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Cartas a Tás (11 de 60)







Ituverava, 11 de junho de 2009


Amigo, sei que fui um tanto hostil na última correspondência, mas tudo se deu pelo fato de ter censurado minha carta de numero nove, e ignorado meu pedido por um pequeno empréstimo. Ainda não sei a razão; se foi pelo meu novo emprego, ou se por insegurança de sua parte, quanto a perder o cargo de destinatário da série, Cartas a Tás.
Lembrei-me do quanto éramos amigos, das nossas primeiras musas, dos bailes onde éramos, sem qualquer dúvida, os caras mais tímidos e feios entre todos gaiatos da época.
Eu estava rindo ao lembra-me de você, de quando tirou a Luzia Picolezeira para uma dança, naquele baile de gala da Associação Atlética Ituveravense: Lembra? Bom tempos, “veinhaco”!
Dançaram coladinhos aquela canção magnífica da Sade (Smooth Operator), e quando terminou ela lhe pregou um tapa bem no meio da fuça. Você nem se importou, destampou a rir com cinco dedos estampados em relevo na face, e nunca nos contou o motivo; nem precisava. Aquela canção motivava mesmo qualquer ousadia de paixão! Não estranho seu atrevimento com aquela senhora, que na época estava no esplendor de seus 63 anos bem vividos, Tás. Logo você partiu para a escola de aeronáutica, e a Luzia, tadinha, tentava lhe esquecer com aquele vendedor de frios no atacado; a mussarela que o cara vendia era promissora, mas a mortadela...Luzia morreu, sabia? Dizem que nunca lhe esqueceu, que você foi o melhor namorado que teve; disseram na época, né. Tás, me desculpe pela última carta, é que vovô precisava ser defendido, e o sangue falou alto, amigo. Abraço!

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