
Falarei de Anabela que é moça e não fala:
Aconteceu que um dia Anabela sentiu a sua cabeça doer; doía demais. Era uma fase difícil, de grande stress, muita correria, prazos e metas a cumprir, um emaranhado de problemas para dar solução, coisas demais.
Fato era que, Anabela já havia enfrentado diversas fases como aquela.
Fato também que, Anabela sofria freqüentes dores de cabeça, porém aquela dor...Ah, aquela maldita dor de cabeça!
Anabela procurou ajuda médica; mas dor de cabeça e stress quem não os tem em nossos dias tão corridos e tumultuados?
Fora medicada, aconselhada a procurar um especialista para alguns exames, caso a dor não cedesse, e lá fora Anabela com uma receita em mãos de analgésico/relaxante e sua dor de cabeça para casa.
Aquela dor de cabeça era algo mais que uma simples dor, era na verdade um pulsar violento dentro de seu cérebro que estava prestes a explodir. E não demorou a ocorrer a explosão do cérebro de Anabela. O sangue que estava contido em seus vasos e fluía levando nutrientes para as ações vitais do órgão, na verdade estava revolto como corredeiras, e procurava ao bater-se contra as paredes das artérias, arteríolas, vasos, um ponto frágil para fender e romper em profusão pelo encéfalo da moça; e encontrou; e rompeu; e explodiu.
Foi brutal. Uma moléstia gravíssima e repentina. De uma só vez Anabela viu-se desapropriada de seu próprio ser, de sua vida, das ações mais simples que uma pessoa desempenhe ao longo de um dia comum.
Paralisada dos braços e das pernas tornou-se tetraplégica.
Tornou-se afásica; ou seja, uma pessoa com comprometimento ou perda quase total, no caso de Anabela fora total, da captação, manipulação e da expressão de palavras.
Tornou-se incomunicável; Anabela não falava por verbo, por gesto, nem mesmo por um olhar responsivo a quem perguntasse algo.
Esteve praticamente morta aos olhos da medicina; foram quarenta sofridos dias sobre o fio da navalha.
Anabela só não morreu por que os médicos, arrojados, lhe arrancaram parte dos ossos do crânio, para que a explosão de seu cérebro ganhasse espaço para expandir e não o esmagasse contra as próprias paredes da caixa craniana matando a moça.
Quando se encerrou a batalha restou-lhe a vida; mas quão avariada a vida que restara! “Ao menos sobreviveu”. Diziam os conformistas.
Porém todos os dias que viriam seriam agora mais uma parte daquela guerra iniciada na fatídica batalha.
Anabela agora era uma sobrevivente, e sua cognição uma incógnita. Todos os dias passariam a ser aparentemente iguais, de uma monotonia gigantesca, incomensurável.
Aconteceu que um dia Anabela sentiu a sua cabeça doer; doía demais. Era uma fase difícil, de grande stress, muita correria, prazos e metas a cumprir, um emaranhado de problemas para dar solução, coisas demais.
Fato era que, Anabela já havia enfrentado diversas fases como aquela.
Fato também que, Anabela sofria freqüentes dores de cabeça, porém aquela dor...Ah, aquela maldita dor de cabeça!
Anabela procurou ajuda médica; mas dor de cabeça e stress quem não os tem em nossos dias tão corridos e tumultuados?
Fora medicada, aconselhada a procurar um especialista para alguns exames, caso a dor não cedesse, e lá fora Anabela com uma receita em mãos de analgésico/relaxante e sua dor de cabeça para casa.
Aquela dor de cabeça era algo mais que uma simples dor, era na verdade um pulsar violento dentro de seu cérebro que estava prestes a explodir. E não demorou a ocorrer a explosão do cérebro de Anabela. O sangue que estava contido em seus vasos e fluía levando nutrientes para as ações vitais do órgão, na verdade estava revolto como corredeiras, e procurava ao bater-se contra as paredes das artérias, arteríolas, vasos, um ponto frágil para fender e romper em profusão pelo encéfalo da moça; e encontrou; e rompeu; e explodiu.
