Amigos

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Sala De Espera



Uma acanhada sala de espera; um jogo de sofá de duas partes e duas poltronas, uma pequena mesa de centro, um televisor de quatorze polegadas, um ventilador giratório fixado na parede do fundo do vestíbulo e uma porta lateral corrediça de vidro, que dava para uma pequena varanda destinada aos fumantes.

Todos os dias, próximo às dezessete horas, o homem que era médico vinha e noticiava sobre a saúde dos enfermos para os familiares que aguardavam apreensivos no início e esgotados com o passar dos dias, caso não viesse uma centeia de esperança.

Uma família tinha seu patriarca em estado gravíssimo, sob os cuidados da terapia intensiva; a outra família tinha a sua matriarca em situação não menos crítica. As famílias se conheceram por obra do acaso, força do destino; ao longo da convalescência de seus entes foram apresentados uns aos outros.

Os entes de cada família, ao serem chamados na presença do médico, se despediam dos colegas de espera e partiam de encontro às últimas notícias sobre o estado do parente enfermo. Porém, antes de partirem, no período de espera, conversavam. Cada qual tinha sua bagagem até encontrarem-se ali, naquela sala de angústias e aflições; isso não se dava pela sala em si, mas pela razão a qual os colocava em tal situação; ou seja, era difícil estar dentro daquela situação, dentro daquele lugar, então, se consolavam de certa forma.

Chegavam sempre alguns minutos antes do horário da visita. Estes minutos que precediam a visita eram os minutos onde trocavam as informações recebidas do boletim médico do dia anterior, e ali trocavam também as mais variadas histórias sobre a vida dos entes.

Após a visita, os representantes de cada enfermo, iam para uma saleta onde se sentavam de frente para o homem que era médico, e ouviam as explicações do quadro clínico; eram fornecidas informações das possibilidades de evolução do caso (prognóstico) e tinham, naquela ocasião, oportunidade de fazer perguntas, que na maioria das vezes não ocorriam.

Era assim, entre uma visita e outra, entre um boletim médico e outro, que pessoas completamente diferentes se conheciam dentro daquele hospital que prestava serviços tanto a particulares como aos usuários do sistema de saúde do governo.

Certa vez o homem de uma das famílias disse para mim que conheceu outro homem que era muito humilde, e que por ser humilde e pobre – o que quase sempre tratam erroneamente como a mesma coisa, mas não é sobre isso que quero falar – não tinha condições de ir todos os dias para a visita. Então, o homem que não era pobre – talvez fosse humilde, mas isso não vem ao caso – contou-me que fazia a vez daquele companheiro em condição semelhante a sua, ao que se refere ter um ente querido enfermo em estado grave em uma unidade de terapia intensiva.

O homem ter se compadecido do outro homem humilde e pobre, me pareceu um ato de amor, uma atitude altruísta, humana.

Foi isso; o homem fazia a visita ao ente do outro homem, toda vez que este se via impossibilitado de fazê-la.

Chamou-me atenção o fato de serem perfeitos estranhos; distantes socialmente, culturalmente, e tudo o mais; perfeitos estranhos que se encontraram ao acaso, por obra do destino e se apoiaram um no outro.

Achei bonito isso. O homem que não era pobre pareceu-me nobre e o pobre pareceu-me, neste caso, com um pouco de sorte; em meio a sua dor conheceu um homem capaz de um ato de amizade. Talvez isso, mesmo naquela situação, fosse algo confortante ao homem pobre.

Para mim foi algo nobre, relevante, digno de nota.

terça-feira, janeiro 26, 2010

Mar... ... ... ... ... ... ...


















Quando vi pela primeira vez o mar...
Ali pelos 11 anos de idade...
Ali como um menino interiorano ossudo de tão magro...
Ali pelas bandas do Litoral Sul de São Paulo...
Ali com meus pais a bordo de um Maverick amarelo com largas faixas pretas de cada lado...

Quando vi pela primeira vez o mar...
Tudo que eu cria sofreu um imenso abalo...
Tudo que eu entendia me pareceu parco...
Tudo que eu era foi pouco...
Tudo que eu conhecia mudou para nunca mais...

Quando vi pela primeira vez o mar...
Percebi que o horizonte não era só verdura a verdejar...
Percebi que não havia apenas terra vermelha para se pisar...
Percebi que nem tudo era água doce a cortar as terras varicosas do meu lugar...
Percebi que as águas salgadas abundavam deveras, deveras, deveras...

Quando vi pela primeira vez o mar...
Tive vontade até de chorar...
Tive medo misturado com veneração imediata...
Tive o coração disparado no peito a galopar...
Tive estupefação e um respeito temeroso, medroso sem par...

Quando vi pela primeira vez o mar...
Descobri que o mundo era do tamanho que os navegadores contavam nos livros de história...
Descobri que meu mundo era muito menor que eu cria...
Descobri que meu mundo era muito maior que eu imaginava...
Descobri que eu era na verdade, na verdade, capaz de retroceder jamais...

