Pular para o conteúdo principal

Gaza, Faixa de Tecido Leve e Muito Fino

Faixa de tecido leve e muito fino


Fiquem com tudo.
Coloquem os seus sobre os trapos dos meus.
Ame aos seus, e ondeie aos meus;
Afinal, os meus tem olhos rosa enquanto os teus são cinza!
Somos mesmo tão diferentes em tudo?
Nascemos sem que nossos pais conhecessem o amor?
Quando crescemos não nos apresentaram a caridade?
E por ventura envelhecemos sem sentir o dom supremo por um dia se quer?
Então, que importa quem chora a dor da perda para quem desconhece os olhos do vizinho?
Joguemos fogo uns nos outros devido à diferença de local de nascimento.
Nascer em determinado lugar, é mesmo uma afronta aos interesses de quem nasce em outro.
Não tolere os do outro lado da faixa de tecido leve e fino.
Vamos tingir a faixa de vermelho inocente.
E quando esta secar a tomaremos já na cor marrom incoerente.
Imagine que lindo: a faixa vermelha, a faixa marrom...
O dialogo não é coisa de homem de verdade?
Falar não causará medo a ninguém.
E sem medo não queremos faixa leve e transparente.
E o que pensarão de nós se não a tingirmos?
Dirão por aí que não possuímos força para tingir tecidos.
E o dialogo em nosso mundo não muda a cor sequer de um fio estúpido.
Pois então fique com tudo.
Com a faixa de tecido, com as saudades de muitos e com os mundos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Sr. e o Dr.

Ao ser levado à presença daquele Sr de seus maturados 84 anos, estava na verdade indo rever um bom pedaço de minha infância. Afinal, aquele homem de baixa estatura, tórax roliço e finas pernas de passarinho era figura muito frequente nas ruas mais movimentadas de minha terra, há uns 20 anos. Vestido com um jaleco branco sentava com boa postura em sua “motoquinha”, percorria toda cidade com seu jeito lépido. Mas agora ele se encontrava muitos anos à frente daqueles dias; e já não mais conservara sua autonomia para o “ir e vir” a toda parte. Pior ainda, naquele momento sofria com a recuperação de uma fratura no fêmur, ocorrida após uma queda dentro de sua própria casa. _Quão dura é a realidade do ancião que de andar dentro do próprio lar, pode quebrar-se ao chão, isso quando não se quebra de pé, sem mais nem menos, indo apenas posteriormente ao solo, ao que chamam de fratura espontânea. Mas retornemos ao nosso “continho”. Dia após dia, sessão após sessão, meu novo amigo ancião, recuperav...

É Primavera

Era uma manhã de setembro quando o velho Alincourt chegou diante do belo lago de minha cidade, estacou sobre um terreno baldio sito à margem direita, ergueu ao alto os dois braços com ambos os punhos cerrados e vibrou de modo indescritível. No punho esquerdo o velho trouxe uma porção de terra em pó, poeira formada por noventa dias de estiagem. Ao abrir aquela mão, os vigorosos ventos de setembro levaram consigo a terra, que se desprendia e esvaía pelos ares, formando uma fina nuvem de poeira vermelha a andar no ar. O céu tornara-se vermelho, assim como a própria terra do lugar. Da mesma mão desprenderam-se folhas secas. Incontáveis folhas em tonalidades marrons, beges, amarelas. Um enorme urubu, atraído por um odor propagado pelo vento, passou a oferecer uma sombra circular sobre a cabeça do velho. Após a primeira ave, vieram outras da mesma espécie. Em pouco tempo eram seis, vinte e duas, trinta e cinco, cinqüenta e uma, mais de cento e três. Os ventos anunciaram uma carcaça canina...

O Verbo Blogar

O Blog, á nossa maneira, á maneira do blogueiro amador, blogueiro por amor, não dá dinheiro; mas dá prazer. Isso sim. Quando bem trabalhado dá muito prazer. Quando elaboramos uma postagem nos percorre os sentidos uma onda de alegria. Somos tomados por uma euforia pueril. Tornamo-nos escritores ou escritoras que “parem” seus filhos; tornamo-nos editores; ou produtores; ou mesmo jornalistas, ainda que não o sejamos; tornamo-nos poetas e poetisas; contistas e cronistas; romancistas; críticos até. Queremos compartilhar o quanto antes aquilo que criamos. Criar é uma parte deliciosa do “blogar”; e blogar é a expressão máxima da democratização literária – e os profissionais que não façam caretas, pois, se somarmos todos os leitores de blog que há por aí divididos fraternalmente entre os milhões de blogs espalhados pelo grande mundo virtual, teremos mais leitores que Dan Brown e muitos clássicos adormecidos sob muitos quilos de poeira. Postar é tudo de bom! Quando recebemos comentários o praze...