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sexta-feira, maio 28, 2010

Um Dia De Fúria

Ao retornar para sua casa Bronson não havia se dado conta da situação que criou ao partir, atendendo ao chamado do Dr. Mendelson, sem dar maiores satisfações à Frida, que agora se derramava em lágrimas.
Em meio à bagunça de fotografias jogadas sobre a cama, Frida chorava compulsivamente, ouvia Marisa Monte e escrevia em um caderno no qual maldizia o dia em que conhecera o marido em prosa e verso, por assim dizer.

Ao ver Frida com a velha calça jeans desabotoada, “vestida” somente até as coxas, aquela velha calça que funcionava feito uma armação sólida para que Frida se sentisse “gostosa”, a calça parâmetro para que a mulher ligasse o dispositivo alerta para inicio de dieta, Bronson pressentiu que o momento era bastante delicado.

_Bronson, arrependo-me amargamente do infeliz dia em que entrei naquela espelunca para comer a porcaria da famosa coxinha cremosa da Dona Maria. Disse Frida, ao levantar-se da cama, amassando uma folha com as duas mãos e salivando feito um cão raivoso ao ver o marido de pé diante da porta do quarto _ e seguiu _ arrependo-me mais ainda de ter sorrido do seu comentário estúpido sobre o pastel de pizza, que, segundo você, era pastel de orégano; _como fui burra! Pastel de orégano! Que idiota!
Bronson tentou o caminho da paz, tentou conciliar dizendo para que Frida se acalmasse, pois não havia motivo para discussão. Argumentou que apenas havia ido até a casa de Dr. Mendelson que passava por sérias dificuldades, e observou que isso não era motivo para tanto estardalhaço.

Mas Frida estava mesmo furiosa e seguiu com sua explosão: _ Mais tola ainda fui ao aceitar que se sentasse a minha mesa na lanchonete. O achei espirituoso, ousado, ou bonitinho, sei lá que porcaria eu achei. Vê se pode! Pensei que fosse por um senso de humor ímpar que dizia aquelas bobagens, mas não era nada disso, na verdade você nunca passou de um bruto insensível. Bronson achou melhor não dizer nada para ver se a mulher se acalmava, mas ela continuou furiosa, e disse: _Você riu, riu Bronson, como se ouvisse uma piada quando lhe contei que havia acabado de sair de uma temporada em um spa de emagrecimento. Você ao menos sabe o que é isso na vida de uma mulher? Você imagina o que é pesar mais de 100 kg e ter que ficar tomando chá verde com uma porcaria de uma torrada integral no café da manhã, lanchar maçã e almoçar praticamente alface? Sem falar das malditas palestras fascistas que pregam o fim da alimentação da humanidade. Você não sabe. Só sabe o que é isso quem já sentiu na própria pele. E você riu de mim, Bronson. Riu.
_Como eu poderia saber que era sério? Você estava em tão boa forma, parecia perfeita em sua calça jeans. Por acaso não é essa mesma? Disse Bronson.

Aquilo foi a gota d’água para a mulher, já no limite da fúria, explodisse: _Pro inferno, Bronson! Pegue as suas coisas e não apareça nunca mais na minha frente. Suma daqui seu maldito! Frida disse estas palavras e empurrou o marido para fora do quarto, bateu a porta violentamente e continuou com os xingamentos e acusações. Bronson desceu para dar uma volta, pensar um pouco, espairecer, quando viu suas roupas sendo atiradas pela janela do sobrado. Parou, contemplou, tomou uma calça e uma camisa e partiu deixando o resto de seu guarda-roupa ali mesmo na calçada da Rua José Dantas de Matos.

Obs. Quero aproveitar para pedir a sua contribuição em forma de comentário e, se achar que mereço o seu apoio, vote em meu blog para o Prêmio Top Blog 2010. Mas se você também estiver concorrendo na mesma categoria que eu (variedades), queira me desculpar.

Obs II. Respondo aos comentários no blog dos próprios comentaristas.

sexta-feira, maio 21, 2010

Bom final de semana ou ótima semana?



O que esse pessoal que vive à espera do final de semana está fazendo da semana propriamente dita?
Não sei não. Acho que vão viver pouco. Acho que vão viver uma ou duas vezes por semana e olhe lá, pois nem todo final de semana sai conforme o planejado e supre esse anseio desmedido que colocam sobre os pobres sábado e domingo.

Vivemos em um tempo em que só há tempo para correr. Um dia a gente para. Ah para! Seja por bem ou por mal, cedo ou tarde. Um dia a vida diz: _Parô!!! Já pra cama, menino! _ou então: _Pro seu caixão, fulano, agora! _ou ainda: _Esqueça tudo. _e no momento seguinte perguntam o seu nome e você já não se lembra mais.
Fui exagerado? Bem, devo admitir ter sido um tanto drástico, mas você não pode negar que usei um discurso verdadeiro.

