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quinta-feira, agosto 26, 2010

A Dominação

Certa vez um homem pequeno recebeu em seu lar um homem de grande porte que teria ido ali para realizar alguns reparos urgentes e inadiáveis na rede elétrica. Recebeu-o pessoalmente à porta de sua residência. Era próxima a hora do almoço. O homem de pouca estatura ali estava excepcionalmente naquele horário e exclusivamente para receber o técnico eletricista.O técnico era um sujeito robusto, muito alto, falante aos brados, possuía um modo expansivo de comunicar-se, ao passo que o dono da casa era um sujeito franzino, baixo, acanhado, muito miúdo, que possuía uma fala discreta, econômica em palavras e expressões, e de volume baixo. Imediatamente ocorreu o inevitável choque de estilos. O homem grande ficou muito à vontade diante o homem pequeno, que, sendo muito retraído, não poderia variar de forma perceptível o seu grau de inibição. Era muito tímido e pronto. O pequeno homem, possivelmente contra gosto, conduziu o grande homem para dentro de seu lar. Passaram por uma passarela ornada de cada lado por longas fileiras de bonsais. O grande homem atravessou o alpendre ouvindo o ladrar de um cão oculto, deixou para trás um receoso olhar de canto de olho na direção do latido. O problema da instalação elétrica apresentou-se justamente dentro das câmaras mais restritas do lar. O chuveiro a ser reparado era o da suíte do casal, e o bocal de luz a ser trocado era justamente o da luz que pendia sobre a cama dos cônjuges. Ao adentrar a sala de visitas era possível avistar os adolescentes filhos do casal, que timidamente retribuíram o sonoro bom dia do grande homem.Mais adiante, ao atravessar outra ante-sala, era possível avistar a pequena mulher que corria com os últimos preparativos para o almoço. Aquela era a esposa do pequeno homem. Ela também fora cumprimentada sonoramente pelo grande homem e respondera de modo tão tímido como permitia o padrão de comunicação vigente na casa. Porém, antes de dirigir a palavra ao “intruso”, ela furtivamente conferiu o olhar inspetor do marido, e somente depois desta ação foi que retribuiu ao cumprimento.O grande homem, ao adentrar o quarto, ia observando tudo com olhos grandes e indiscretos, cheios de deliberada curiosidade. Foi possível ao grande homem perceber que eram dois os Kinguios no aquário sobre a cômoda e ainda avistar uma ponta do espelho que teimava em aparecer por de trás das inúmeras almofadas, propositalmente depositadas para ocultá-lo na cabeceira da cama do casal. Os acessórios do banheiro igualmente atraíram o olhar curioso do grande homem. Realizados os reparos, o pequeno homem, que não se afastara por minuto algum do técnico eletricista, o conduziu pelo caminho de retorno até o alpendre. Imediatamente ao pisar no alpendre eis que surge o emissor dos latidos ocultos. Rapidamente o cão partiu para cima do intruso e neste momento o pequeno homem sorriu, riu e gargalhou enquanto dizia para o interior da casa: _Ele está assustado! Ele está com medo, né! O cão não era pequeno. Não estava enquadrado dentro dos padrões de porte da casa. “Bom cachorrinho!” Deve ter pensado o pequeno homem ao ver seu Akita com ares de fera investir intimidando o “intruso”. Descobriu o ponto fraco do grande homem, que teve por reação apenas encolher-se covardemente diante da ameaçadora criatura peluda. Era como se o cão tivesse farejado a fraqueza daquele Golias. O pequeno homem ria e não bronqueava com os filhos, que pareciam ser propositalmente incompetentes na tarefa de conter o animal. Os filhos participavam do regozijo do pai, e riam tanto quanto ou mais. A mulher, recostada na porta que dava para o alpendre, também ria de modo mais discreto da situação. Aquele parecia um espetáculo ao qual a família já estivesse acostumada. Os meninos contiveram o animal. Contudo não o recolheram. Apenas o seguravam por sobre as escápulas enquanto o afagavam no pescoço e palpavam afetuosamente as suas orelhas. Ali mesmo o pequeno homem pediu a conta pelo serviço e, sobre o olhar ameaçador do cão o grande homem tomou e colocou seu pagamento no bolso. Ainda houve duas ocasiões para que os meninos deixassem “acidentalmente” o cão escapar e ir para cima do grande homem. Foi rindo muito que o pequeno homem fechou o portão e despediu-se do técnico eletricista enquanto repetia para o interior da casa: _Ele tem medo, né. Ele tem medo de cachorro, né.
*
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quinta-feira, agosto 19, 2010

