Sei que deve ter lhe causado estranheza saber que um conterrâneo, um Jefhcardoso, lhe renderia uma homenagem em 60 capítulos. Não pense que me escapa esta dosagem de esquisitice que há em uma obra tão inusitada. Até mesmo aqui em casa encontrei uma resistência inicial ao meu projeto. Déia que viu minha escrita pública nascer dizia: isso não é o seu estilo, ta “humorístico” demais. Tive que explicar por mais de dezena de vezes o propósito nobre de meu projeto.
Deve ter lhe causado espanto ainda maior o fato de ignorar eu ser um escritor em potencial. Sei que a língua pátria me é muitas vezes como um cavalo selvagem que salta, da coices e corre de meu alcance, mas não há cavalo indomável a quem esteja realmente disposto e razoavelmente munido de recursos físicos e cognitivos para tal intento.
Ao contrário de você que sempre se destacou na escrita e em tudo que envolvia comunicação eu era um menino quieto, um estudante modesto e muito tímido. Minhas redações não chegavam ao rodapé das tuas, mas eu tinha um segredo; se não era nas redações que eu dava vazão ao meu gosto pela escrita os diários eram meus fiéis confessores, ali eu me debruçava com alma e paixão. Não revelava isso a ninguém; nem a você, meu caro amigo. Diário, como todos bem sabem, não é lá objeto que um moleque de corridas na rua, de pés descalços no campão de terra, de brigas, carregue junto ao peito (riso). Mas era ali que eu exercitava uma escrita que aos 35 anos se tornou pública por uma fatalidade. Foi através de um texto muito comovido que escrevi na ocasião em que perdi um paciente muito querido, por mim e por todos que o conheciam, que minha escrita tornou-se publica em nossa cidade.
Meu texto fora imediatamente publicado em nossa linda Tribuna. Depois vieram outros textos, e outros. Passei a publicar no belo Progresso de nossa cidade, pois ali me deram um pouco mais de espaço para fazer “literatura”.
Meu texto fora imediatamente publicado em nossa linda Tribuna. Depois vieram outros textos, e outros. Passei a publicar no belo Progresso de nossa cidade, pois ali me deram um pouco mais de espaço para fazer “literatura”.
Decidi pelas razões que as cartas explicam lhe render uma homenagem.
Quando tomei conhecimento, através de uma pessoa que muito admiro, da existência de um livro chamado Cartas a Théo, de Vincent Van Gogh, imediatamente minha imaginação traquinas parafraseou: Cartas a Tás! Com acento agudo para que todos saibam que não é você, porém um personagem inspirado em nossa cidade, em seu sucesso, em tudo que leio e em coisas que vejo; e qualquer semelhança é mera coincidência.
Propus-me, como forma de desafio e exercício de escrita, a criação de 60 cartas. Iniciei com a de numero um, e veja no que resultou (riso).
Que graça teria fazer uma homenagem e não a apresentar?
Por isso lhe enviei uma mensagem a cada texto, amigo.

A riqueza da escrita é invejável, e o sentimento contido no texto é indescritível... Não sei se vc tem algum livro publicado, mas creio que deva começar o quanto antes! Espero um dia mto em breve folear algo composto por tão inspirado escritor... Desculpe-me se pareço repentino na admiração, mas é que hj li com afinco a essa obra e percebi que não poderia calar-me diante dela, mas dar vasão ao sentimento que de mim tomou conta! Parabéns pelo trabalho, e esse comentário (rimou rsrsrs) é pq vc disse que não comentam o blog... Abrassss, de seu amigo Tom Galego (Wellington Unimed)
ResponderExcluirObrigado, Wellington, muito obrigado! Creio que um comentário como este, tão lúcido e motivador, é o tipo de incentivo que todo aquele que se dispõe a compor uma obra ao público sente grande felicidade em receber. E quanto a um livro...Ah, um livro! Quem sabe?
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