Quando vi pela primeira vez o mar...
Invejei os moradores do local...
Invejei os pescadores do lugar...
Invejei os trabalhadores das areias...
Invejei os siris e as conchas fechadas de costas para as águas...

Quando vi pela primeira vez o mar...
Quando vi pela primeira vez o luar sobre o mar...
Quando vi pela primeira vez o sol refletido no mar...
Quando vi pela primeira vez o céu diante de um titã se curvar...
Quando vi pela primeira vez o abrigo da eterna Atlântida...


Quando vi pela primeira vez o mar...
Meu Deus!...
Não consigo sequer narrar...
Acho que até aquele encontro fui terra...
Sou terra...
Mas sou agora também mar...

sábado, janeiro 23, 2010

Meu Trigésimo Sexto Ato




Hoje concentro trinta e seis anos de vida em minha pessoa.
Não me sinto senil como hei de ser,
Tampouco jovem como fui;
Sinto-me ao sabor do momento.
Sou dono de tudo que vi, vivi e penso
Acordei
Deus, como é bom acordar!
O ponto de vista do observador
É onde estou
E na posição de observado eu fico
Uma vez lançado ao mundo
La de dentro
Vou sob o efeito do sol e da lua.
Dia especial.
Um dia sem igual!
O tempo a passar
Que muito mais tempo passe para eu olhar
Cresci.
Eu venci.
Trinta e seis vezes eu nasci!
Agora me dê os parabéns.
Dê-me cá um forte abraço.
Hoje é meu aniversário.
Grato!
Obrigado!
Muito obrigado!
Ouça com atenção eu falar da Legião (Urbana)
Sirva-me no almoço o macarrão que tanto gosto
No jantar bolo de ameixa
Deixe-me ser;
Simples como sou
Hoje isso é tudo que eu quero:
Ser
Não venha me criticar,
Não cabe.
Não estou para as críticas
Não venha me corrigir;
Deixe-me
Deixe-me ser perfeito perfeitamente como sou
Deixe-me amar mais que o amor
Permita que eu sinta saudade de tudo e de todos;
Dos estimados e dos saudosos de 74
Estou admirado de mim!
Maravilhado comigo!
Hoje sou tão belo e mais forte que jamais fui!
Convencido de que caio muito bem em mim.
Encantado por minha descoberta;
Por minha persona.
Descobri a verdadeira beleza!
Ela não estava em mim
Vivo a beleza verdadeira enfim
Da qual não mais quero partir
Toda beleza está em ti.
Lindos são todos aqueles que sentaram ao meu lado
Lá no longínquo banco do pré-primário.
Quero todos ao meu lado
Trinta e seis vezes é pouco,
Quero outras tantas mais;
Quero música alta e casa cheia,
Quero sorrir de gargalhar
Como é bom gargalhar!
Mas se nada disso for possível
Não ficarei triste se convencer-lhe de que sou grato.
Grato, pois me faz sentir vivo
Faz-me sentir amigo,
Querido.
Querido amigo,
Muito obrigado em meu trigésimo sexto ato!

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Vôo do Pensamento


Poema para falar,

Expressar,

Manifestar:

Santa linguagem poética que nos permite dizer sem explicar!

E que seja poema a minar da alma;

Alma empreendida no versar;

Poesia que nos visita e nos faz isso ou aquilo,

Poetas ou poemas.

Pessoas comuns a falar do sentimento,

A colocar sentido no vivido,

Vida no sentido.

E que voe livre o verbo escrito,

Ainda que a mão a pena seja dum cativo,

Pois como pássaro no vôo pensamento é livre.

