Amigos

sábado, junho 25, 2011

UM TROCADO PARA UMA LATA DE LEITE CARO

Um homem sentado diante da entrada da empresa onde você trabalha lhe pede um trocado: _Doutor, tem aí algum trocado pra completar pra eu comprar uma lata de leite em pó do caro? Você não está com dinheiro em cédula; possui cartões, mas dinheiro propriamente não. Então você nega: _Desculpe, mas estou sem nenhum dinheiro aqui. O pedinte obviamente duvida. Sua roupa branca é um símbolo do sucesso social; não é possível que um homem que vista branco sob um pomposo jaleco também branco não traga consigo nenhum mísero trocado pro pedinte malfadado. Contudo é a verdade, creia ou não creia quem pede. Mas e se tivesse um trocado e desse ao jovem aparentemente saudável pedinte, não seria o mesmo que patrocinar a condição depreciativa do jovem? Você continua em seu caminho empresa adentro enquanto o pedinte continua em sua tentativa de sensibilizar algum passante. E se fosse um pouco de atenção que aquele homem estivesse pedindo seria menos depreciativa a sua condição? Quantas pessoas não nos pedem por um pouco de atenção todos os dias? O pedinte pede mesmo a todos que passam. Há muito ele perdeu seu orgulho, sua dignidade. Pede com um sorriso sínico preso em sua cara. Talvez tenha vontade de rir de você e de sua pressa, e de sua indumentária alva, e de sua falta de tempo e de trocados. Talvez. Quem sabe? Você sobe às escadas intrigado com o fato. Aquele encontro lhe traz questões as quais você não esperava dedicar suas reflexões naquela hora do dia. Pergunta então a dois amigos se na mesma situação teriam arrancado de algum fundo de carteira um esquecido trocado, caso tivessem, é claro. Os amigos se entreolham. Um propõe uma inversão de papéis e lhe diz se caso fosse você na situação do pedinte, como faria ao precisar de algum dinheiro para completar a soma que paga a lata do leite caro que seu filho faminto chora com dor na barriga por dele ser privado. Você diz que tentaria algo, talvez limpar os vidros de algum carro, engraxar um sapato, varrer alguma calçada, catar latas. O outro amigo concorda e faz sua observação: _Fazer nada é complicado. E você concorda que fazer nada é mesmo complicado. Volta para a sua manhã e agora o próximo pensamento é o almoço. Mas o pedinte segue em sua campanha por trocados. Pede a todos que passam. Isso não chega a lhe vexar a alma. Acostumou-se a pedir. Modelou sua máscara sínica e debochada. Pede em nome do filho latente, agradece em nome de Deus. Isso pra ele não é nenhum sacrifício. Deixou de ser, logo após os primeiros sucessos. Seu orgulho se esvaiu feito fumaça.





Obs. Peço o seu voto para o Prêmio Top Blog 2011, logo abaixo do meu perfil aqui. Obrigado!

domingo, junho 19, 2011

OS ANJOS

Hoje não dáaaaa... Hoje não dáaaaa... Não sei mais o que dizer e nem o que pensar. (Legião Urbana)

Como explicar que depois de muitos anos, sem mais nem menos, acordei ‘Legião Urbana’? Sim. Acordei tão Legião Urbana hoje!


Fazia tanto tempo que não despertava com uma música dos caras na cabeça, nem me lembro quanto tempo faz.


Hoje acordei assim, com uma música na cabeça e o coração comprimido pela mesma. Preciso ouvir muita Legião Urbana pra dar conta do momento. O engraçado é que atravessei um túnel do tempo enquanto dormia da noite passada para este dia com nove horas decorridas. Foi como acordar de um sono profundo de mais de vinte anos e encontrar um computador sobre minha escrivaninha (algo que jamais havia tocado), e um YouTobe em sua tela, uma televisão que eu mesmo poderia programar (algo que jamais havia imaginado).


