Ela dizia coisas que ninguém queria ouvir. Coisas que ninguém ouvia de fato. Passava o final de semana inteirinho dentro do apartamento, dentro do quarto. E quando saía à rua, não havia ninguém que dissesse ter sentido sua falta. Minto. Apenas um garoto sentia sua ausência. Apenas um garoto queria ouvir suas narrativas, suas lamúrias, suas decepções, suas agruras e suas amarguras. Era George o garoto que a ouvia. Somente George parava para ouvi-la. O garoto George. Ao amigo ela pedia um conselho, um dólar, um abraço e um tempo. O garoto não se importava com suas contradições e dizia que queria mais era vê-la feliz e ser feliz também. Correr sem ter para onde ir, ir sem ter aonde chegar. Era um espírito livre o garoto George. Ela chorava. Dizia que por ser gorda o mundo não a amava, os rapazes não a queriam e a felicidade era um sonho inatingível. Ela chorava e chorava. George dizia que tudo aquilo era uma bobagem e que um dia ela veria o amor em cores límpidas e translúcidas. Oferecia-lhe seu ombro frágil de adolescente. George acreditava no amor e nas promessas dos amantes. Queria ensinar sonhos na universidade da vida, esse era o seu sonho. Tanto insistiu com sua discípula primeira e única que a convenceu da verossimilhança do amor. Ela acreditou no amor que George lhe pintou. Ela agradeceu dizendo que sua dívida de gratidão para com o amigo só fazia crescer. Ela colocou quantos piercings pode, fez quantas tatuagens lhe coube. Pintou os cabelos em vermelho como fogo e passou a usar couro. Eles conversavam sobre livros e amores quando os encontrei num final de tarde de frente para o mar de Navegantes. E depois disso nunca mais os vi nessa vida. E se alguém me pergunta sobre Navegantes, mesmo que eu não diga, ocorre-me imediatamente George e Camila.
Ao ser levado à presença daquele Sr de seus maturados 84 anos, estava na verdade indo rever um bom pedaço de minha infância. Afinal, aquele homem de baixa estatura, tórax roliço e finas pernas de passarinho era figura muito frequente nas ruas mais movimentadas de minha terra, há uns 20 anos. Vestido com um jaleco branco sentava com boa postura em sua “motoquinha”, percorria toda cidade com seu jeito lépido. Mas agora ele se encontrava muitos anos à frente daqueles dias; e já não mais conservara sua autonomia para o “ir e vir” a toda parte. Pior ainda, naquele momento sofria com a recuperação de uma fratura no fêmur, ocorrida após uma queda dentro de sua própria casa. _Quão dura é a realidade do ancião que de andar dentro do próprio lar, pode quebrar-se ao chão, isso quando não se quebra de pé, sem mais nem menos, indo apenas posteriormente ao solo, ao que chamam de fratura espontânea. Mas retornemos ao nosso “continho”. Dia após dia, sessão após sessão, meu novo amigo ancião, recuperav...
Mas o que aconteceu com George e Camila meu Deus??Fugiram juntos ou se afogaram no mar???
ResponderExcluirJeff, as vezes um único amigo verdadeiro basta nessa vida. Estar rodeado de pessoas não quer dizer muitos amigos, pois poucos tem a paciência do George em ouvir lamúrias, escutar desesperos e oferecer o ombro pra pessoa chorar suas mágoas. Amizade é isso, mesmo vendo defeitos, aceitá-los.
Bela crônica Jeff, embora não me conformo de não saber o final dos dois...
Beijokas doces e uma semana abençoada.
Marly, minha doce e querida amiga, quero crer que George e Camila descobriram a felicidade na poesia, no dia que amanhece diante do mar, na música, na vida. Quero crer que foram felizes até quando tristes. Abraço, linda!
ExcluirMuuuuito legal, Jefhão!! Como nos ficam estas marcas, não é? E olha que basta olhar para as coisas com coração aberto...
ResponderExcluirGostei do texto...e que bom o George manteve-se paciente!
[]sss
O George é um poeta de alma, ele lê Camila com gosto. Valeu pela atenção, amigo!
ExcluirAlgumas pessoas se libertam ao deixarem suas fantasias, outras vestem-se de tatuagens. Cada um escolhe o caminho com a capa que mais lhe convém.
ResponderExcluirCamila e George estão, como eu, no caminho da busca a felicidade, fazendo-a com amor todos os dias. Imagino. Bom saber que ainda se acredita nele.
Amor
O amor nos mostra o mundo por uma ótica mais agradável, é o alento da alma. Beijo!
ExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ExcluirAinda bem. Às vezes penso que o amor é assim como a luz branca o reflexo de todas as luzes, do mesmo modo o amor é a expressão de todos os sentimentos bons. Afinal de contas o amor é companheiro, amigo, psicólogo, sincero, leal, fiel, todas essas coisas que juntas parecem nos fazer esquecer a vida antes de sua chegada.