domingo, janeiro 17, 2010

A Psidium Guajava Mágica


Psidium guajava, segundo a enciclopédia livre, é uma pequena árvore frutífera tropical, nativa de toda a América, exceto Canadá, e da África do Sul.
A psidium guajava que brotou no corredor lateral ao corpo de minha casa, ao lado do meu quarto, era uma raríssima espécie mágica.
Quando brotou foi ignorada até atingir uma altura de uns vinte e cinco centímetros, creio.
Não sou zeloso com o quintal. Sou mais um tipo que vez ou outra sai arrumando e ajeitando e no final acha lindo o resultado do esforço e jura em falso tornar esta ação mais freqüente, menos espaçada, mas logo este ímpeto passa e cede lugar a prioridades.
Foi numa dessas raras ocasiões que me deparei com a tal árvore mágica; confesso que por ela não dei absolutamente nada; lembro-me de ter comentado com minha esposa: _Brotou uma árvore ao lado do nosso quarto, creio ser uma psidium guajava.
Ela não se empolgou, agiu mecanicamente com aquela empolgação pronta, artificial: _Que legal! Ela disse. E completou: _Vai deixá-la crescer? Perguntei por que não deixaria, ela disse sei lá e a árvore seguiu a ordem divina e cresceu milímetro a milímetro sem pausa, sem pressa, sem ansiedade.
Quando atingiu a estatura de um metro e meio já conseguia com seus frágeis e jovens galhinhos experimentar a textura da parede do muro da casa ao lado e da janela de zinco de meu quarto.
Foi nessa época que ela deu os primeiros prodígios de seus poderes miraculosos. Era madrugada. Os ventos uivavam por sobre nosso telhado. O ar úmido prenunciava a chuva que certamente se aproximava. Eu não tinha mais nada para fazer, a televisão não me detinha, nem a leitura me apetecia. Era para o mundo de Morfeu que eu me encaminhava preguiçosamente entregue em meu colchão novinho em folha, semi-ortopédico, garantia de horas de bom sono contínuo. Ah, que saudade dele novinho!
Foi rápido para chegar ao estado de sono REM.
Mas a psidium guajava queria atenção, estava assustada e caprichosamente começou a roçar minha janela. O farfalhar das folhas não nos incomodava, já éramos acostumado com aquele som, mas aquele leve arranhar da janela me surpreendeu, devo admitir. Acordei assustado. Não aterrorizado, histérico, com o coração aos galopes, mas assustado, da forma mais básica que possa imaginar.
O vento soprava. A chuva não havia ido além da promessa e a psidium guajava arranhava a janela de um jeito muito delicado, mas insistente.
Na manhã que seguiu aquela madrugada encontrei o quintal todo úmido, molhado. A promessa de chuva fora cumprida. Fui até a pequena arvora mágica e notei que havia apontado para a janela de meu quarto um pequeno galho cujas folhas haviam se desprendido, e assim deixava exposta a fina extremidade do braço da plantinha. Um imenso capricho ela abandonar algumas folhas, apenas para poder com um “dedinho” arranhar a janela de meu aposento, pedindo proteção, carinho, quem sabe.

O tempo passou e as raízes aprofundaram-se, o tronco foi ganhando um contorno mais corpulento e a copa se alargou ao ponto de oferecer uma deliciosa sombra sobre meu quarto, para as horas mais quentes da tarde. Mas nessa época de “adolescência” da planta ela mostrou-se desajeitada como todos são nesta idade e não precisava de uma forte chuva pra causar a impressão que a qualquer momento romperia a janela e iria parar no meio do quarto, espavorida e toda molhada. Ela tinha pavor de chuvas precedidas por fortes ventos.

Decidimos ser aquele o momento ideal para a primeira poda. Feita a poda os galhos próximos a janela ficaram distantes. Não era uma distância demasiada, mas certo que era algo suficiente para que, mesmo em dia de temporal, ela não conseguisse tocar a janela de meu quarto para nos chamar a atenção atrapalhando nosso repouso.
Mas que nada. Mesmo mocinha ela ainda se comportava como criançola, e usando seus poderes mágicos adquiriu uma flexibilidade de seu tronco de dar inveja a uma contorcionista respeitada; e numa chuva mais brava, por meio de um esforço hercúleo, lá estava nossa árvore mágica; apavorada a pedir para adentrar nosso quarto através da janela.
No dia seguinte cortei mais um pouco dos galhos. Não adiantou nada. Creio que se tivesse tirado todos seus galhos, deixando-a pelada, o que seria uma atrocidade, ela ainda curvaria seu tronco para nos chamar a atenção nas noites de chuva brava. Digo mais, se cortássemos seu tronco tenho certeza que ela escalaria as paredes, feito uma aranha, fazendo de suas raízes inúmeras pernas, só para arranhar a janela de nosso quarto.
Durante o dia era muito raro vê-la tão assustada, mesmo por que não ficávamos em casa neste período.

Até para as plantas o tempo passa e as fases sedem vez as que chegam trazendo novidades.
Com os galhos mais robustos ela passou a convidar amigos para passar temporadas em suas folhas. Eles vinham de todas as partes; pardais, pombinhas, maritacas (estas barulhentas e fanfarronas), aquela ocupação temporária era mais um sinal dos poderes miraculosos de nossa querida árvore. Afinal, como ela que não saia do lugar poderia ter tantas amizades com bichos tão interessantes?

Quando me dei conta ela já era maior que nossa casa. Estava adulta. Já nos agradava com uma bela sombra e também com seus deliciosos frutos. Alimentava a uma legião de bicos famintos; talvez fosse esse um dos motivos de tanto carisma e não a magia pura e simples; eram comensais seus convidados hospedes; a natureza também tem seus negócios, seus interesses.
Agora, tão grande, você pensaria que ela já não tem mais medo de chuvas. Engano seu, ela continua medrosa como sempre, só que agora é o telhado que ela desordena quando os ventos lhe amedrontam. Certa vez parecia que ela ia destelhar a casa. Meu pai, que não sei por qual razão adora uma poda, estava em casa nesta ocasião, e ao ouvir o escândalo que nossa querida árvore fazia ao elevar as telhas e bater nos caibros, disse com certo escárnio dos que acham fácil deitar uma planta e duvidam da existência de plantas mágicas:
_Você precisa arrancar esta árvore ou ela acabará derrubando parte de sua casa.
Olhei sério. Respirei fundo e devolvi aquela colocação com a sinceridade que não me tem faltado ao tratar de assuntos sérios.
_Pai, não me importa que ela arranque o telhado e salte para dentro de meu quarto. Nós a amamos e para nós ela é mágica. Deve haver outra maneira de preservar a casa sem precisar arrancá-la.

