Amigos

segunda-feira, junho 28, 2010

Afrânio Feelings

Dois sujeitos foram ao hospital para visitar um conhecido de ambos, porém ambos eram estranhos entre si. Coincidentemente chegaram ao local quase ao mesmo tempo. Tiveram que aguardar o amigo enfermo em uma ante-sala contigua ao quarto. O paciente havia sido encaminhado para um procedimento que ocorreria em outra dependência do hospital. Os amigos foram aconselhados pela enfermeira a aguardar ali, diante do aparelho televisor, pois, segundo a enfermeira, o procedimento não levaria mais que um minutinho – e minutinho dentro de hospital, sabe como é; é teoria da relatividade pura e simples, aplicada na prática, e sem anestésico.
O televisor permaneceu ligado, e em dias de Copa a programação é inteira voltada para o assunto; tem jogador aposentado indo cobrar pênaltis em matinais de variedades, tem jogador ex-selecionado indo dar entrevistas para quem nunca viu bola, tem jogador que jamais foi convocado posando de autoridade sobre o assunto seleção, tem jogador que não foi convocado deprimido, fingindo não estar magoado... Os ex-atletas são distribuídos nas emissoras por grau de prestigio. Quanto mais nome possuir o ‘craque’ quanto maior será a audiência que ele proporcionará à emissora; emissora pequena/pequeno ‘craque’, ou grande craque que anda desprestigiado; e por aí vai. Nesta ocasião da qual falo, por infelicidade de ambos, o televisor ficou sintonizado em uma modesta emissora de pouca audiência; e o resultado foi batata: entrevista com o ‘craque’ Lero Lero no “Cozinhando a Bola”. Detalhe: Lero Lero jamais vestiu sequer uma camisa original da Seleção Brasileira, mas estava lá e era a grande atração do programa. O ‘craque’, instigado e em seguida interrompido pela falante apresentadora, tentava enaltecer a uns poucos, tentava criticar outros tantos, tentava emplacar um discurso pseudo-ético...

Os amigos do paciente ausente, impacientes, não encontravam conversa que fluísse, enquanto na televisão a apresentadora não dava a menor deixa para que Lero Lero emplacasse qualquer assunto. Ambos, ali, diante do televisor, vez ou outra olhavam para o belo quadro do pescador na parede. Em dado momento, numa tentativa de um dos amigos em levar a espera para além do Lero Lero, arriscou um comentário sobre o amigo doente, mas a conversação não engatou; não sabiam nada sobre a doença do homem, voltaram ao tempo em que o conheceram, viram que não o conheciam o suficiente para torná-lo assunto, sabiam o nome do doente, sabiam de seu pomposo cargo na empresa, e era só. Depois, um dos amigos tentou algo sobre o tempo - mas o que há para se falar sobre o tempo que preencha um médio espaço de tempo? _Será que chove? _Tem feito frio. _Você viu o desabamento? _Você viu a enchente? _Você viu São Paulo? _Você viu o Rio? _Você viu... E depois desse assunto que leva de nenhum lugar a lugar nenhum, tome Lero Lero sendo induzido a meter o pau no pobre Dunga.
Longa pausa. Silêncio entre os homens na ante-sala. A apresentadora do programa ia construindo e destruindo teses e teorias estapafúrdias da bola sobre a cabeça do Lero Lero e, finalmente, eis que chega o tão aguardado e salvador doente. _Seu Afrânio! Saudou o que parecia mais interessado no Lero Lero e mais emprenhado em arranjar assunto a todo custo. Já o outro amigo, mais comedido, limitou-se a um econômico, Olá, Seu Afrânio!Seu Afrânio vinha em uma cadeira de rodas conduzida por uma bela e sorridente moça de branco e não fez questão alguma de retribuir o cumprimento de modo afável, apenas disse secamente: _Bom dia senhores! E seguiu falando delicadamente com a jovem enfermeira: _Moça, feixe a janela para mim, é que hoje não estou suportando a claridade. A moça atendeu, e o mais ‘comunicativo’ dos amigos apressou-se em inteirar o enfermo para a questão do Lero Lero. _E aí Seu Afrânio, o senhor acha que o Brasil desta vez vai ser hexa? Seu Afrânio enquanto se transferia da cadeira de rodas para a cama com a ajuda da moça e do outro amigo, que se apressou em tomar o braço do paciente para auxiliá-lo na escalada ao leito, respondeu: _Meu filho, como é que eu, que não sou cartomante, não sou profeta, não sou adivinho, não sou charlatão, não sou vidente, não sei dos patrocínios do mundo da bola, e não gosto de futebol, posso saber uma coisa dessas? Vai ser campeão aquele que vencer mais, oras! E voltando-se para enfermeira disse: _Mocinha, por favor, vê se desliga essa televisão, por que essa coisa de futebol, essa tolice de gente sem assunto e desocupada, já me aborreceu demais durante as quatro horas de hemodiálise de ontem.