Talvez tenha sido a juventude dos outros que tenha me causado este despertar. Quando somos jovens, o poder deste estado de ser é tão grande que causa a nítida impressão que aquele é um estado permanente e jamais irá acabar, e talvez seja, e talvez jamais acabe quanto feito realizado e intocável. Naquela fase da vida, os limites não são bem definidos. O futuro é algo proporcional a nossa capacidade de sonhar. Somos tão capazes. E a mesquinhez é coisa dos mais velhos incapazes, um mudo à parte. Não se trata apenas de uma fase utópica, platônica, hormonal, de ímpetos e de furor energético. Não! É muito mais que isso. Nada pode nos deter quando jovens. Somos os cronistas de nosso momento. Tudo é extremado e extremo. Nosso pequeno mundo é o grande mundo que existe. Ainda não nos enfileiramos nas posições do quadro e nas funções da máquina. Mesmo os mais ‘centrados’, aqueles que muito cedo tomam para si as aspirações dos pais, vez ou outra se encontram flertando com a avassaladora liberdade daquele momento. Como fez entender um filósofo, que não me recordo o nome entre os tantos nomes que surgem na tela da televisão, não exatamente com estas palavras: “Os jovens estão no palco da vida, e os adultos devem descer do palco para assisti-los”.


Talvez a explicação mais coerente para o meu ‘sono viajem’ pelo túnel do tempo seja a propriedade efusiva da juventude. Hoje acordei tão Legião Urbana!


Mas hoje não dáaaaa... Hoje não dáaaaa... Vou consertar a minha asa quebrada e descansar.(LegiãoUrbana)


Obs. Peço o seu voto para o meu blog no Prêmio Top Blog 2011. Por favor, vote logo abaixo do meu perfil. Obrigado por seu apoio e atenção! Um grande abraço de blogueiro!

sábado, junho 11, 2011

O DIA DOS NAMORADOS É A NOITE DA VÉSPERA

Comecemos pelo início da história. Fui convidado para um jantar romântico esta noite, sábado, véspera do Dia dos Namorados – por que o que rola mesmo é nesta noite, domingo tem cara de resto, o “Dia dos Namorados”, propriamente dito, é a noite do sábado. Compreende?

Abemos. Acordei tarde, naquele horário que trabalhador fica constrangido em revelar. O comércio! Ah!, o comércio vitalizado... A loja de perfumes é um entra e sai que faz as vendedoras sorrirem com toda sincera felicidade.


Coisa boa é você sair de casa sabendo exatamente o que irá comprar para dar de presente à amada. Sem dúvidas, incertezas, dramas e ou indecisões. Sabe aquele perfume que não para de passar nas propagandas da televisão? Pois é, constatei que ele é mesmo bom demais da conta! Aquela substância invade o olfato macho e acende a libido, dá fome de experimentá-lo na carne querida, deixa um cheiro que você fica querendo misturar ao dela, imaginando como a síntese aromática reagiria na pele macia.


Sabe aquela loja que arrebenta nestas ocasiões? Sim, aquela. Em minha cidade temos apenas uma da franquia. Ela estava realmente lotada. Fiquei vagando entre pessoas, frascos e barras por algum tempo antes que alguém me notasse. Quando a moça veio, já era tarde. Fora o frasco de amostragem, não havia nem amostra grátis. Aquilo foi desolador. Ela quis que eu inalasse o tradicional. Nem de longe era comparável à grande novidade. Inalei apenas para efeito de lamentar. Olhei nos olhos da vendedora; eram grandes, castanhos amendoados. Ela entendeu de imediato que não adiantaria insistir em outra opção qualquer - olhe que faltou pouco para que eu assaltasse a loja e fugisse com o frasco de amostragem; só não o fiz por estar sem minha espada samurai.


Eu disse à vendedora que iria pensar. Pensei. Pesei qual seria a próxima data para presentear com aquele hálito de Afrodite.


Ao sair da loja, lembrei: “Qual será o preço da poção mágica?” Nem sei por que me lembrei disso, acho que é por ser o provedor mesmo nas horas mais românticas.


Continuei descendo a ‘Avenue Dr. Suarès de Oliverrá’. Encontrei um conhecido que só fez reforçar a noção de que minha situação era delicada. Devairson contou que teve problemas na mesma data do ano passado. Ele e Dolores haviam combinado não trocar nada além de juras e abraços, e... Ela apareceu com uma camisa de seda embrulhada em papel celofane, ele com a cara de tacho escrito na testa ‘mancada’.


