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segunda-feira, maio 13, 2013

GENYSIS - O CHEQUE ENCANTADO

“Ela tinha uma letra linda! Precisa ver!” disse a cuidadora enquanto preenchia o cheque para pagar por umas fraudas ao pessoal da farmácia. “Quando eu ia ao banco levar algum cheque preenchido por ela, o banco inteiro se admirava da caligrafia na folha; o papel corria de mão em mão; ao final, vinha o próprio gerente para descontar e dizer com grande ênfase que aquele sim dava gosto em pagar.”

“Tem algo escrito com a letra dela para que eu possa ver?, uma pequena amostra?” perguntou o visitante, com sincera curiosidade.

“Acho que sim. Aguarde um momento, por favor...” disse a cuidadora e dirigiu-se à penteadeira da qual abriu uma gaveta e começou a revirar o interior da mesma: “Aqui está! Uma carta que ela não enviou à filha. Mas aqui a letra dela já não estava tão boa; mesmo assim dá pro senhor ter idéia do quanto era bonita. Pode ler. Ela não se importa. Eu mesma já li e não tem nada de mais.”

O visitante examinou por algum tempo o remetente do envelope e depois o destinatário – teve o escrúpulo de não puxar a carta que tinha uma ponta sobressalente escapando do envoltório mal vedado: “Realmente. É uma bela caligrafia clássica. A senhora sabe como foi que ela desenvolveu este estilo?” e dizendo tais palavras, estendeu o envelope à cuidadora para que fosse colocado em seu devido lugar.

“Ela era professora. Foi professora durante muitos anos. Adorava ler. Há um monte de livros aqui nesta casa. Depois eu mostro pro senhor, e se o senhor quiser algum, pode levar. Os filhos disseram para dar fim neles. Doar ou até mesmo jogar fora. Jogar fora eu não jogo não; tenho pena. Tanta gente analfabeta e ignorante no mundo, não é verdade? Jogar livro fora eu não jogo nunca, pois deve ser até pecado.” 

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