Ainda não encontrei a solução para o caso. Estou aguardando a visita de um jardineiro muito respeitado, um que herdou o ofício de seu pai que possuía em vida uma reputação inigualável. Dependendo do que ele disser acatarei as medidas cabíveis. Ele certamente reconhecerá que está diante do caso de uma planta mágica; nem que para isso eu tenha que convencê-lo através da leitura deste conto.
Seja como for, a quem perguntar, eu prometo contar o desfecho do caso da nossa querida goiabeira mágica.

sábado, janeiro 16, 2010

FÉRIAS QUE TE QUERO FÉRIAS

Sadraque Sadraque

Férias de araque

Truque de Mandrake,

Mendigo de fraque.

Sadraque.

A revolução que te criou,

Fez-me robô,

Produzo, corro, durmo pouco

Descanso remunerado. Pô!

Sadraque.

Cheque magro,

Pacote mal embrulhado,

Fraco.

Porém grato.

Obrigado!


Truque de Mandrake

Ilusionismo barato

Fruta de cera

Flor de plástico

Juízo, empregado!

Dinheiro curto

Distância longa,

Cheio, abarrotado e caro.

Muito caro.

Tudo muito caro!

Ilhas caribenhas?

Que nada

Junto à turba no tumulto desenfreado;

Preso e abafado no engarrafado

Nem Praia Grande, Itanhaém ou Mongaguá.


Férias de araque;

Mendigo de fraque.

Sadraque! Sadraque...

Apoquentado?

Não. Cansado.

terça-feira, janeiro 12, 2010

CANTARES (JEFHCARDOSO)


Dizer-me há: é preciso mais alma.

Responder-te-ei: está toda empenhada

Dizer-me há: é preciso mais sonho

Responder-te-ei: já não mais acordo.

Dizer-me há: é preciso sensibilidade

Responder-te-ei: estou despido de toda minha pele

Dizer-me há: é preciso mais vida

Responder-te-ei: tens a única que possuo

Dizer-me há: é preciso verdade

Responder-te-ei: estou liberto de tudo.

Dizer-me há: é preciso acalmar a sanha

Responder-te-ei: nas chamas me consumo

Dizer-me há: é preciso que recue

Responder-te-ei: já me lancei ao profundo

Dizer-me há: é preciso tesouros

Responder-te-ei: tens o meu mundo

Dizer-me há: é preciso mais fome

Responder-te-ei: devoro-te,... crua.

domingo, janeiro 10, 2010

ALGO PESSOAL


Hoje me deu uma vontade de ouvir Creeping Deth do Metallica... Vai entender!
Não tinha nada haver. Acordei tarde depois de uma deliciosa noite. Tomei um ótimo café e a preguiça... maldita preguiça dominical! não queria se apartar de mim. Peguei umas coisas para fazer, talvez por um propósito inconsciente de espantar a preguiça para não ver o domingo esvair-se sem nenhum proveito além do descanso. Fiz coisas que aguardavam há tempos, aquelas coisas que quando iniciamos vão puxando outras: podei uma figueira, juntei umas pedras britadas com a pá, tirei o mato que encontrou frestas nas fendas do cimento rústico, organizei o cantinho do Melquiades e da Amaranta (quer saber quem são Melquiades e Amaranta? leia minha postagem do dia 18.07.09 “Cartas a Tás Melquíades e Amaranta), limpei a piscininha das crianças, varri um pouco, me expus ao sol; envolvi-me. Fiz todas essas tarefas com o som ligado e bem audível. Ouvia entre outras coisas MPB (gosto muito de MPB; das novas e das antigas).
Mas de repente me veio uma vontade de ouvir Creeping Deth!
Eu gosto de rock! Mesmo sem ficar ouvindo eu sei que gosto. É verdade. Mas não tenho culpa. Nasci no ABC paulista, mas vim para o interior com muito pouca idade, portanto deveria ter tomado gosto por música sertaneja, moda country, festas de peão de boiadeiro e etc; o que não ocorreu. Respeito a tudo isso, acho que são legítimas manifestações da cultura local, possuem valor e uma imensa legião de consumidores destes produtos, gera empregos, lazer, identidade e conta com minha mais sincera simpatia.
Mas eu, eclético como poucos, acabei gostando de tudo um pouco, mas muito, muito de rock.