Aldruvandus Tem Um Blog & Um Fuscão

Aldruvandus fez um ótimo passeio com sua família em Franca, naquele domingo Dia dos Pais. Voltando para sua cidade, Guará, lamentava apenas o fato de não ter feito fotos para o blog – para quem não sabe: blogs causam dependência - no entanto, histórias e impressões certamente haveria para compor uma agradável postagem sobre aquela data feliz. O por do sol era mesmo digno de registro. A paisagem ressecada contribuía com as cores e tonalidades do inverno rigorosamente seco daquele ano, algo muito diferente do verdejar ao qual estavam tão acostumadas durante o resto do ano as pessoas que viviam ali, na região Nordeste do Estado de São Paulo. Ele havia percorrido alguns quilômetros do caminho de volta para casa, admirando a paisagem ressequida, quando avistou alguns pequenos focos de incêndio. Pediu imediatamente a câmera para sua esposa. Reduziu a velocidade do veículo e estacionou no acostamento. Era aquela a oportunidade ideal para captar algumas imagens para certo conto que aguardava em um fundo de gaveta por sua conclusão.
Ao todo somavam três os focos de incêndio. O homem desceu do carro sob o olhar conformado e sem espanto da família – as famílias aprendem que estas coisas não têm mesmo jeito – atravessou a pista, certificou-se que a distância seria segura, enquadrou, clicou e conferiu o resultado. Não se agradou. Da estrada a visão era mais grandiosa, chamativa. Ali, junto à beira do barranco, o incêndio fora reduzido a três fogueirazinhas de nada. Aldruvandus deu mais alguns passos em direção as chamas. Tinha esperança de conseguir melhor imagem. Clicou novamente, porém o resultado não foi melhor que o anterior. Desistiu. Aceitou que ali não haveria como produzir uma foto com as dimensões catastróficas que desejava conferir ao seu conto inacabado “O Cobrador”. Até aí tudo bem. Quase nada demais. Contudo, se o caso fosse roteiro de filme americano, esse seria o exato momento para começar aquela trilha sonora tensa, nervosa, agitada conforme aquela indústria cinematográfica tanto gosta, produz e jamais enjoa.
O elemento surpresa nada mais foi senão um sujeito, saído por de trás da tímida nuvem de fumaça, a gritar na direção de Aldruvandus, que, caminhando lentamente de volta para o carro, examinava decepcionado as duas imagens captadas por sua câmera digital amadora. O homem acenava agitado e gritava histericamente: _Ehii! Ehii! Ehii! Onde é que você vai com essa câmera? Pode parar aí! Não vai levar fotos da minha propriedade não ô! E apressado o sujeito transpassou a cerca que separava a propriedade do acostamento para a pista em um só movimento. O blogueiro continuou andando à passo lento, como se não fossem endereçados à ele os gritos. Pensou rápido: “Problema. Esse cara não vai acreditar que são apenas inocentes fotos para um conto em um blog amador. Corro para o carro e saio em disparada, ou fico e espero para ver o que acontece?” Era possível que houvesse tempo para uma fuga de Aldruvandus e sua família. Teriam que partir em disparada, mas o sujeito poderia estar armado e alvejar o carro, e a família do blogueiro estaria sob risco - meu Deus! Quão calmo é esse blogueiro! Chega a ser irritante sua calma.Aldruvandus ponderou que o objeto captado não merecia tamanha cena e risco. Afinal eram fotos bem fracas, portanto indignas do trabalho da construção de seu conto. Quanto ao proprietário suposto incendiário, este exibia a energia e o desespero propício para as batalhas mais irracionais. O blogueiro já havia presenciado pessoas lutando pela própria vida e, poderia afirmar, não era diferente o desespero daquele sujeito. Para ele uma eventual multa seria algo assombroso - multas podem mesmo causar reações exacerbadas em qualquer pessoa. O suposto incendiário aproximou-se. Era visível o seu descontrole. Tinha o olhar vidrado, a boca salivante, as mãos agitadas. Imperativo determinou à Aldruvandus: _Você vai deletar essas fotos agora! Ao ouvir a palavra deletar Aldruvandus sentiu percorrer-lhe o corpo uma sensação de grande alívio. Intuiu imediatamente que seria possível estabelecer um dialogou cordial, uma vez que o sujeito apresentara o mínimo traço de civilidade. Então o blogueiro disse calmamente: _Acalme-se, acalme-se, amigo. Não farei nada com essas fotos. São apenas para o meu blog, escrevo contos, histórias, nada jornalístico, fique calmo, amigo. Mas o homem não queria conversa, não queria ouvir explicação alguma, insistiu tenazmente em seu propósito de ver deletadas as tais fotos. O blogueiro de modo algum se opôs. Disse que o faria sem problemas. Naquele momento temia que o sujeito descontrolado tentasse apanhar a câmera, nela estavam fotos lindas de outros passeios, além de se tratar de um objeto de alta estima familiar - Aldruvandus era da geração analógica. Imaginem o que significava a sua primeira câmera digital. Bem, o proprietário supostamente incendiário era mesmo civilizado, só estava em um momento atribulado de grande turvação mental. Acompanhou atento toda a operação de eliminação das fotos. Pediu para ver as outras imagens imediatas anteriores e posteriores. Tudo conforme, ficou um pouco mais calmo. O sujeito entendia de câmeras digitais domésticas. Era o proprietário do local. Fazendeiro, certamente dispunha de uma câmera mais sofisticada que o modesto modelo de Aldruvandus. Ainda nervoso, porém mais contido, o fazendeiro deu sinais de constrangimento mediante a calma do blogueiro, que engatou uma explicação do uso que faria daquelas fotos, caso as tivesse levado. O fazendeiro por sua vez começou a explicar das razões do incêndio fotografado pelo blogueiro. Parecia ainda temer ser incriminado de algum modo. Então, Aldruvandus fez o que achou ser o mais correto. Perguntou se o homem tinha uma caneta. O fazendeiro ficou um tanto perplexo com a pergunta que lhe pareceu despropositada. Disse que não tinha uma caneta. Aldruvandus caminhou até o carro, abriu a porta e pediu caneta e papel a sua esposa, que o olhava levemente apreensiva. Em posse dos objetos, Aldruvandus caminhou até a traseira do carro e, apoiado sobre a tampa do porta malas, fez uma anotação no papel, em seguida estendeu ao fazendeiro que o observava com curiosidade: _Tome. Quando tiver um tempo vá e dê uma olhada. Aí está o endereço do meu blog. Verá que não há motivo para que fique preocupado. O sujeito apanhou o papel, guardou-o no bolso, explicou mais um pouco. Ainda não estava totalmente calmo, mas agora era visível que estava desconcertado. Não pediu desculpas – e analisando o relato supracitado é possível notar que não havia mesmo clima para tal. Por fim, o fazendeiro defendeu uma imagem de sua propriedade - Eu pergunto: defendeu o direito de imagem?
Aldruvandus não se sentiu lesado em absolutamente nada. Criou uma situação delicada, desvencilhou-se da mesma sem maiores danos ou traumas. Em seu íntimo, sabia que melhor que aquelas fotos fracas seria o texto da postagem ocasionada - Quem tem blog sabe, o blog muda as coisas, cria situações inusitadas.