O amigo ficou um tanto constrangido, tentou disfarçar com um sorriso amarelo e, não contente com o encerramento do assunto de bola, virou-se para o outro amigo do doente e perguntou: _E você, o que acha, acha que o Brasil trás o hexa? Contudo, perdeu boa oportunidade para ficar calado. A resposta estava pronta desde a hora em que concordaram em esperar o tal minutinho de hospital: _Eu não sou chegado nesse negócio de futebol. Disse o outro amigo do doente.
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Obs.II O nome da postagem foi alterado após o irresistível comentário da Lilian.

E o meu palpite é: Brasil 2X0 Chile

Continuo otimista em meus palpites, mesmo diante do pouco futebol apresentado na primeira fase. Nós, brasileiros, a exemplo da última Copa, estamos esperando a Seleção desencantar e apresentar um futebol mais consistente. Tradição nós temos, atletas valorizados no mundo, também, técnico, bem, o Dunga, apesar de ter deixado um monte de jogadores melhores do que os que lá estão (Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Hernanes, André Santos, Ganso e Neymar) parece conseguir que os atletas se empenhem em um propósito comum e, isso já é alguma coisa. Conjunto também ganha título.
Pois que venham os conterrâneos de Neruda!
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domingo, junho 27, 2010

Eu e a Laranja Mecânica (Copa de 1974)

Há quem ame futebol, há quem o odeie, há quem goste, há quem não goste, e há quem goste de futebol apenas durante a Copa do Mundo e depois critique pelo resto do tempo o culto à bola.
Eu sou o resultado de um hibridismo entre pessoas que muito gostavam de futebol e pessoas que nada gostavam de futebol. As pessoas que muito gostavam de futebol eu fui conhecer durante a Copa de 82, até ali eu só conhecia pessoas indiferentes ao esporte bretão. Tornei-me um apaixonado por futebol pela maneira mais natural que existe, fui seduzido pelo esporte.
Eu nasci em 74, ano de Copa, Copa da Alemanha Ocidental, pois havia duas Alemanhas naquela ocasião. Aquela Copa ficaria mais conhecida, veja bem, pela seleção que não foi campeã, a da Holanda/Laranja Mecânica, do que pela que foi campeã, a anfitriã Alemanha. Não me recordo de nada daquela ocasião, pois seria mesmo impossível que eu me recordasse, eu era ainda um bebê de colo com poucos meses de vida, só sabia mamar, dormir, defecar e quem sabe, ‘quem sabe’, fazer algum balbucio mais engraçadinho.