Meu pai tem um pouco de culpa por esse meu gosto estranho por essas músicas onde os caras gritam histericamente frases das quais não entendo bulhufas na maior parte do tempo. Ele ouvia Beatles, Elvis, Queen entre outras falsas rebeldias pop ao extremo. Tudo nas rádios era pop e ele ficava ligando, solicitando canções; o locutor avisava que a musica sucederia à vinheta de “essa é para gravar” (às vezes o locutor falava no início da música, meu pai ficava doido com isso, parecia algo como uma estratégia para que o ouvinte voltasse outras vezes para ouvir no intuito de gravar, ou simplesmente fosse uma sádica pirraça para ter do que rir nas noites solitárias dentro da cabine da rádio). Meu pai me ensinou didaticamente todo esse ritual; então ele soltava o pause e assim ia enchendo de pop as fitinhas k7 que depois eu ouvia até enjoar, e ninguém cogitava nos processar por desrespeito aos direitos autorais. Nessa época eu tinha uns nove anos e ficava sentado atrás do sofá de joelhos no tapete, de frente para o aparelho de som de três compartimentos empilhados em um grande rack, que ostentava no topo um belo toca discos com tampa de acrílico e com uma agulha com a ponta de diamante (segundo informações colhidas na época), para reproduzir os discos de vinil que nunca comprávamos, pois eram muito caros.

Minha mãe bem que poderia ter moldado meu gosto musical através de lavagem cerebral com seu radinho ligado nas rádios sertanejas durante todo o período em que realizava as tarefas do lar. Ela o carregava para onde fosse e era bom vê-la em casa feliz, cantando sob a luz que adentrava abundantemente a cozinha principalmente, enquanto ela preparava nossas refeições ouvindo as dores dos cantores dos anos oitenta; estes exploravam ostensivamente o tema traição, lamúrias, desventuras amorosas, anexo córnico e nada de etc.

Nenhum amigo meu da escola pública conhecia o tal rock pesado. A grande maioria tinha fortes vínculos com a cultura local e conhecia através de seus ancestrais as tais modas de viola, as músicas sertanejas de raiz (algumas trazem contos fantásticos em suas letras e as vozes, a maneira de cantar, o estilo, tudo isso é único). Mas aquelas canções não ofereciam respostas para minha ebulição hormonal. Eu precisava de algo que vibrasse em meus músculos, que explodisse com meus anseios de menino tímido, e que desse vazão para a imensa energia contida em meu ser.
Foi quando fiz uma viajem de final de ano para a casa de minha avó em São Paulo, capital.
Lá ganhei um disco do meu tio Beto. Meu tio Beto era um cara tranqüilo, muito caseiro, mas ouvia rock. Não se vestia a moda dos roqueiros, não falava com gírias, e aparentemente não tinha discos, nem nenhuma camiseta de banda que fosse. Ocorreu que certa vez ele me chamou de fronte para a janela que dava para a rua no quinto andar do edifício e com ar confidencial disse-me: _Você gosta de Metallica?
Ao que respondi: _Metallica?!
_Sim, Metallica. Ele repetiu.
Eu disse que não conhecia.
Ele foi até o guarda roupas de minha avó, enfiou a mão por debaixo da última gaveta, sobre o soalho do próprio guarda roupas, e retirou um disco de capa predominantemente azul onde se via a inscrição Metallica e logo abaixo, por entre raios uma cadeira de execuções, creio. Ele me ofereceu o objeto. Parecia saber o que estava fazendo. Eu aceitei mais por educação e consideração que por interesse, pois me pareceu meio mórbido aquele tema; até hoje me parece.
Só fui ouvir algum tempo depois. Já em minha cidade. Meus pais acharam aquilo perturbador, grosseiro, esquisito. Inibiram-me de ficar ouvindo aquilo e talvez tenha sido justamente esta “proibição” que despertou em mim a curiosidade por aquele som tumultuado e estridente; talvez.
Quando meus pais saiam, eu ouvia. Pobre vizinhança! O nosso aparelho de som era potente (investimento de meu pai que nunca entendi, pois não tínhamos dinheiro nem para os discos), mas eu só ouvia quando estava sozinho em casa.
Hoje não ouço mais este tipo de música. Acho que não tenho tanta disposição, nem tantos gritos latentes pedindo vazão, mas na época...
Talvez por isso me venha sem mais nem menos à lembrança Creeping Deth (algo do tipo: morte rasteira; talvez).

Mas como viram; eu não tenho culpa nenhuma de gostar de rock.

sábado, janeiro 09, 2010

Jefhcardoso de blog em blog>> (09.01.2010)


Normalmente quando se entra em um blog e clica em algum de seus seguidores, se este também tiver blog, as características editoriais deste blog serão semelhantes ao do blog seguido. Assim, clicando nos seguidores, também se vai ao longe nas idéias.

Nestas minhas andanças por este “fantástico caminho de tudo que existe” deparei-me com alguns blogs que possuem uma enorme rede de seguidores ou poucos gatos pingados e creio que revelam algumas das faces da alma feminina contemporânea.
São blogs que estão bombando ou não.

Blog de cosméticos: Possuem seguidores aos milhares, fazem promoções, são muito comentados, coisa e tal; enfim, agradam muita gente, conquistam muitos seguidores (as).
É uma espécie de blog que cultua a vaidade, assume certa dose de futilidade "benigna" e, para espanto ou surpresa de quem não frequenta estes blogs, curte poesia (a editora do blog curte). Às vezes deixo algum comentário e vejo que as moças que mantêm estes blogs vêm e gostam muito de poesia e prosa poética. Nada mais natural; são vaidosas e também românticas, oras.
Geralmente a editora destes blogs é uma jovem com mais de 20 anos, rosto de menina e bem maquiada, é claro.
Exemplo que encontrei foi o
http://bazarflordemenina.blogspot.com/ da Nany.