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ObsIII. Mudei o título da postagem no segundo dia. Eu estava indeciso entre este de agora e o original. A postagem é longa, o nome não convidava e o fuscão foi só uma jogada de marketing [sorrio].

quinta-feira, agosto 12, 2010

O Amor É O Dom Supremo

Sobre o amor, de tudo que se diga, ainda resta tudo a aprender. Muitas pessoas compartilharam suas experiências, expuseram seu ponto de vista, falaram livremente e com “paixão” sobre o tema. (sorrio). Foi lindo! Sinto-me como se “Monte Castelo” da Legião Urbana estivesse dentro de mim agora. Tirei algumas conclusões até, mas a que mais me impele a falar é a que distingue amor e paixão. Estar apaixonado definitivamente não significa estar amando. São coisas que podem caminhar juntas sim, contudo são entidades distintas. Estar apaixonado não é bom, é ótimo, maravilhoso. Mas o amor é o dom supremo. E agora eu deixo de falar do amor entre casais, do qual tanto falei, e *passo a mostrar-vos um caminho sobremodo excelente. Misturo gotas de minhas palavras ao rio que transbordou de Paulo: Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o metal que bate e retine. E nada que eu faça se aproveitará de fato. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência do mundo; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso terá valor verdadeiro. O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não é orgulhoso e não humilha ninguém, não se conduz inconvenientemente, não é egoísta, não se revolta, não deseja mal. Não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos, mas quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte... ah! será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino. Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor. E tudo que eu possa dizer sobre o amor, nada é comparável a este texto que Paulo escreveu à igreja de Corinto. Usei esta carta, pois não houve uma única vez que eu a lesse e não me sentisse tocado. I Coríntios 13 é isso, meus amigos; é o amor supremo. A partir do asterisco começo a expor o texto do apóstolo Paulo, permeado por pequenas adaptações que tomei a liberdade de fazer como modo de tecer a minha composição do texto. Espero que não se desagrade o leitor.

