBeijo.
Milena Lima Makeup
Fan page: Milena Lima Make Up
Li o choque e a queda, adorei ambos, voltarei mais vezes, seu jeito de escrever prende, desperta a curiosidade. Devo confessar que adoro ler livros, mas tenho certa aversão por ler na tela de um computador, costumo evitar textos a não ser os de que preciso para alguma pesquisa sobre algo específico. Surpreendeu a mim mesma o fato de ter gostado tanto de ler seus textos. Parabéns! Você escreve de maneira cativante.
ResponderExcluirUm abraço!
Marilsa
Obrigada pela visita Jeferson!! Realmente Maria Teresa Mantoan dentro da defesa dos direitos humanos é tudo!!!
ResponderExcluirAgora choque e tombo...ninguém merece...Moro em um pára raios..srsrrssrrsrs...fechou o tempo lá vem raio e gritos, latidos...voltarei mais vezes...abraços!!!!!!!!!
Jeferson,
ResponderExcluirMuito bacana seu txt...
Olá, Jefherson! Vim agradecer sua visita ao meu blog. Fico feliz de ter gostado dele. Principalmente, de ter concordado comigo de que são os pais que influem (e muito) nas decisões dos filhos. Também gostei do seu blog e já o sigo. Boa sorte e muito sucesso para você. Sueli Freitas
ResponderExcluirValeu pela visita, gostei do seu texto, muito bom.
ResponderExcluirOlá Jefherson! Retribuindo sua visita e conhecendo seu blog, posso dizer que gostei muito do jeito que escreve, seus textos são ótimos! Parabéns,voltarei outras vezes!
ResponderExcluirRetribuindo a tua visita... vim visitar! Me propiciou boa leitura! Parabéns!
ResponderExcluirVenho aqui agradecer pela visita ao meu blog,gostei muito do seu e já sou sua seguidora.Um grande abraço e um ótimo dia!!
ResponderExcluirObrigada pela visita no meu blog. Achei bem interessante seu texto. Seu blog é bem diferente e intrigante. Gostei. Já estou seguindo seu blog e segue o meu também. Beijos
ResponderExcluirMaravilhoso!!!! Amei como sempre!
ResponderExcluirbjs querido!
"Comecei a escrever para fazer com que o tempo passasse um pouco mais lento." --- que profunda tuas palavras...Comecei a escrever para fazer com que o tempo passasse um pouco mais lento."... eu escrevi algo que diz que o homem deixa seu escrito como forma de não morrer...Obrigada por me visitar te seguirei em teu blog. Parabéns por teus escritos..
ResponderExcluirOlá!!Muito obrigada pela sua visita em meu blog e seus comentários...fiquei muito feliz.Estou retribuindo sua visita e aproveito para dar parabéns pelo seu. Adorei seus textos...grande abraço...volte sempre
ResponderExcluirClaudia
www.criandoartecommagia.blogspot.com
Gostei muito do seu texto.Amo ler e seria muito bom que todos tivessem esse hábito e passasse esse hábito para os outros,pois seus textos são ótimos.Vou te seguir.
ResponderExcluirPara quem quiser me seguir meu blog é este:
http://cantinhoavila.blogspot.com.br
Olá Jefferson. Tudo bem?
ResponderExcluirObrigada pela visita ao meu blog.
Parabéns pelo seu cantinho. Adorei seus textos.
Volte sempre, pois eu voltarei mais vezes para visitá-lo.
FORTE ABRAÇO.
Jucélia.
Querido que blog lindo hein!!!Já ri, me emocionei com suas postagens. Parabéns e continue postando esses textos maravilhosos.
ResponderExcluirVocê sempre gentil, gostei da visita. E adorei ter recebido o convite de vim ler a publicação. Alguns choque são necessários, para tornar a vida interessante, desafiante e cheias de superações.Pasme, eu tenho medo de tomar choque também, já se foram alguns, mas meu trauma é de chuveiro. rs.No entanto eu amo banho bem quente.
ResponderExcluireii to retribuindo a visita. *_*
ResponderExcluiraqui tudo é bonito demais... owwntt.
otimo fds pra ti... :*
Oi Jeferson, fico feliz que tenha visitado o meu blogger e tenha gostado da minha postagem, e Parabéns pelos seus 3 anos de blogger :D Fica com Deus e espero que possa visitar mais vezes o meu blogger :D Fica com Deus :D gostei mt do seu cantinho :}
ResponderExcluirOi, desde já obrigada por visitar meu blogue. Já li outros textos seus e estão muito bons. Parabéns e continue! Já agora, vou seguir seu blogue. Um beijo e muitos parabens!
ResponderExcluirOi de novo sou o membro nº4601!!!
ResponderExcluirOlá, Jeferson! Agradeço-lhe pela visita ao meu blog. Gostei daqui e dos seus textos. Parabéns!
ResponderExcluirEstou seguindo. Um abraço e tenha uma ótima semana. ;)
Oie!
ResponderExcluirMuito interessante Infausta corrida!
Assim como todos os seus textos.
Realmente aqui é muito agradável!
Um super abraço!
que orgulho você ter visitado meu blog e gostado. Parabéns pelo sua criatividade, li alguns textos e já estou seguindo, um abraço, Lorraine
ResponderExcluirObrigada pela visita. Li o texto que me pediu, super descritivo, tanto que quase senti os pedregulhos nos pés! Parabéns! Escrever é um talento, Deus te abençoe e te inspire em todos! Continue! Não uso mais o blog no qual você postou o comentário e se emocionou com as músicas, mas no meu novo BLOG, o SUPER RECOMENDO, continuo com elas, as músicas e a dança, minhas paixões! Com tempo, passe lá! http://super-recomendo.blogspot.com.br/search/label/DESAFIO%20MUSICAL
ResponderExcluirSUPER ABRAÇO!!!