Blog do cotidiano de um jeitinho bem pessoal: Outros blogs não possuem tantos seguidores, mas expressam a mulher moderna de um jeito bem especial e revelador. Encontrei um que tenho voltado e me divertido a cada leitura. Ele possui características expansivas, porém sem deixar de revelar anseios e receios em suas entre linhas. São bem legais os textos do
http://amenidadespormariacaroline.blogspot.com/, da Maria Caroline.


Quero falar também de um blog muito especial, onde uma jovem senhorita de 18 anos escreve com uma força admirável: é o blog da menina Tati Rodrigues (
http://tatimenina.blogspot.com/ ), que no post do dia 23.12.09 chocou, impactou e arrebentou com o texto natalino que ornou com a foto do porquinho finado. Veja se a menina não merecia no mínimo uns 2454 seguidores.


Bem, fique aí o registro de mais uma grande face da blogosfera.

Abraço: Jefhcardoso.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Indizível



















Fiquei Tão Triste!

Queria que o aborrecimento passasse.
Não gosto do estado aborrecido;
Melhor seria o estado esquecido.
Queria nunca ficar aborrecido!
Seria mimo?

Queria não ter dito aquilo,
Não ter feito isso,
Mas de quanto tempo precisei para estragar o dia?
Alguns segundos?
Um telefonema?
Desvario.
Errei por falta de malícia e vertigem de alegria.
Pronto, foi isso.

O estado do arrependido segue ao do aborrecido:
Há maior castigo que o estar arrependido?
Não, não há.
É mais desagradável que o estar aborrecido,
Pois o aborrecido é mais feliz que o arrependido;
Já que o segundo trás em si a alma do primeiro
E lamenta-se pela ação irreversível;
Enquanto o aborrecido aguarda ocasião oportuna para sentir-se...
Livre.

Queria ver teu rosto limpo,
Com aquele leve sorriso ao invés deste dolorido,
Custoso,
Tímido,
Submisso,
Voluntarioso. Credo!

Resta-me torcer;
Em favor de nós;
Para que não vença o inimigo do amor: desamor.
Para que não sobrevenha maior infortúnio do que estar aborrecido;
Para que não se magoe definitivamente comigo.
Torcer para que não haja ranhura,
Dor maior,
Maior castigo.
Não, não há maior castigo.

Obs. Para que não digam que não falo de flores (sorrio).

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Meu Blog Minha Casa


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Não venha zombar de minha casa,
Tampouco dizer que é uma casa muito engraçada,
Que não tem teto,
Que não tem nada.
É a casa de minhas idéias;
Seu teto é o topo da minha rudimentar caixa craniana.
E mesmo sem chão entra quem quer;
Não é necessário firmamento aos de alma alada.

Oras! Como pode dizer tais inverdades;
Que em minha casa não se pode dormir na rede por falta de paredes?
Aqui se forra a rede no ar e lança-se a sonhar;
Querendo deita-se em qualquer;
Mas minha casa tem sim belas paredes invisíveis,
Nascem do alicerce cravado no solo virtual.

Sim, admito que não haja pinico,
Mas há espaço para comentários,
E cada qual pode fazer à sua maneira,
Tenho recebido rosas,
Porém, se vier xixi ou qualquer coisa não os lançarei fora.

Verdade que fora construída com muito esmero,
Com isso devo concordar,
Contudo a rua dos bobos é a debaixo,
A nossa é a dos bufões, sábios, artistas, escritores, sonhadores e falastrões.


Estas linhas foram inspiradas na canção de Vinicius de Moraes “A Casa”.

terça-feira, janeiro 05, 2010

Jefhcardoso>> de blog em blog (05.01.2010)


Iniciamos o ano com tantas tragédias. Queria que fosse diferente, mas nunca é. Porém, não fico indiferente às dores alheias, mas trago hoje amenidades para brindarmos o jovem 2010 e para lembrarmos que se nem tudo são flores, nem tampouco catástrofes.

De blog em blog faz-se uma viajem prazerosa e enriquecedora. Há blogs que são um verdadeiro deleite visual, que nos levam através de suas paginas para um mundo de encanto e magia, do qual sempre trazemos a agradável sensação de tempo bem empreendido.
Assim, sem sair de diante de sua tela descobre-se que; há artistas cosmopolitas expondo seus belos e premiados trabalhos nas artes visuais neste universo chamado blogosfera e há também os artistas das palavras, do conhecimento, da vida a prestigiar os artistas consagrados, porém guardados do grande público.
Eu não entendo tecnicamente de arte, não tenho pretensão quanto a isso, mas sei que a linguajem é universal e em minha simplicidade de homem comum guio-me pela sensibilidade que encontra eco em mim, e sinto-me no direito de proclamar o belo. É isso. Sem fazer-me de arrogado nem abandonar os hífens (sorrio).