Enquanto descia a avenida, olhava para as vitrines e portas de lojas e sentia que nada me apetecia à alma além do conteúdo daquele frasco. Cheguei à Praça X de Março tão desolado quanto às árvores tombadas e empilhadas em toras e tocos devido às quedas ocasionadas pelo temporal da quinta passada. Era hora de subir a avenida pela outra margem, digo, calçada. Tinha que decidir por um substituto à altura do frasco para marcar bem o jantar dos namorados.


Entrei em uma joalheria e, a vida é dura, companheiro... Escolhi um relógio que julguei ser belo e delicado. Original e de qualidade: _É de primeira linha e tem um ano de garantia. Disse Riobaldo, o vendedor. Mas francamente, não sou criativo para dar presentes, sou cismado, cismo com algo e outra coisa não me agrada. Aguardarei ansioso pela próxima data, digo, oportunidade. Aquele aroma não me sai da lembrança olfativa!




Peço o seu voto para o meu blog no Top Blog 2011. Por favor, vote no selo logo abaixo do meu perfil aqui. Obrigado!



terça-feira, junho 07, 2011

OS POMBOS DA PRAÇA XV E OS CHINESES DA HONG KONG

Sobre pombos nada sei, ou quase nada. Sei que já quis capturá-los quando criança. Creio que toda criança já imaginou heróicas capturas de pombos. Mas de pombos, propriamente falando, nada sei. Sei que Vinícius certa vez comentou: “Deus sabe que, entre gatos e pombos, eu sou francamente pela primeira espécie”; e ele não disse isso em circunstância qualquer; disse na ocasião em que narrou à desventura dos gatos de Florença que viviam empreendendo botes frustrados sobre os pombos igualmente florentinos.

Contudo, mesmo sem nada saber sobre pombos, tenho que me aventurar neste texto para fazer justiça e registrar o espetáculo que presenciei na Praça XV de Ribeirão Preto. É que os pombos que pululam as frondosas árvores daquela praça seriam aves urbanas bastante comuns, não fosse o fato de serem clientes da Pastelaria Hong Kong III. Sim, são clientes. Aí você dirá que não são, pois não há uma transação comercial estabelecida entre os chineses e os pombos dali. Eu defenderei minha afirmação sob alegação de que muitos clientes são meros acompanhantes dos pagantes, portanto, não desembolsam tostão algum e apenas comem o que outro pagou, assim como fazem os pombos. Concorda?


Bem, ali os chineses fazem uma quantidade absurda de pastéis e os clientes derrubam anualmente toneladas, e toneladas, e mais toneladas (salvo o exagero) de migalhas de massa e pequenos pedaços de carne moída no chão.


Os pombos descem do alto. São intrépidos e precisos. Possuem senso de perigo e ou social, não sei, só sei que não atacam os pastéis enquanto nas mãos dos clientes boquiabertos salivantes. Aguardam com certa impaciência que algum fragmento vá ao solo. Vem um, vêm dois, três, quatro, cinco, seis, sete, já não conto quantos pombos pousam, mas os observo. Não se espantam com as pernas longas que passam rente, no entanto levantam vôo quando o caso é de pequenas pernas curtas e lépidas que se aproximam. Os pombos da Praça XV já conhecem os planos das crianças e são clientes da Hong Kong III. Que fique o registro.


Diz a lenda, mas aí já seria assunto para outra crônica ou conto, quem sabe, que certa vez, ladrões tentavam roubar a Hong Kong III entrando pelo telhado, quanto foram atacados e tiveram seus olhos devorados por um bando de pombos negros. Na ocasião, fora noticiado o fato em todos os jornais da região. Eu mesmo acompanhei com terror o caso dos ladrões que tiveram os olhos arrancados das órbitas.



Obs. Peço o seu apoio em forma de voto para este blog no Top Blog; clique no selo logo abaixo do meu perfil e vote. Obrigado!

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails