quarta-feira, fevereiro 06, 2013

APENAS ESCREVER E NÃO SER UM CACETE

Embora não alcance bem ao certo qual o motivo, tenho comigo que jamais deixarei de escrever e publicar. Tampouco sei se o que escrevo é qualificado ou vulgar. Confesso que, às vezes, quando leio algo que escrevi, acho meio esquisito o escrito.

Tenho um amigo que sempre diz que eu deveria publicar um livro. Eu digo que o farei, um dia. Ele diz que me negligencio e que deveria acreditar mais em minha própria escrita, investir. Então eu digo que tenho já profissão, família, religião, time do coração, esporte, compromissos e que a escrita é algo que faço por prazer, pelo gosto que há em criar algo e compartilhar. A internet me deu isso. Talvez, se não fosse pela internet, eu jamais seguiria escrevendo por anos a fio, ininterruptamente.

O fato é que escrevo, embora não alcance bem ao certo o motivo, conforme já dito. Agora, da embromação para uma publicação, não explico. Desconfio, mas não quero explicar. Não quero conjeturar sobre isso. Parece-me assunto pessoal em demasia, uma maçada, um cacete para quem leia.

Talvez eu tenha medo que me critiquem de modo que eu adoeça da escrita e perca a vontade de escrever. Seria uma desgraça. Nunca antes de escrever foi tão divertido viver. Era bom também, admito. Sou desses que gosta de alegria e festeja o dia, contorna o mau humor e se atém às minúcias das entrelinhas. Mas escrever é sal na vida; às vezes pimenta. Açúcar. Dá mais sabor.

E vai que eu publico um livro e me aparece pela frente um crítico tão enérgico quanto um Álvaro Lins, um sujeito capaz de reconhecer o talento e a originalidade de um contista como Murilo Rubião, porém também capaz de lhe apontar imperfeições que não permitiriam que o escritor se realizasse plenamente.

Críticos são perigosos. Quanto mais respeitados no meio, mais perigosos são. Talvez tenha sido um crítico quem motivou Aluísio Azevedo, o autor do clássico O CORTIÇO, a abandonar a literatura e ingressar na carreira diplomática ainda aos trinta e oito anos de idade. E olhe que o homem nunca mais publicou nada, até sua morte aos cinquenta e cinco anos de idade. 

Mas enquanto nada publico em papel, é no espaço virtual que me divirto. Vou seguindo os mestres que tanto me fascinam e tentando dar um colorido a mais no dia, na vida comezinha. E como disse certa vez Dostoiévski: “O melhor caminho, para um contador de histórias, é restringir-se ele à simples narrativa dos fatos”. 

27 Comentários:

Blogger Helena Vicente disse...

Adorei! Escrevemos porque sentimos prazer e isso é tudo!

6 de fevereiro de 2013 17:23  
Blogger Daniela Silva disse...

Olá,adorei as história.

bjsss...

7 de fevereiro de 2013 05:43  
Blogger Paula Fliess disse...

Eita quanto tempo eu não passo aqui pra deixar um recado. Mas esse texto me pediu pra vir aqui e nem precisou falar duas vezes. Simplesmente me traduz um pouco também (inclusive a parte do amigo que nos diz para publicar um livro,rs).

7 de fevereiro de 2013 11:43  
Blogger Alê Lemos disse...

Mesmo sendo por prazer, pq nao escrever um livro? se tem algo para compartilhar escreva! E quem sabe onde vai dar?

7 de fevereiro de 2013 12:41  
Blogger Célia Rangel disse...

O prazer de ler e escrever deve ter um DNA indecifrável... Mais ou menos como um filho parido.
[ ] Célia.

7 de fevereiro de 2013 14:36  
Anonymous Ronperlim disse...

Escrever é como todas as profissões: é necessário ter vocação. Para mim, escrever é uma profissão (apesar de não viver dela, infelizmente)porque exige dedicação e tempo. Acho que você deveria selecionar aquilo que julgar de melhor nos seus escritos e tentar publicar. A crítica é dualista, mas se a sua escrita é útil nem que seja para uma pessoa; o que importa a crítica?

7 de fevereiro de 2013 15:33  
Blogger CARLA VAZ disse...

Adorei suas estórias também faço meu blog por puro amor e estou muito feliz. Não tem coisa melhor do mundo que fazer o que se gosta. Continue. Abraços

8 de fevereiro de 2013 04:13  
Anonymous Anônimo disse...

Un texto fantástico! Placer leerte, abrazos infinitos.

8 de fevereiro de 2013 10:01  
Blogger Maria Cristina S. Reis disse...

Seus textos são ótimos.Parabéns!

8 de fevereiro de 2013 13:28  
Blogger JAN disse...

Olá Jefh!

Sua profissão é meio... pesada. Escrever é meio que uma catarse, né?
Além disso tem algo que nos eleva...

Abração
Jan

8 de fevereiro de 2013 14:43  
Blogger Lucas Souza disse...

Você tem uma veia poética , cara, que é de arrepiar. Tu escreve muitooo bem mesmo !
Parabéns pelo blog e eu vi que ele é MUITO grande haha
Abç
http://descobrindolivros.blogspot.com.br/2013/02/resenha-legend.html

8 de fevereiro de 2013 14:48  
Blogger Lígia disse...

Também escrevo pelo prazer de escrever. Acho interessante levantar a questão da profissão. Quando me tornei fotógrafa profissional, vivia em uma relação de amor e ódio com a fotografia. Agora que não faço mais fotos em troca de dinheiro, veio a real satisfação. Gostei daqui, visitarei mais vezes seu blog.

9 de fevereiro de 2013 08:59  
Blogger Moninha disse...