Visitando o blog de um de meus parceiros, o grande Professor Adinalzir (
http://saibahistoria.blogspot.com/ ), tive a alegria de deparar-me com a postagem do dia 28.12.09, na qual o professor apresentava A História na pintura de João Barcelos, também ali encontra-se uma bela gravura do pintor e ainda o link para conhecermos sobre o artista.

Noutra de minhas visitas deparei-me com o blog de uma artista de Lisboa, pessoa amável na comunicação, muito simpática mesmo sem conhecer-me; encantadora a moça Inês Dourado (
http://inesdouradopintura.blogspot.com/ )!
Sua obra não causa menor impressão que sua própria pessoa. Visitar seu blog é mais um delicioso passeio pelo mundo virtual. Poesia, Lisboa, Fernando Pessoa; tudo ali é magnífico, divino, o blog é pura manifestação de arte, a moça versa com o espírito e pinta com a alma.
Aproveitei e trouxe para esta humilde casa, para adornar meu cantinho, a postagem do dia 02.08.09 da Inês (Fases De Mulher) e o resto do que se vê ali é tempo ganho, amigos.

Confiram e verão que de blog em blog>> ao longe se vai.

Abraço: Jefhcardoso.

sábado, janeiro 02, 2010

Alegria, Fogos e Fatos

Ouvindo o foguetório bebeu a cachaça, atrelado ao gargalo;
Por sorte ou azar deixou que o vidro despencasse de sua mão débil, debilitada.
Ouviu-se o estouro oco e surdo do vidro que parte e espalha o liquido contido, feito uma massa aquosa.
Viu espatifar-se em mil pedaços.
Avançou num salto por sobre os cacos;
Sorveu as gotas retidas nos maiores e lambeu os menores.

Um fino fio de sangue, uma raja, misturou-se ao grosso cordão de baba;
Não notou a sialorréia sanguinolenta a molhar as abas da camisa desabotoada.
Subiu a ladeira num pranto desconsolado;
Fazia dó sua lástima!
Mas era algo impossível distinguir qual a maior tragédia naquela vida tão desprovida de graça:
Seria mais comovente o caco de vida, ou os cacos da garrafa?

Os fogos coloriam o céu nas mais diversas cores;
Xingou a todos que o olhavam curiosos.
Seguiu numa marcha ziguezagueada a passos que ora subiam, ora retrocediam ao acaso;
Movia-se sobre uma serpenteante linha imaginária.
Com o dorso do antebraço espalhou as lagrimas por toda a cara;
A baba proferida com as palavras ininteligíveis não lhe incomodava;
Mas os olhos marejados sim;
Estes atrapalhavam a visão turva, disforme e duplicada, triplicada, quadruplicada...

Ao atingir o topo da ladeira não encontrou nada;
Nada que lhe apetecesse a alma,
Nem um reconfortante boteco de portas abertas,
Nem os portais de uma igreja que lhe inspirasse a converter-se de seus caminhos sinuosos.
Não havia maneira para afogar suas mazelas inacabáveis;
Era um ser inconsolável.

O estourar dos fogos lhe transfiguravam a face furiosa.
As lagrimas rolaram novamente,
E com o mesmo vigor da ocasião da fatídica quebra da garrafa.
Escorando as mesmas paredes da ida,
Feito uma lagartixa zonza,
Decidiu voltar ao local do infortúnio;
Desceu esbravejando, jurando vingança ladeira abaixo;
Agarrava-se a um poste, um portão, uma árvore,
Fora tomado por um espírito impiedoso como o de Vlad, o Empalador.
Prometia a não sei quem as mais terríveis atrocidades.
Parou diante dos estilhaços,
Abriu os braços,
E girou em elipse,
Transcreveu no ar o vôo do pássaro mal fadado,
Girou, girou, girou, girou...
Caiu,
Sua têmpora encontrou a quina da sarjeta úmida.
Ouviu-se o estouro oco e surdo como do vidro que parte e espalha o liquido contido, feito uma massa aquosa;
E se seus olhos viram algo concomitante ao choque do impacto,
Viram os estilhaços da garrafa;
E se viram mais algo alguns segundos mais tarde,
Viram seu sangue misturar-se ao que ainda não havia evaporado da cachaça,
E juntamente com o evaporar da cachaça, viu evaporar algum indício de consciência precária que ainda lhe restava;
E se teve um delírio de morte,
Viu os fragmentos da garrafa se encontrar,
E para dentro da garrafa dirigir-se todo o seu sangue,
E transbordar para muito além da estúpida garrafa,
Molhando toda a calçada, a rua, a ladeira acima e o cume da mais alta construção comercial,
Misturando-se ao colorido dos do show pirotécnico.

Sem vida,
Fora encontrado ao despertar do dia 01 de 2010, pelos varredores:
Olhos opacos, vidrados,
Vidrados no vidro estilhaçado submerso na pasta vermelha coagulada.