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sábado, junho 26, 2010

Oitavas de Final - Presas e Leões

Num primeiro momento tudo é lindo, uma grande festa com direito a 32 ilustres convidados. Trata-se de uma celebração do esporte, uma campanha de sedução das nações onde o futebol é praticado; seja como esporte principal, secundário, terciário...
A ambição de determinada equipe pode ser bem modesta. Afinal, todos terão o direito de se exibir por 3 vezes, e até um humilde gol que marquem, um único gol marcado, pode ser motivo de orgulho para os atletas e até para a nação que não esperava nada na verdade.
O sonho e ambição de grande parte das equipes é algo muito íntimo, porém presumível. As grandes potências do esporte possuem por obrigação avançar para a fase seguinte, a que sucede à fase de grupos, e as equipes mais modestas só avançam por obra da realização de um sonho secreto, são como cavalos azarões, zebras, surpresas.
Bem, hoje tem inicio as oitavas de final, - a meu ver é agora que começa a verdadeira copa do mundo; agora é que as presas se defrontam com seus leões - são 16 equipes tendo a obrigação de vencer para permanecer, para avançar, para alimentar as mais variadas ambições. Alguns alegres convidados da fase festiva acabaram se misturando ao pelotão de elite e agora desfrutam o gozo de participar um pouco mais do grande espetáculo mundial do futebol, e alguns ilustres convidados tiveram que retornar envergonhados para as suas casas após fracassarem em seus objetivos mais primários.
Que se abram os portões, que soem as vuvuzelas, que comece a carnificina moral! Pois, a irracionalidade esportiva estará à solta quando ‘matar ou morrer’ é a palavra de ordem vigente.
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Obs. Foto do globoesporte.com
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quinta-feira, junho 24, 2010

E o meu palpite é: Brasil 2X0 Portugal


Digo pouco ou quase nada sobre este jogo de amanhã. Há em mim um ar lusitano, um avô materno vindo da Terra de Portugal. Há em mim uma admiração declarada por nossa origem européia, por Camões, por Pessoa, e agora, durante a Historia Do Cerco De Lisboa, por Saramago. Há em mim uma grande simpatia por esta esquadra do presente, por estes navegadores dos tempos passados. Negar meu carinho por Portugal seria o mesmo que negar parte fundamental de minha origem. Não negarei. Digo que torço pela seleção de meu país, pois sou este daqui, mas se acaso empatar não ficarei triste. Torcerei pelo bom jogo. Deixo aqui o meu abraço e desejo de bons caminhos para a Seleção Portuguesa; e quem sabe, não vejamos uma belíssima final em verde&verde, amarelo, vermelho, azul e branco!
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domingo, junho 20, 2010

José Saramago

Um dia para nascer, um dia para morrer e, entre um dia e outro, a vida. A morte do grande escritor da Língua Portuguesa José Saramago me levou a uma reflexão muito íntima, a qual eu decidi compartilhar com o amigo leitor.

Sou muito simples, ao que nunca fiz segredo, e nem mesmo que eu quisesse seria possível, pois simplicidade é coisa que vai adiante do sujeito, o precede - cá entre nós, gente se fazendo de erudita quando possui poucas letras é uma das coisas mais esquisitas que existe; é o mesmo que assumir o papel de ridículo e anunciar o espetáculo bisonho.

Não conheço Saramago mais do que quem apenas assiste à televisão. Gosto da programação da TV Cultura, assisto sempre ao Entrelinhas, a alguns documentários e, foi assim que conheci sobre Saramago; de ouvir falar, mas não de ler.

Em certa ocasião, eu iniciei uma coleção de livros de autores premiados. Dentre estes livros veio um Gabriel Garcia Marques, veio um Vladimir Nabokov, veio também um Ernest Hemingway, e veio um José Saramago. Destes, apenas o Saramago eu não li. Mas calma que eu explico: Não o li por uma razão simples; muito simples. Eu disse no início deste texto que eu sou um homem muito simples; pois sou, e não é por modéstia que digo. Há apenas dois anos que comecei a publicar os meus textos. Sou Fisioterapeuta, portanto, habituado a leituras técnicas relacionadas à área da saúde (e, diga-se, alguns textos dessa área são primorosos, para não faltar com a justiça). Mas após a primeira publicação, passei a me preocupar em aprimorar a minha modesta escrita através de leitura de textos primorosos, estilizados, vigorosos, clássicos... e, o Saramago pareceu-me escrever tudo errado, o que poderia me influenciar mal. (agora sorrio, pois estou brincando é claro; queria apenas causar um efeito no leitor).