Oi Jeferson parabéns pelo blog, obrigado pelo comentário, estou participando do seu curti o meu depois =D, Muito bom esse prazer que você tem em escrever, é marcante tudo que você escreve, parabéns novamente.

9 de fevereiro de 2013 11:32  
Blogger Beatriz Paulistana disse...

Boa tarde querido amigo Jefh!!!
Estava com saudades...
Hoje aproveitei o feriadão para te visitar.
Entendo seu posicionamento quanto a publicação de um livro.
Mas seus textos são dignos de um livro.
Penso que já deve ter ouvido falar no Clube de Autores.
Se não veja a página no Facebook, talvez resolva.
Link: https://www.facebook.com/?ref=tn_tnmn#!/cdautores
Quando der venha me visitar, no menu do meu blog: Pequenos Grandes Pensantes tem meus textos. Também ando escrevendo quando o coração pede para desabafar.
Tenha dias felizes...
Abraços da Bia!!!

9 de fevereiro de 2013 11:54  
Blogger Tati disse...

Jeferson, concordo em tudo com você! Escrever é um ato espontâneo, não tem que se prestar a prazos ou imaginar o que pode ser publicado.
E quando eu penso que Proust foi recusado por editoras em Paris e Drummond teve que pagar a primeira publicação porque não encontrava editora que o fizesse... Tenho até medo de me deparar com esse mercado editorial que parece não entender bulhufas de literatura.
Abraço
Tati

9 de fevereiro de 2013 13:59  
Blogger Aline Cuerci disse...

Adorei seu texto.
Escrever faz bom as vezes é melhor do que falar.
bjos.

9 de fevereiro de 2013 15:36  
Blogger Carla disse...

È isso ai Jefh, escrever sem pretensão é a melhor maneira de passar seu recado, ' ter' que escrever é algo chato, massante e acaba com toda a espontaneidade. Adoro ler o que vc escreve, justamente por isso pela despretensão de querer agradar.
Tdo de bom, paz e bem, sempre...
Carla
http://jeitofelizdeser.blogspot.com.br/

11 de fevereiro de 2013 07:04  
Blogger Isabella Ramos disse...

Confesso que te apoiaria veemente se decidisse publicar um livro. Pelo pouco que li aqui no seu blog, posso com certeza dizer que compraria um exemplar. Mas também confesso que concordo com você, escrever aqui, por prazer e sem muitas responsabilidades deve ser bem melhor.

Ps: Acabou de ganhar uma seguidora no blog!

Dear Bella

14 de fevereiro de 2013 22:05  
Blogger BLOG DA MAGA disse...

Oi Jefh!
Dom é dom, vem de Deus e não podemos ocultar. É aquela parábola do tesouro escondido, onde o dono volta e vê quem multiplicou.
Em contrapartida, existe a dor. Percebo que há sofrimento. Adélia Prado em uma de suas entrevistas diz que ficou com depressão... Particularmente, acredito que escrever é dar a luz, e isto dói...
Dói, porque nos expomos. Dói, porque nos revelamos ao outro, ainda que nem em meio a devaneios.
Escreva sim, sem se preocupar.
De repente,no dia em que nem mesmo vc entenda o que quis dizer,
alguém se identificará. Esquenta não...(digo isto, pq me pareceu apreensivo por isso).
Lembre-se: artista é artista, é excêntrico. Tudo em nome da arte!
Gostaria de deixar uma dica, se me permite. Assista alguns vídeos do programa "imagem da palavra". Busque no youtube. São entrevistados vários escritores, inclusive a Adélia.
Desejo-lhe sucesso, sempre!
Maga

26 de fevereiro de 2013 03:44  
Blogger Jeniffer Monteiro disse...

Jeferson, aqui estou eu lendo e comentando sua infausta corrida. Após dar uma lida em algumas de suas publicações, seu elogio em meu blog tornou-se muito mais válido. Parabéns e obrigada.

Ah... Circus Contraption é maravilhoso, rs. ^^

28 de fevereiro de 2013 07:28  
Blogger Escritos e Leituras disse...

Lindo! E, parabéns pela escrita que tão bem sabe fazê-lo. Obrigada por ir ao meu espaço já tão relegado pelo tempo que me consome em preocupações, que certamente passarão. Abraços

1 de março de 2013 17:18  
Blogger Fernanda Souza disse...

Acho que todos devemos escrever inicialmente por prazer, mas acho que deveria publicar algo. Mesmo que encontre um critico durão, sempre haverá alguém para apreciar o que você escreve.
Sou da opinião que somos tudo o que queremos ser.

Beijos
www.leitoraincomum.com

2 de março de 2013 18:53  
Blogger KEILA CADEIRA disse...

Comecei a ler um pouco o seu blog e já estou gostando muito, você escreve lindamente. Parabéns.

4 de março de 2013 05:16  
Blogger Lulú disse...


Olá Jefh.
Vim agradecer sua visita lá no meu cantinho e de acordo com o convite li O Jogo dos Lenços, gostei e fui lendo mais algumas de suas postagens.
Como falou seu amigo, você deve colocar seus contos em livro. Acho que vai agradar a muitos. São muito bons.
Abraço.
Maria Luiza (Lulú)

4 de março de 2013 07:59  
Blogger Talita Leite disse...

Jeferson, adorei o seu blog e, principalmente, essa postagem! Encontrei muito de minha pessoa nesse texto. Amei!

4 de março de 2013 09:33  
Blogger Isa Gerin disse...

Apesar da frase de Dostoiévski, porque com gênio não se discute, acredito que sua escrita seja algo necessário a ser dividido com outros amantes da leitura. Lindo texto!

10 de março de 2013 19:21  
Blogger Fabio Rocha disse...

Concordo. Abração

28 de junho de 2013 09:57  

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