O gari, num suspiro, compadeceu-se da cena:

Pobre desgraçado que vai solitário a construir sonhos de garrafa.
Pobre solitário!
Exilado de si enquanto sua vida passava.
Privado de ser para agradar ou desagradar; quem sabe?
Mentindo ser feliz na falsa verdade que o cercava.
Fingiu não perceber viver sob o manto da infelicidade.
Sempre insatisfeito a jogar o jogo do ébrio contente com a garrafa.
Pobre desgraçado!
Descanse finalmente em paz,
E que os anjos lhe tomem a alma.


Obs. Impossível não perceber que há pessoas morando nas ruas, dormindo sobre papelão, comendo o que jogamos fora...

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Quem leu, recorde/Quem não leu, leia.



A ansiosa solicitude pela vida.

Dois grandes amigos conversavam enquanto o mais jovem, ansioso por se tratar de sua estréia, se preparava para apresentar-se a uma imensa platéia; o mais velho, experiente senhor de cerimônias, lhe orienta: _Vá meu filho, estão todos à sua espera, e com grande euforia. Todos querem lhe conhecer, por tanto, ande, e não seja tão tímido, tem gente que há meses espera para ver a sua cara. _Sim, mas... você tem certeza que ele já foi embora pare que eu possa entrar? _Não; ele lhe espera, mas você entrando ele vai embora, vocês vão cruzar-se na porta, se verão apenas nesta hora: olhe, olhe, ele esta se aproximando, entre e vê se não enrola: vamos, como é, não vá amarelar! _Não se trata disso, é que, bateu... “tipo” um friozinho na barriga; estou ouvindo um barulho imenso, uma arruaça: o sujeito, pelo visto, fez grande sucesso! Olhe o tamanho da festa de despedida que estão fazendo para ele! _Meu Deus, como você é ingênuo! Essa festa é sua, amigo, pois a dele foi ao chegar; na verdade pouca gente agradece quando vocês saem. _Me parece meio ingrato isso! _Mas se faz parte da profissão, o que se ha de fazer? E ande logo, que ele está parado à porta, lhe esperando para poder ir embora e lhe ceder o lugar. _Eu não sei se estou pronto de fato; meu coração esta disparado, é muita adrenalina, minhas pernas estão feito borracha; Toda essa gente! _Tem certeza que os mais amigos dele não vão virar-me à cara? _Disso eu não falo nada, afinal, cada qual tem seu jeito de encarar mudanças, mas isso também não é problema seu; você não pode fazer nada além do seu papel, que é entrar e correr. _Sabe, enquanto estávamos lá dentro, eu pensava: “Teve colega que entrou e tomou uma tremenda vaia, vai que não vão com a minha cara”. _Isso acontece, cada um vive o seu momento, há gente passando por tudo nesse mundo, há quem se mate por uma faixa de tecido branco e muito fino, mas a você cabe o seu papel na história e chega dessa conversa, está todo mundo lhe esperando para mudar tudo. _Aí, não falei! _ Está na cara que vai dar errado; afinal, eu não venho para mudar nada, quem tem que mudar não sou eu, mas sim eles; neles é que ha um monte de pendências. _Você tem razão, não nego, mas se você atrasa na entrada sou eu quem fica encrencado, tem gente que já tomou umas a mais e está começando a dar trabalho, assim, a festa pode terminar em confusão e tragédia, por tanto, é melhor você entrar logo. _Pronto, mais um motivo para que eu não atravesse àquela porta; com bêbado eu não trato, se começa assim, já começa tudo errado. O senhor de cerimônias, percebendo que o jovem estava mesmo muito receoso com aquela estréia, temeu pelo andamento da festividade, intuiu que o principal convidado, a atração maior da noite, estava ao ponto de voltar para traz; foi quando na filosofia encontrou o argumento que faltava. _Meu jovem, não se preocupe, tenho tudo sob controle; preparei um discurso que esclarecerá essa gente que lhe espera. O Senhor de cerimônias apanhou uma folha de papel e, após pigarrear, a fim de angariar a atenção de todos, iniciou um breve discurso: _Amigos, por favor! _ Um minuto de vossa atenção; antes que o grande convidado entre quero participar-lhes de umas palavras, creio serem propícias; gostaria que refletissem sobre elas, quem as disse marcou-me muito, é um grande sábio, o maior que conheço. E assim o mestre de cerimônias seguiu com seu discurso: “...não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais que o alimento, e o corpo mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em seleiros; contudo, vosso pai celeste as sustenta. Por ventura, não valei vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: com o que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.”(Mt 06: 25-34) O senhor de cerimônias, chamado “Tempo”, preparou com seu discurso a entrada do seu jovem amigo estreante “2010”. Este, após ver todos receberem a mensagem, ficou tranqüilo, entrou e começou a correr confiante que todos haviam capitado que: o futuro a Deus pertence, as mudanças estão dentro de cada um que se proponha a realizá-las e ao ano só confere passar.
*
Obs. A exemplo do texto natalino estarei oferecendo este texto, que faz parte de minhas primeiras publicações, como simbolo de meu sincéro desejo de que 2010 seja o ano de nossas maiores vitórias.
Abraço: Jefhcardoso.

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