Não é que o José Saramago escrevesse errado. Na verdade, ele não respeitou as normas ortográficas clássicas; ás vezes dispensou alguns pontos e parágrafos, prolongou os períodos, deu folga às interrogações – ai de mim sem as interrogações, caro leitor! Bem, e por achar-me despreparado para tal leitura, eu adiei. Li a tantos outros autores, e nosso patrício ficou guardado em bom lugar.

Tive comichões para assistir ao ‘Ensaio Sobre A Cegueira’, filme dirigido por nosso querido Fernando Meirelles e que é baseado no livro de Saramago, mas me contive. Guardei a minha primeira impressão sobre o autor para uma futura leitura, e mesmo sem jamais o ter lido, sempre o admirei. Saber de particularidades de sua história foi o motivo de minha admiração. Ele foi autodidata, e isso é algo que me comove muito. Saber que ele era neto e filho de analfabetos, saber que ele só possuía o curso técnico, era mecânico, e ainda assim chegou à honra máxima da literatura atual, conquistando um Nobel de Literatura; tudo isso me alimenta a alma, revigora e amplia a minha capacidade de sonhar. E ainda não mencionei o fato de ele ser português, bem como o meu saudoso avô Ernesto, o Sossego do Bairro Sumaré, em São Paulo.

Mas veja amigo leitor, que, eu, que sou cristão, não sou apto a falar de José Saramago, o escritor que partiu para a eternidade mesmo sendo ateu e comunista. Mas me darei o desfrute de ler a História Do Cerco De Lisboa, e quem sabe assim eu consiga produzir uma crônica sobre o grande escritor que nos deixou aos 87 anos, na última sexta feira, 18 de Junho.

Obs. Solicito o voto dos amigos para o meu blog no Top Blog. Grato.

E o meu palpite é: Brasil 3X1 Costa do Marfim

Continuo otimista para com a Seleção do Dunga. Não espero grandes apresentações, espetáculos. Afinal, este é o time que prima pelo pragmatismo - que segundo o Prof. Aurélio significa: Doutrina segundo a qual as ideias são instrumentos de ação que só valem se produzem efeitos práticos.
O proprio Dunga, quando jogador, sempre foi um sujeito pragmático. Ou seja, objetivo, direto e eficiente.
O Parreira em 94 nos deu um título conquistado a custo de muito pragmatismo e do Romário. É, desta vez não temos um Romário. Temos apenas a praga dos pragmáticos. (sorrio).
Torçamos. Torçamos então. E que vença o melhor, e que seja este o Brasil, é claro.
Logo após o jogo: Os amigos do blog vieram novamente e acertamos. Em campo os jogadores tiveram espírito e superaram as suas limitações; honraram a tradição da camisa canarinho. Brasileirada feliz em toda parte. Ouço as buzinas e o foguetório. Ora pois, que venha Portugal!