Foi brutal. Uma moléstia gravíssima e repentina. De uma só vez Anabela viu-se desapropriada de seu próprio ser, de sua vida, das ações mais simples que uma pessoa desempenhe ao longo de um dia comum.
Paralisada dos braços e das pernas tornou-se tetraplégica.
Tornou-se afásica; ou seja, uma pessoa com comprometimento ou perda quase total, no caso de Anabela fora total, da captação, manipulação e da expressão de palavras.
Tornou-se incomunicável; Anabela não falava por verbo, por gesto, nem mesmo por um olhar responsivo a quem perguntasse algo.
Esteve praticamente morta aos olhos da medicina; foram quarenta sofridos dias sobre o fio da navalha.
Anabela só não morreu por que os médicos, arrojados, lhe arrancaram parte dos ossos do crânio, para que a explosão de seu cérebro ganhasse espaço para expandir e não o esmagasse contra as próprias paredes da caixa craniana matando a moça.
Quando se encerrou a batalha restou-lhe a vida; mas quão avariada a vida que restara! “Ao menos sobreviveu”. Diziam os conformistas.
Porém todos os dias que viriam seriam agora mais uma parte daquela guerra iniciada na fatídica batalha.
Anabela agora era uma sobrevivente, e sua cognição uma incógnita. Todos os dias passariam a ser aparentemente iguais, de uma monotonia gigantesca, incomensurável.
Grande fisioterapeuta....e agora poeta
ResponderExcluirparabéns vc é especial...abraço Isaura
Isaura, especial é você que sempre trata os amigos com carinho e generosidade.Obrigado e volte mais vezes!
ResponderExcluirJehf Cardoso, um homem comum que gosta de escrever com genialidade e sentimento. Passando pra deixar minha marca e para dizer que invejo sua capacidade de ser o oposto de mim, pelo menos no blog. O seu é maduro e sensível. O meu é de baixo calão (risos mortíferos e histéricos).
ResponderExcluirBom, parabéns por mais um diamante.
Abraços
Zé, cada qual apresenta seu estilo; gosto do seu. Há espaço para todos nessa nova literatura. É sempre muito bom conhecer suas criações; e mais uma vez fora muito generoso com minha escrita. Obrigado por vir e comentar de forma tão simpática, amigo! Diamante...isso foi muito legal de receber.
ResponderExcluirParabéns, uma história triste, um jeito sensível de contar! Abrasss, comentário 2 rsrsrs, até logo... Tom Galego
ResponderExcluirQue bom que gostou! Fico muito feliz por ter vindo comentar; isso é muito importante para mim; creio que para todo aquele que escreve. Obrigado!
ResponderExcluirCara, sem palavras para seu belo texto, lembra-me de um amigo que é poeta e escreve tão bem quanto você: http://dementedgs.blogspot.com/ (o nome dele é Guilherme, um grande amigo). Como disse o Zé, sua arte é madura e sensivel, enquanto a minha "arte" sequencial é urbana, ofensiva e chula, mas como você mesmo disse, cada um com seu estilo, por isso eu me orgulho disso! Grande abraço e confira sempre o Ofensivo por Natureza!
ResponderExcluirFico feliz por ter lhe roubado as palavras que usaria para falar de meu texto (riso); e obrigado pela dica; visitarei o blog do Guilherme; creio que já o conheço.
ResponderExcluirAbraço!
Engano seu Jefh...um homem que gosta de escrever não é comum.Jamais será.
ResponderExcluirUm belo texto.
Bjs.
Bem, interessante pensar em algo assim. Pensarei nisso, nesta questão de ser diferenciado por escrever (riso de simpatia). Que bom que viu beleza em meu texto; obrigado por visitar-me e comentar!
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