ExcluirAinda bem!
Ps: Tô te seguindo, viu?! Ah, como vc fez pra os comentários poderem ser comentados individualmente?
Sim, o amor é um recomeço [muito bem dito por você] Quanto aos comentários poderem ser respondidos aqui mesmo, não sei. Um dia abri o blog, há três dias pra ser mais preciso, e estava assim. Obrigado por fazer parte deste meu lugar. Beijo!
ExcluirComo assim? Um Ginomo passou e deixou seu blog mais legal que o meu? Até aqui o mundo tá conspirando?
Excluirkahkahkahkahkahkahkah!
Essa é boa!
Só me diz uma coisa, aquela foto do prédio o letreiro é "Pinguim"? Gostei, tem cara de diário..
Sim, foi coisa de gnomo [sorrio]. E a inscrição da foto do plano de fundo é sim Pingüim. É uma foto do conjunto arquitetônico da Praça XV em Ribeirão Preto. Com os cortes para caber a foto só ficou o prédio da esquina, o do Pingüim. Acho lindo aquele lugar todo. Beijo!
ExcluirEbaaaaaaaaaaaaaaa!
ResponderExcluirVoltaste amigo lindo.
Divertiu-se muito?
Espero que tenhas descansado e aproveitado ao máximo suas férias.
Novo texto e adorei, fiquei pensando, cá entre nós, será que ela não ficou mais feia?
Bia, Bia, deixa de querer tudo perfeitinho. (risos)
Um abraço fraterno e foi muito bom ler um novo texto.
E te conto, o meu novo blog: http://sonhosepensamentosdabia.blogspot.com/ Está indo muito bem obrigada, depois passa por lá e dê suas opiniões que para mim são muito sábias.
Bjokas...da Bia!!!
Oi, Bia! Tive boas férias sim, descansei e curti bastante. Obrigado pelo carinho da presença, linda. Fico lhe devendo a visita do convite. Beijo!
ExcluirNavegantes,praia vizinha de minha cidade !!!!
ResponderExcluirLegal! Estive em sua cidade também. Muito lindinha ela. Parabéns!
ExcluirNossa, que palavras bem escritas e que tanta emoção expressa. Sensacional!!! Não tenho certeza se captei a essência total do texto, mas o pouco que captei, foi maravilhoso! Parabéns!
ResponderExcluirGentileza sua. Foi uma maneira que encontrei de compartilhar um pouco do muito de Navegantes que está em mim. Obrigado!
ExcluirPô Jefh muito bom. Essa Camile me lembra algumas pessoas... E George lembra eu.
ResponderExcluirGostei amigo!
Uma ótima semana. Abraços.
Legal esse lance de identificação! Valeu!
ExcluirOh, grande escritor jefh!
ResponderExcluirde volta a sua casa seu paraíso.
Jovens, garotos inseguros amor de adolescente cheios de paranoias.
Jorge e Camila para sempre.
forte abraços, Guri!
Valeu, brother! Forte abraço!
ExcluirOlá Jefh, já estava com saudades tuas!!! Voltou das férias com a "inspiração a flor da pele"! Adorei o que compartilhou...se tivessemos mais "Georges" teriamos mais "Camilas" optando pela vida e pela felicidade como tua personagem... Felicidade sempre "guri", muitos aplausos aqui deste cantinho do Sul. (obs: por aqui tem alguns "Georges e Camilas")
ResponderExcluirAbrace-os, Nyce. São pessoas lindas. [Também estava com saudades de você. Beijo, linda!]
ExcluirPersonagem apaixonante...às vezes na vida, precisamos que apenas uma pessoa sinta nossa ausência, e isso basta! George é a prova real disso...!!
ResponderExcluirJefh...Parabéns!!
Obrigado! Beijo!
ResponderExcluirJefh, queria vir aqui mais, mais e sempre te ver, te ler, te saber lindo e amoroso, suave e inspirado.
ResponderExcluirToma um beijo pelo prazer que me dá em poder passar por aqui e sair sempre encantada com tudo o que vc escreve.
Parabéns.
Encantado fico eu com o carinho e generosidade de sua presença. Outro beijo!
ExcluirPoxa, tocante a narrativa. Otimista, sonhadora e fantasiosa, mas com toque de realidade. Algumas pessoas precisam de outras como o George, porém pessoas como o George são raras.
ResponderExcluir... e como diria o poeta:"NAVEGAR É PRECISO..."; pois como disse aquele baiano:"A VIDA VEM EM ONDAS...".
ResponderExcluirBEIJÃO
JAN
Bem lembrado, JAN. Beijão!
ExcluirEscreves bem. Parabéns.
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