quarta-feira, junho 16, 2010

Havia um cheiro de chulé no ar

Na repartição, no dia que seguiu ao dia do jogo do Brasil contra a Coreia do Norte, a partida fora o assunto das primeiras horas daquela manhã, e seria também o assunto da manhã inteira, e da tarde toda, porém, pairava um cheiro de chulé no ar. Todos sentiram o cheiro de chulé, mas nenhum colaborador da repartição ficou à vontade para comentar o odor; era muito cedo e quase ninguém queria indispor-se com algum colega e criar assim um clima desagradável para iniciar o dia pós vitória – afinal, ainda que magra, vitória é vitoria e, o assunto era mesmo o jogo da véspera.
Muitos disseram por de trás de suas mesas, nos corredores, ao lado do balcão da copa, que a seleção esteve muito fraca, que o Kaká esteve uma caca, e que o Ganso fez muita falta, bem como o Gaúcho e o Neymar, e o Hernandes... Poucos tiveram coragem de defender os comandados de Dunga. As mulheres, certamente sob a influência de maridos e namorados pessimistas, eram unânimes em dizer: _Não passa da primeira fase. E num segundo comentário, já não plenamente influenciadas pelo macho contaminante, diziam: _Tadinho do Kaká, ele está machucado, não jogou nada coitado!
Mas o cheiro de chulé pairava sobre as cabeças e todos sentiam, mas não comentavam o odor desagradável. Até que, uma moça, a mocinha estagiária, desconfiada de seu colega estagiário, decidiu romper com pacto de silêncio, e aproveitando-se da entrada do nariz fresco da copeira perguntou: _Dona Euclésia, a senhora está sentindo um cheiro estranho? Dona Euclésia sorriu, era sempre muito simpática a senhora, e colocou um fim no mistério que incomodava a todos e, apenas a estagiária havia ido à fundo na investigação: _Sim, Clarice. Está um cheiro esquisito. A estagiária, olhando para o colega estagiário, apelidado de Nanico pelos rapazes da repartição, exclamou: _Está um cheiro de chulé, não está, Dona Euclésia? Dona Euclésia sorriu novamente e explicou: _Não é isso não. É que ontem, o Senhor Asdrúbal não dispensou o pessoal da tarde, então, eles decidiram trazer um televisor e assistir ao jogo aqui mesmo na repartição, e o Paquito arrebentou pipoca de queijo e, é isso que está cheirando, o resto da pipoca que foi para o lixo, mas já vou recolher este saco.
Clarice, com as mãos na cintura e ainda com o olhar fixo sobre Nanico, fez um sinal de concordância com a cabeça e voltando os olhos para uma impressora, nada disse pelo resto da manhã. Clarice nunca foi fã de futebol, nem mesmo em época de Copa do Mundo.

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Obs.II Paulo Henrique Ganso torce pela Seleção Brasileira na foto do globoesporte.com

terça-feira, junho 15, 2010

Meu palpite falhou, mas a Ester acertou

O meu palpite falhou, mas isso não é importante. O Brasil venceu a Coreia do Norte por 2x1. Palpitei no intuito de brincar com os meus amigos do blog. De certa forma assistimos juntos à partida, e a seleção do meu país venceu e, isso sim é relativamente importante. Aqui em casa, todos ficamos felizes ao terminar a partida, exceto os nossos convidados, um casal de vizinhos norte coreanos, o Kim e a Sun. Eles possuem uma confecção e já estão no Brasil há 15 anos. Kim chorou juntamente com o atacante Tae-Se Jong durante a execução do hino nacional coreano. Ele comentou que é difícil pertencer a um povo dividido em duas nações. Declamou a sua paixão pela República Democrática Popular de Coréia, ou simplesmente Coréia do Norte; Sun, sua esposa, dizia que “Os Chollima”, apelido da seleção de seu país, certamente não venceriam, mas tampouco sairiam de cabeça baixa, pois “Os Chollima” são uma seleção apegada à honra, ela afirmou. Eu quis saber o que significava Chollima. Kim orgulhosamente explicou em seu português precário, não com a exatidão das palavras que seguem é claro: _Chollima, caro Jefh, é uma referência ao cavalo alado mitológico de nossa cultura, caracterizado por ser muito rápido para ser montado. Non!?
*
O jogo terminou, mas a amizade continua a mesma. A Ester (http://manifesto-interno.blogspot.com/) acertou, está registrado nos comentários da postagem anterior e, no próximo jogo eu certamente acertarei em meu palpite. (sorrio).

