terça-feira, fevereiro 24, 2009

A QUARTA FEIRA DO BRASIL DE CINZAS

A QUARTA-FEIRA DO BRASIL DE CINZAS


Mais um carnaval veio, sorriu e partiu
Ardeu em chamas e expirou em cinzas.
Novamente eu fiquei aqui: _Não pulo por ti...
não sorrio contigo... não sou teu... não sou assim.
Apenas assisti um pedacinho aqui, outro ali.
Há quem lhe espere muito!
Dizem que alguns só lhe esperam.
E você veio sem falha nem atraso
As pessoas brincaram cada qual a sua maneira;
Iludidas, alegres, libertas da seriedade rotineira.
Fez tantos brasileiros mais felizes em ser!
Eu fiquei aqui, não cai nas tuas graças:
_Não me dou a ti... nem minha religião me permiti.
Mas foram muitas as coisas que vi
Vi bonecos gigantes e frevo descendo as ladeiras pernambucanas
Vi um farol da barra em Salvador estender-se por uma orla de gente
Vi São Paulo sonhar em ser Rio,
Vi um Rio ser mais Rio do que sempre.
E vi um Machado de cem anos de memórias póstumas
Ao lado de um Guimarães com cem veredas de histórias
E tudo que vi terminou em cinzas
Assim como terminou em cinzas tudo para que sorriram
Não fui menos brasileiro por não seguir teu cortejo
Ainda que combatente da folia,
Não há brasileiro que não seja, ao menos um pouquinho que seja; carnavalesco
Ah, quanto às musas...nem reparei direito,
mas acho que devem ter sambado bem,
Assim, merecem um poema.
E que mais uma quarta em cinzas amanheça.

3 Comentários:

Blogger Lilian disse...

Maravilhoso poema, Jé!
Quando vai postar novamente?Não deixe de postar não, seus textos são de muita qualidade, comportilhe-os com os internautas!
Bjão

9 de abril de 2009 12:11  
Blogger jefhcardoso disse...

Obrigado, minha querida irmã!

30 de novembro de 2009 16:48  
Blogger Ma Ferreira disse...

Olá...

Voce escreveu tantas verdades neste poema.
Falsas alegorias vestidas de ilusão!!!
Mas o carnaval são poucos dias..e a vida continua!!!

“Um homem e o seu carnaval”

Deus me abandonou

no meio da orgia

entre uma baiana e uma egípcia.

Estou perdido.

Sem olhos, sem boca

sem dimensão.

As fitas, as cores, os barulhos

passam por mim de raspão.

Pobre poesia.

O pandeiro bate

É dentro do peito

mas ninguém percebe.

Estou lívido, gago.

Eternas namoradas

riem para mim

demonstrando os corpos,

os dentes.

Impossível perdoá-las,

sequer esquecê-las.

Deus me abandonou

no meio do rio.

Estou me afogando

peixes sulfúreos

ondas de éter

curvas curvas curvas

bandeiras de préstitos

pneus silenciosos

grandes abraços largos espaços

eternamente.

Carlos Drumond de Andrade

8 de abril de 2011 09:52  

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