
Ituverava, 18 de outubro de 2009
Cocão, meu velho, o que poucas pessoas sabem é de sua aptidão para o esporte bretão, que arrasta multidões por toda extensão continental de nosso Brasil a fora.
Certo é que, fora um verdadeiro demônio com a bola nos pés, meu amigo.
Em outra carta, uma de número 19, cheguei a mencionar sua habilidade para conduzir a gorduchinha no campo das memoráveis peladas, velhaco. Sócrates nunca admitiu, mas foi com você que o doutor Magrão aprendeu a valer-se do calcanhar para ludibriar os adversários.
Você, seu matreito, possuía um bom chute de direita, mas era com a perninha esquerda, torta e forrada de densos furúnculos, alguns já adormecidos e outros plenamente ativos, perna forrada de perebas sobre perebas e banhada em pus, que impunha o mais pleno terror aos goleiros de nossa época. Eles tremiam nas bases com seus potentes chutes a qualquer distância que fosse do gol. Era imprevisível o seu arremate, brejeiro. Com o semblante fechado, a cara contorcida em ódio, a arcada inferior projetada à frente e com os incisivos da base à mostra, punhos serrados, lá vinha o golpe furioso. A bola zunia. Infeliz do goleiro que cometesse a imprudência de interpor-se entre o gol e sua trajetória.
Lembra daquela ocasião em que derrubou o travessão com uma bolada violentíssima, quando jogávamos contra o time do Bicão? O goleiro, Pipão, tem problemas para lembrar fatos mais antigos e até os do dia de hoje. Ficou, por assim dizer, meio desmemoriado, lerdo, aéreo e fora de área, às vezes.
Mas a recordação que ficou mais viva em minha mente foi daquele jogo em que recebíamos o time da Vila São Jorge para disputar um mini torneio que o locutor Argemirão havia organizado para a molecada. As canelinhas finas chispavam umas contra as outras em meio à névoa que se erguia no campão de terra batida da antiga cadeia. Das celas, estendiam-se as mãos dos presidiários, que se divertiam fazendo movimentos a fim de aterrorizar os meninos mais medrosos, como eu, no caso.
A partida caminhava para seu final. Vencíamos por 2X1, resultado que nos tornaria campeões; lembra? O jogo estava muito disputado. O time da vila não parava de dar sufoco. Foi então que o treinador, sr. Diorgenes, chamou-lhe a um canto para conversar. No lance seguinte, já no campo do adversário, você correu para a bola e deu uma bicuda que a lançou para o lado de fora da cadeia; já havíamos usado esta estratégia por diversas vezes como recurso de finalizar a partida enquanto o placar ainda nos fosse favorável.
Você, Cocão, propôs-se a apanhar a bola e saiu em disparada rumo a rua José Sandoval. Apanhou a bola, precipitou-se para dentro de um bueiro e saiu apenas quando lhe avisamos que o time adversário havia desistido de esperar o retorno da única bola do jogo. Isso ocorreu quatro horas depois da sua bicuda. Foste um herói naquele dia como em tantos outros.
Comemoramos à grande. Tomamos muita guaraná maçã com pururuca artificial por conta do treinador sr. Diorgenes, lá na venda do seu Tóti Custório. Bons tempos aqueles! Bela jogada, parceiro!
Certo é que, fora um verdadeiro demônio com a bola nos pés, meu amigo.
Em outra carta, uma de número 19, cheguei a mencionar sua habilidade para conduzir a gorduchinha no campo das memoráveis peladas, velhaco. Sócrates nunca admitiu, mas foi com você que o doutor Magrão aprendeu a valer-se do calcanhar para ludibriar os adversários.
Você, seu matreito, possuía um bom chute de direita, mas era com a perninha esquerda, torta e forrada de densos furúnculos, alguns já adormecidos e outros plenamente ativos, perna forrada de perebas sobre perebas e banhada em pus, que impunha o mais pleno terror aos goleiros de nossa época. Eles tremiam nas bases com seus potentes chutes a qualquer distância que fosse do gol. Era imprevisível o seu arremate, brejeiro. Com o semblante fechado, a cara contorcida em ódio, a arcada inferior projetada à frente e com os incisivos da base à mostra, punhos serrados, lá vinha o golpe furioso. A bola zunia. Infeliz do goleiro que cometesse a imprudência de interpor-se entre o gol e sua trajetória.
Lembra daquela ocasião em que derrubou o travessão com uma bolada violentíssima, quando jogávamos contra o time do Bicão? O goleiro, Pipão, tem problemas para lembrar fatos mais antigos e até os do dia de hoje. Ficou, por assim dizer, meio desmemoriado, lerdo, aéreo e fora de área, às vezes.
Mas a recordação que ficou mais viva em minha mente foi daquele jogo em que recebíamos o time da Vila São Jorge para disputar um mini torneio que o locutor Argemirão havia organizado para a molecada. As canelinhas finas chispavam umas contra as outras em meio à névoa que se erguia no campão de terra batida da antiga cadeia. Das celas, estendiam-se as mãos dos presidiários, que se divertiam fazendo movimentos a fim de aterrorizar os meninos mais medrosos, como eu, no caso.
A partida caminhava para seu final. Vencíamos por 2X1, resultado que nos tornaria campeões; lembra? O jogo estava muito disputado. O time da vila não parava de dar sufoco. Foi então que o treinador, sr. Diorgenes, chamou-lhe a um canto para conversar. No lance seguinte, já no campo do adversário, você correu para a bola e deu uma bicuda que a lançou para o lado de fora da cadeia; já havíamos usado esta estratégia por diversas vezes como recurso de finalizar a partida enquanto o placar ainda nos fosse favorável.
Você, Cocão, propôs-se a apanhar a bola e saiu em disparada rumo a rua José Sandoval. Apanhou a bola, precipitou-se para dentro de um bueiro e saiu apenas quando lhe avisamos que o time adversário havia desistido de esperar o retorno da única bola do jogo. Isso ocorreu quatro horas depois da sua bicuda. Foste um herói naquele dia como em tantos outros.
Comemoramos à grande. Tomamos muita guaraná maçã com pururuca artificial por conta do treinador sr. Diorgenes, lá na venda do seu Tóti Custório. Bons tempos aqueles! Bela jogada, parceiro!
eeee jefersommmmm cumpriu seu sonho..heheheheh mais vc ja ta qze igual a ele....calvo e escritor...hehehhehe abraço
ResponderExcluirHeinnnn, amigo, que chic, do lado de uma celebridade... E olha que eu estou falando com o Tas... rsrssrssrsr.... Não, agora é sério, Jeferson, ficou legal a foto, e o blog tá show! Abrassss, me add no msn, depois te passo, ok?! Até mais!!! Wellington (TOM GALEGO)
ResponderExcluirEh Dr Jeferson , foi o presente do dia do Fisioterapeuta!!!! virou celebridade , ou melhor nos contos da vida e tanto no seu trabalho profissional és uma celebridade !!!Adorei a Foto , fiquei feliz por vc e o Blog está de Parabens !!!
ResponderExcluirum abraço !!!
E a Jeferson ficou legal a foto em hehehe agora tem q escrever uns contos pra nos!!! haha abraços
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