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Cartas a Tás (26 de 60)


Ituverava, 14 de julho de 2009


Amigo Tás, nós aqui da terrinha jamais o culpamos pela primeira vez em que tentou nos abandonar e acabou retornando com o rabinho por entre as penas.
Você, naquele momento, foi envolvido em alguns acontecimentos que eu não julgo indiferentes. A ocasião em que fugiu com o circo, por ter-se encantado pela mulher barbaça, e acabou retornando para nossa terra onde permaneceu por vários meses na roça, sem dar as caras na cidade, com medo que o atirador de facas, o marido da mulher barbaça, viesse até Ituverava a fim de restaurar a honra corrompida durante o período em que você acompanhou a companhia circense nos espetáculos realizados ao longo da Anhanguera.
Mas aquilo passou, você amadureceu, tornou-se menos impulsivo, até leu a Bíblia, que considero o melhor conselheiro para todas épocas, inclusive a atual.
Você me disse um dia: “Eu sou como aquela pessoa do Príncipe Michkin”, e eu lhe respondi: “Sim, mas nem tudo está perdido, você pode tratar-se; você sendo assim, não muda em nada a amizade que tenho por você, no mais, você é mais profundo que Michkin, e não sei se...” Então respirei um pouco e conclui: “no fundo, bem lá no fundo você não passa de um grande romântico, fanfarrão”. “E no fundo, bem no fundo”, vejo em você o Ituveravense de nariz escorrendo, barrigudo, de pés descalços a correr atrás das pipas no jardim da praça 10 de Março, aos gritos com sua voz esganiçada, o verdadeiro Tás encardido, o grande amigo ao qual não desisto de chamar a razão.

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