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E o meu palpite é Brasil 4, Coréia do Norte 0 (15hs e13min)

Está chegando a hora, não consigo pensar em outra coisa; é o Brasil de chuteiras, é o Brasil torcedor que me toma por completo. Um senhor chamado Pacheco disse-me a respeito dos jogos da seleção brasileira: _Ganhando ou perdendo a gente não ganha nada mesmo. E eu respondi: _Ganhamos. Ganhamos emoção e assunto e, muito assunto. São 15:13 e o meu palpite é Brasil 4x0 sobre a Coreia do Norte.

segunda-feira, junho 14, 2010

Há quem não goste de futebol

Nem todo mundo gosta de futebol
Eu gosto de futebol. Confesso; futebol é uma paixão que possuo. Tudo começou em 82, justamente durante uma Copa do Mundo, a Copa da Espanha, de Paulo Rossi, de Zico, Falcão, Sócrates, lágrimas, lamentações. Mas devo lembrar que nem todo mundo gosta de Copa ou mesmo de futebol.
Dona Genoveva, ao terminar tarde de servir o café para a sua irmã deficiente, Dona Flor, pediu para que o enfermeiro Ambrósio a posicionasse na sala, na poltrona reclinável, de frente para a televisão. Ambrósio apressou-se em cumprir a ordem, era a sua chance de espiar como andavam as coisas entre Dinamarca e Holanda que jogavam naquele horário. Dona Genoveva, assim que viu a irmã bem acomodada, disse: vamos ver o que está passando – e pressionou o botão do controle apontando-o para o televisor. A imagem que se abriu fez com que os olhos de Ambrósio brilhassem ao ver as camisas cor de laranja da Holanda contrastar com as camisas brancas da Dinamarca, porém, alegria de enfermeiro dura pouco ou quase nada. Assim que Dona Genoveva viu qual era o programa, antes mesmo que Ambrósio pudesse vislumbrar o placar da partida, disse: _Ah, é jogo, vamos ver o que está passando no canal religioso. Olhe, estão ensinando a fazer ursinhos; que lindos os ursinhos! Veja Flor! Não são lindos os ursinhos; que meninas espertas essas que fazem ursinhos! Não acha?
Pois é caro leitor, nem todo mundo gosta de futebol. Eu diria até que quem não gosta muito de futebol é capaz de dizer: _Mas só está passando jogo agora, detesto jogo. Detesto. Ai do Ambrósio! Pobre enfermeiro Ambrósio!

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domingo, junho 13, 2010

Que Vença O Brasil!

Eis mais uma Copa do Mundo de Futebol da FIFA. Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo. O clima está no ar. Como todos bem sabem, em nenhuma outra época o povo brasileiro é tão patriota quanto em época de Copa.
A televisão conclama a todos para que torçam, as pessoas vestem as cores da bandeira, todos se referem à seleção brasileira de futebol como ‘O Brasil’. ‘O Brasil’ vai jogar contra... ‘O Brasil’ está se preparando para enfrentar... ‘O Brasil’ terá dificuldades em... ‘O Brasil’ está forte no... ‘O Brasil’ está fraco no...
E eu, que sou apaixonado por futebol, pergunto: onde estava este Brasil tão bonito, colorido em verde e amarelo, apaixonado pelas cores da bandeira, patriota ao extremo? Onde?
Vamos torcer sim, mas vamos torcer sempre. Torçamos pelo Brasil nosso de cada dia. Pelo Brasil que joga futebol, constrói casas, pontes e cidades, opera máquinas, cria teses de mestrado e doutorado, escreve poesia, vende pipoca, planta, extrai, importa e exporta, varre o chão, faz cálculos, é aposentado, desdentado, faminto, pinguço, barrigudo, infrator, religioso, sem teto, desabrigado, vitimado, honesto, corrompido, bonito, rico, pobre, miserável, criança, idoso, feliz, triste, doente, saudável, verde, amarelo, azul e branco, preto, pardo, pálido...