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quinta-feira, agosto 05, 2010

Os Namorados

Direi sobre o que vi e não inventarei nada. São quatorze anos dessa minha jornada como fisioterapeuta. Aprendo muito com todos. A minha profissão oferece isso. Você entra nas casas das pessoas, toma café em suas xícaras, água em seus copos, aplica as técnicas físicas, e ouve os seus desabafos.
A doença do homem era grave, muito grave. Era um casal tão bonito aquele! Ele um jovem senhor, ela uma jovem senhora. Filhos em idade pré-universitária, fortes, belos e saudáveis. Ele sempre trabalhou com afinco para oferecer os tais confortos de classe média à sua família. Ela sempre o apoiou e deu suporte para que ele pudesse trabalhar sem preocupar-se com as coisas dos meninos, da casa... Um dia uma dor. Outro dia a mesma dor. Um dia uma consulta, uma batelada de exames, um suspense mórbido que pairava no ar. Dias seguintes, um encaminhamento para um centro especializado em oncologia. Oh, que palavra triste essa! Nada mais seria como fora até então.
Vejamos agora o amor de verdade dar mais um passo para além das delícias da alcova, onde este já habitava, porém sem ser provado, testado. O jovem casal cultuava o vigor de outros dias e orgulhavam-se da beleza física que resistia ao tempo, nas coxas rijas, por academia, da jovem senhora, no manequim esbelto do jovem senhor, que vivia às voltas com os cuidados da alimentação, longas caminhadas e alongamentos. Tinham ciúmes um do outro. Ainda brigavam por questões do namoro que haviam iniciado vinte anos atrás, e até por questiúnculas que surgissem naqueles dias atuais, mesmo quando dentro do hospital. A coisa foi mudando de tanto em tanto; -e quando as coisas tomam este rumo inesperado aí é que vem a tal hora de provar se se ama de verdade ou apenas de aparência. Não que estas coisas não possam coexistir, reafirmo e deixo claro que sei que elas muitas vezes coexistem harmoniosamente, mas é que nem sempre elas estão presentes na proporção do amor de verdade, e é aí que mora a confusão do desejo físico para com o amor da alma. Coisas distintas. Verdade irrefutável.
O homem gritava de dor. O tumor era inoperável. De dia e de noite um monstruoso sofrimento intermitente arrastava aqueles dois a beira do precipício da insanidade. Ninguém dormia, a esperança murchava, o estresse se agigantava, e não havia como fazer o tal amor penetrante. Mas era justamente aí que eles praticavam o verdadeiro amor penetrante perfuro cortante do espírito, da alma. Na cama estreita de hospital, por mais de uma vez, eu os surpreendi com a bela senhora empoleirada ao lado de seu guerreiro gravemente ferido. Ela chorava quando não estavam próximos. Jamais chorava diante dele. Ele falava dela quando ela não estava presente. O nome dela era o que mais se ouvia na boca dele, tudo era motivo para pronunciá-lo, parecia trecho de uma das mais belas canções já cantadas. Um dia presenciei uma briga inusitada. O homem estava confinado ao leito por sua moléstia grave, mas estava, mesmo assim, furioso. Teve um desentendimento o casal. Ele a fez chorar. Era coisa de ciúmes, de vontade frustrada de serem novamente namorados amantes. Foi o que deu para captar no ar. Mas para o homem a coisa era seriíssima, mais séria que a própria doença; podem acreditar. Ele disse: _Chame Fulano, chame Cicrano, eu e ela vamos nos se-pa-rar. O homem falou tão serio que os anciãos da família, aflitos, já imaginavam o juiz de paz entrando ali no quarto do hospital para tentar conciliar o casal, e imaginavam também os advogados das partes em longas reuniões na sala de espera do hospital. Ficaram uns dois ou três dias naquela guerra encarniçada. Mas fizeram as pazes; sem namoro, sem umidade ou ereções fizeram as pazes. Foram felizes na alegria, e infelizes na dor, unidos na saúde e na doença, e relativamente separados pela "senhora" quando chegou o momento. Amor de verdade é mais que um culto às carnes, aos fluidos, a libido, aos desejos. Os românticos que me perdoem se fui ácido. Eu avisei na postagem anterior que poderia acontecer de eu ser. Mas só posso falar do que vejo. E é nessas horas de ferro e fogo que se prova se se possui um amor de verdade pelo outro. Paixão é muito bom, mas não é amor.

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ObsIII.Amigos, a Dóris nos enviou nos comentários um relato muito lindo que muito me emocionou. Indico que leiam todos os comentários, mas em especial este que a Dóris muito atenciosamente postou aqui. Abraço! Obrigado Dóris!

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