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quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Às Três Senhoras

Três idades, três vidas, três histórias...
Uma casou-se, teve filhos e netos, bisnetos virão logo.
A outra adoeceu, não se casou e nem teve filhos; não terá rebentos de si à sua volta.
A terceira, por amor, por caridade, deu sua vida pela segunda; tornou-se fiel cuidadora; um anjo que zela!

Três momentos, três vidas, três sonhos...
E quem é que não sonha?
A que se casou conheceu o lado bom e o outro do matrimônio;
A do meio, ao adoecer, amargurou o esfacelar de tal sonho;
E a caçula viu passar pretendente, suspirou até, porém fechou as cortinas e entregou-se à caridade completamente.

Tuas belezas, minhas senhoras, não acabam;
Carnes sim mudam o tempo inteiro; peles ficam flácidas, abrigam rugas;
Sei que agora em absoluto não agrado;
Porém não venho para tornar a realidade menos severa;
E quem pode me censurar por lapidar vaidade em pedra bruta?

Agora falo como se encontrasse as três na alma de apenas uma:
Teus cabelos já foram fartos e hoje são escassos;
Se foram louros como ouro ou negros como a noite sem lua, em prata se tornaram;
Prata purificada na fornalha do tempo;
Branquejaram dum branco puro, assim como é tua alma, repleta de saudades;
Do presente sente o gosto, mas no passado é que ficaram as delícias da tenra idade.

Pois, na aurora, o que era gozo e regozijo,
Ao entardecer, revelou-se fugaz e perecível;
No teu rosto entalhes e vincos, marcas e traços profundos, íntimos;
No olhar, bem no entorno, figura triste expressão, mesmo num sorriso bondoso;

Sei que por conta das diferenças já brigou com o tempo;
E chorou quando o viu roubar-lhe a pele lisa;
Lutou quando ele lhe trocou as formas leves e sutis por outras menos esguias;
Desesperou-se quando não se reconheceu numa manhã primaveril diante o espelho:
"Impiedoso tempo, mestre de frio ofício, maldito, maldito!", disse num desatino.

Mas não chore; a beleza não se fora, apenas mudara;
Acredite, tu és bela mesmo sendo dona de teus oitenta!
É musa aos noventa!, e nem um século de vida lhe tornaria menos fêmea;

Que importa se já tiveste anos muitos menos?
Teve e já não os tem, não é segredo que nada de fato nos pertence;
Mas saiba que és bela!
Não das paixões juvenis despertas,
Mas da vida humana;
Trás em si a beleza da experiência.

Aceite o novo que vem com a velha aparência;
Beleza tua nunca acaba;
Muda...
Cada tempo possui sua formosura;
E cada senhora sua beleza única.

Por Jeferson Cardoso de Matos, fisioterapeuta.

4 comentários:

  1. Parabéns meu amigo, só poderia ser você, sempre amigo, leal, atencioso, educado como jamais conheci alguém, principalmente na sensibilidade,continue assim e que Deus ilumine sempre seu caminho, que essa nova etapa seja mais um caminho percorrido com muita dedicação e garra.
    Sua amiga Rosângela - 12/02/2009

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  2. Muito obrigado Rosângela! Você, gentil como sempre! É motivo de orgulho receber um comentário desta natureza abençoadora,de uma alma amiga e sensível como você. Espero receber sua visita rotineiramente, e espero que suas palavras se cumpram como uma profecia, tendo eu iniciado um caminho vitorioso para dedicar-me com garra. Muito obrigado minha amiga!

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  3. Querido amigo Jefh...minha passada por aqui hoje, foi como um passeio no tempo, me permitiu andar entre jardins...flores...perfumes...e porque não amores...Lembranças, esperanças...sonhos de criança...Criança que grita, pula e salta dizendo que ainda vive, no corpo de adulto, maduro...
    Levo comigo:
    "Ouça; o olhar do poeta esta dizendo...
    "Aceite o novo que traz a velha aparência;
    Beleza tua nunca acaba,
    beleza tua apenas mudara;
    Cada tempo possui sua formosura;
    que cada hora, beleza única lhe traga"
    E o tempo, como disse o poeta: o tempo não para."
    Um lindo final de semana poeta/amigo, luz na tua vida sempre!

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  4. Jefferson, parabéns pelo blog, pelo TOP 3: grande e merecida honra, meu irmão. Deus continue abençoando e prosperando sua vida.

    Andréia, muito obrigada minha irmãzinha pela ajuda, incentivo e ensinamentos 'no mundo dos blogs'. Vou procurar colocar em prática o que me ensinou, com tanto zelo e carinho. Mas quero, publicamente, declarar que admiro muito você pela sua disposição, compromisso com a família, hospitalidade além de ser uma cozinheira excepcional - é um grande privilégio desfrutar dos seus quitutes.

    "De boas palavras transborda o meu coração. Ao Rei consagro o que compus; a minha lingua é como a pena de habilidoso escritor" (Salmo 45.1)

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