Torçamos durante toda a Copa da África, local onde temos primórdios de nossa história, gênese de grande parte de nossa identidade, mas ao terminar a festa, seja em alegria ou lágrimas, seja cedo ou tarde, que as cores verde e amarela não fiquem por mais quatro anos guardadas, mas antes sigamos torcendo pelo Brasil nosso de cada dia. Pelo Brasil que joga futebol, constrói casas, pontes, cidades...

E que seja essa uma linda e inesquecível Copa de Futebol!

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sexta-feira, junho 04, 2010

Nando Reis - O Show (Eu e Ela)

Se eu não te amasse tanto, seria fácil construir a crônica de um dia ‘comum’ com um algo mais, com um Nando Reis cantando pra gente namorar, mas tudo fica diferente quando a verdade é que, pra você, eu guardei o amor que nunca soube dar; pra você eu guardei o amor que sempre quis mostrar; com você eu sempre quis compartilhar tudo o que sou e, quem foi moleque com Cabeça Dinossauro, gosta do Nando; e o Nando é um cara bem legal, um cara que fala de amor de um jeito diferente do que andavam falando até então. E por falar nisso: _Por onde andei enquanto você me procurava?

Eu e você, juntos; não precisou mais nada; e era para ser apenas mais um dia de muito trabalho, apenas mais um sábado. Foi quando, dentro do hospital, eu soube que o Nando viria à São Joaquim da Barra; vê se pode! É logo ali. (sorrio). Ele foi cantar na Festa da Soja; da soja; vê se pode! É bem ali. (sorrio novamente). Então Pensei: “A vida é mesmo coisa muito frágil, uma bobagem, uma irrelevância e, se eu estiver animado e com energia, perguntarei para ela: _O que você está fazendo? Milhões de vasos sem nenhuma flor! O que você está fazendo, meu amor? Vamos a um show? Vamos!”
A noite chegou e, explicação nenhuma isso requer, eu queria ir, era apenas isso, então a convidei e ela disse sim; fomos ver o Nando Reis logo ali.
Somos felizes assim; com nosso jeito todo nosso de sermos nós quando fazemos coisas sem planejar e, sorrindo á toa, quando construímos um relicário imenso desse amor, com o rosto um do outro dentro do olhar mutuo.

Deixamos as crianças na casa da velha avó, fomos depressa, pois, estávamos um pouco atrasados, mas esperando que ainda desse tempo; e partimos tão apressados, tão sem saber muito bem se chegaríamos a tempo; a primeira música ser tocada nós não vimos nem ouvimos de fato, mas isso foi uma bobagem uma irrelevância diante da eternidade do amor.
Mas chegamos para a festa, e o amor é o calor que aquece a alma, e o amor tem sabor pra quem bebe a sua água; então, segurei firme em sua mão... e o amor é o calor que aquece a alma, e o amor tem sabor pra quem bebe a sua água.

Por entre a multidão ganhamos a arena; ficamos de frente para o palco; havia muita gente aglomerada, mas encontramos as brechas, os pequenos espaços. Fomos cortando, cortando, infiltrando, e por fim, na multidão, éramos apenas mais dois; dois abraçados e sorridentes; cúmplices de uma alegria espontânea, cúmplices de nossa simplicidade; abraçados éramos dois para quem nos visse e, éramos um na verdade; a letra “A” do seu nome... a gente em movimento, Amor.

O Nando é um cara bem legal. Ele se comunica bastante, possui muita energia e presença, e o pessoal dele trabalha com alegria e vibração; e eu estava muito bem acompanhado do seu lado. Curtimos muito. E ao terminar, voltamos para casa; é que eu tinha trabalho no dia seguinte, compromisso agendado e tal; e estranho seria se eu não me apaixonasse por você.
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