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Cartas a Tás (13 de 60)



Ituverava, 13 de junho de 2009



Sei que está ocupado demais a brigar com os estudantes agora. Também sei que possui seus motivos para irar-se com o nosso ex-presidente, mas não pode negar que este é bom com as letras, e que em seus “delírios” há muito conteúdo supérfluo e presença de ego, de um baita “egão”, comparável somente aos grandes monumentos nacionais.
Old boy, esta carta de numero treze é apenas para você , certo que cuidará de guarda-la apenas para si, não é?
Ainda não pude me dar conta do caráter repugnante de minhas cartas. Sinto-me muito inclinado à tristeza nesta tarde opressiva. É que tantas pessoas transitam com liberdade no espaço para comentários de seus posts e eu fiquei excluído daquele lugar. Mas não tenho a mínima intenção de desistir de meu propósito e deixar abater-se à coragem que me levou a este audacioso projeto de resgate de sua cidadania.
Lembro-me das palavras de mamãe a dizer-me, que fizesse algo para meu meio irmão, que ia se tornando um apátrida nesta selva de pedras que é a capital.
Eu quero apenas vê-lo identificar-se com as coisas de tua terra, tua história, teus amigos, e feliz como uma cotovia na primavera.
Não darei credito ao pessoal do botequim, que esta dizendo que meus conselhos para você são o mesmo que sabão em cabeça de burro velho; jamais farão espuma.Vou até a carta de numero 60 ainda que para tal tenha que percorrer sozinho todo longo caminho que ainda falta.

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