Pular para o conteúdo principal

Cartas a Tás (18 de 60)


Ituverava, 24 de junho de 2009



É Tás, o lance entre eu e a Adrix, sobre ela ler meus contos, rolou cara; ela leu, adorou, mas não disse nada, é o jeito dela, eu entendo, é ela, e basta. Essa garota é mesmo uma diva da música brasileira. Já notou como existe alma, profundidade e magnetismo quando ela canta e no que ela compõe? Ela tem um caso de amor verdadeiro com a terra de Camões pelo que pude perceber. Às vezes, quando leio Saga Lusa, penso que o livro foi só um lance para limpar a barra dela com os patrícios; devido a semana desastrosa na turnê da Bad Trip. Ainda há pouco eu a ouvia no meu radinho de pilhas, aquele mesmo que seu tio Zé usava no “trampo” de guarda noturno. Estava tocando a canção: “Mais feliz”, da Adrix. Cara, quanta coincidência!
Mas mudando um pouco o rumo da prosa: Estou muito contente por dispor de algumas poucas horas de meu dia para dedicar-me à escrita. Adquiri também alguma ferramenta útil na lapidação desse diamante bruto que creio habitar meu ser. Não sou bem familiarizado com as coisas da literatura, porém antes de começar a publicar meus textos escrevi e estudei situações o tempo necessário para poder compor razoavelmente sobre um assunto que ocorresse num dia comum.
Se durante algum tempo estamos esgotados, depois nos restabelecemos, e ganhamos com o fato dos textos estarem armazenados, exatamente como as garrafas de uma adega, ou uma fazenda de eucaliptos. Quanto a mim, não penso no momento em descansar.
Existe na literatura algo infinito _ não posso, por ora, lhe explicar mais que isso, mas sei que não ignora este fato. Existem nas pssoas, nas mais cotidianas ações, coisas ocultas, harmonias e contrastes que colaboram por si próprias, e das quais a literatura tira seu alimento e vigor.Espero algum dia escrever algo que possua alma, profundidade e magnetismo o suficiente para que eu ultrapasse a densa barreira do anonimato. Num vê o PC? O que o cara era antes de publicar O Diário? Pois é, Tás! Bora que vamo! Vambora!

Comentários

  1. Oi meu lindo, estou muito feliz com suas informações,as fotos, com todo o conteudo de suas matérias. Estou realmente orgulhosa e sempre que tenho um tempo, passo e dou uma olhadinha para ver se tem leituras novas.
    Matando também um pouquinho a saudade de Ituverava e minhas lindas recordações, muito bem bolado, continue assim, colocando em prática seus sonhos, vc é guerreiro, de luta, com garra e nunca perca esse seu jeito doce de ser e tratar as pessoas, vc é nosso orgulho como profissional e como ser humano impar que és. Obrigada por estar me proporcionando essa leitura, mas adoro as fotos também viu rsrsrs.forte abraço Sueli

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Comente. É isso que o autor espera de você, leitor.

Postagens mais visitadas deste blog

O Sr. e o Dr.

Ao ser levado à presença daquele Sr de seus maturados 84 anos, estava na verdade indo rever um bom pedaço de minha infância. Afinal, aquele homem de baixa estatura, tórax roliço e finas pernas de passarinho era figura muito frequente nas ruas mais movimentadas de minha terra, há uns 20 anos. Vestido com um jaleco branco sentava com boa postura em sua “motoquinha”, percorria toda cidade com seu jeito lépido. Mas agora ele se encontrava muitos anos à frente daqueles dias; e já não mais conservara sua autonomia para o “ir e vir” a toda parte. Pior ainda, naquele momento sofria com a recuperação de uma fratura no fêmur, ocorrida após uma queda dentro de sua própria casa. _Quão dura é a realidade do ancião que de andar dentro do próprio lar, pode quebrar-se ao chão, isso quando não se quebra de pé, sem mais nem menos, indo apenas posteriormente ao solo, ao que chamam de fratura espontânea. Mas retornemos ao nosso “continho”. Dia após dia, sessão após sessão, meu novo amigo ancião, recuperav...

É Primavera

Era uma manhã de setembro quando o velho Alincourt chegou diante do belo lago de minha cidade, estacou sobre um terreno baldio sito à margem direita, ergueu ao alto os dois braços com ambos os punhos cerrados e vibrou de modo indescritível. No punho esquerdo o velho trouxe uma porção de terra em pó, poeira formada por noventa dias de estiagem. Ao abrir aquela mão, os vigorosos ventos de setembro levaram consigo a terra, que se desprendia e esvaía pelos ares, formando uma fina nuvem de poeira vermelha a andar no ar. O céu tornara-se vermelho, assim como a própria terra do lugar. Da mesma mão desprenderam-se folhas secas. Incontáveis folhas em tonalidades marrons, beges, amarelas. Um enorme urubu, atraído por um odor propagado pelo vento, passou a oferecer uma sombra circular sobre a cabeça do velho. Após a primeira ave, vieram outras da mesma espécie. Em pouco tempo eram seis, vinte e duas, trinta e cinco, cinqüenta e uma, mais de cento e três. Os ventos anunciaram uma carcaça canina...

O Verbo Blogar

O Blog, á nossa maneira, á maneira do blogueiro amador, blogueiro por amor, não dá dinheiro; mas dá prazer. Isso sim. Quando bem trabalhado dá muito prazer. Quando elaboramos uma postagem nos percorre os sentidos uma onda de alegria. Somos tomados por uma euforia pueril. Tornamo-nos escritores ou escritoras que “parem” seus filhos; tornamo-nos editores; ou produtores; ou mesmo jornalistas, ainda que não o sejamos; tornamo-nos poetas e poetisas; contistas e cronistas; romancistas; críticos até. Queremos compartilhar o quanto antes aquilo que criamos. Criar é uma parte deliciosa do “blogar”; e blogar é a expressão máxima da democratização literária – e os profissionais que não façam caretas, pois, se somarmos todos os leitores de blog que há por aí divididos fraternalmente entre os milhões de blogs espalhados pelo grande mundo virtual, teremos mais leitores que Dan Brown e muitos clássicos adormecidos sob muitos quilos de poeira. Postar é tudo de bom! Quando recebemos comentários o praze...