Sei lá. Eu não gosto de posar como “auto-ajudante”. Não tenho essa intenção. Acho que seria meio hipócrita de minha parte ficar dizendo para os outros como devem fazer, quando, na verdade, estou tentando aprender entre acertos e erros. Se bem que, quem compõe auto ajuda também está tentando ajudar, ainda que a si próprio ou a própria família.

Enfim, chegou mais um final de semana. Como eu não tinha um conto ou um poema pedindo para serem publicados, decidi vir apenas desejar um bom final de semana pra você que está passando aqui. E deu nisso. Pode me xingar, pode dizer o que quiser, eu não deixarei de publicar um único comentário. Nunca deixei. Isso é algo de que me orgulho. Sinto-me meio “ativista democrático” por conta disso. Mas veja lá o que vai fazer da sua semana. A vida é agora, e um dia ela fala. Ah fala!
Abraço, bom final de semana e uma ótima semana!

Obs. Os modelos fotográficos são os meus queridos Davi e Ana em Campos do Jordão.
Obs II. Quero aproveitar para pedir a sua contribuição em forma de comentário. E se achar que mereço o seu apoio, vote em meu blog para o Prêmio Top Blog 2010. Mas se você também estiver concorrendo na mesma categoria que eu (variedades), queira me desculpar.
Obs III. Respondo aos comentários no blog dos próprios comentaristas.

sexta-feira, maio 14, 2010

Presente do Céu


Voltava da roça
Findava a tarde
Um céu repleto de figuras
Em mim só o cansaço

Voltando o caminho encompridou
Restinga já estava bem lá atrás,
Mas ainda faltava tanto...
E tanto, na verdade, era poucos quilômetros mais

Não havia música nem rádio
Não havia assunto nem ânimo
Só queria chegar para descansar

Olhei para o céu e vi:
Um útero, uns ovários, umas trompas de falópio
É cada coisa que essas nuvens formam!


Obs. Quase nada que escrevo é completamente fiel à realidade. Na maior parte do tempo algo me inspira e eu misturo com o resto de tudo e faço as pontes. Mas dessa vez foi ao pé da letra. E após 36 anos de céu sobre minha cabeça, eis a imagem que se formou. Saudade de casa? Certamente.
Obs II. Em meu blog eu postei um presente que recebi do céu. Literalmente. E agora venho lhe convidar para dar a sua contribuição em forma de comentário. E se achar que mereço o seu apoio, vote em meu blog para o Prêmio Top Blog 2010. Mas se você também estiver concorrendo na mesma categoria que eu (variedades), queira me desculpar. Abraço do Jefhcardoso.
ObsIII. Respondo aos comentários no blog dos próprios comentaristas.

segunda-feira, maio 03, 2010

O Diário de Bronson (11 - Continua O Chamado)

























Terminada a prestação de favor de Bronson, Dr. Mendelson lhe pediu para que guiasse a cadeira de rodas até a varanda que dava de frente para uma bela piscina azul. Chegando ao destino, o velho médico disse:
_Aqui está ótimo, Bronson. Puxe uma cadeira e sente-se. Vamos conversar.
Bronson cumpriu o que Dr. Mendelson lhe ordenara e sentou-se. Dr. Mendelson, voltando o rosto para trás, gritou em direção ao interior da casa: _Maria! Maria! Que raio de mulher para não ouvir quando chamo; Maria traga-me o jornal; você esqueceu-se de recolhê-lo novamente? E voltando-se para Bronson completou: _Maria é uma bela flor, porém, esquecida como se dormisse em vigília.
Logo em seguida chegava Maria com o jornal para o ancião. Ele o tomou sem agradecer e fez um breve comentário sobre a manchete de capa. Bronson permaneceu mudo e em seguida empurrou a cadeira para trás e disse que se já não era útil sua presença precisava partir. Dr. Mendelson interpelou-o dizendo que ainda era cedo, e além do mais ele, Dr. Mendelson, poderia sentir vontade de ir ao banheiro novamente. Bronson olhou-o com visível espanto. O médico soltou uma folgada gargalhada e declarou ser apenas troça para diverti-los.
Bronson recobrou as feições e falou: _Bem, Dr., se é assim devo partir, pois já é hora.
O médico consentiu com um leve aceno com a cabeça, mas emendou uma pergunta:
_E sua reeducação alimentar, Bronson? Como está indo? Tem feito progressos?
Bronson acomodou-se novamente na cadeira e com os dedos das mãos entrelaçados estufou o peito e falou:
_Dr., não tem sido um exercício dos mais fáceis este de moderar na alimentação. Nem sempre consigo seguir o rigor do comedimento, às vezes até me surpreendo em comilanças, porém, não desisto. Penso que seja natural alguns deslizes; e é com este pensamento que recobro meu ânimo.
_Quanto já conseguiu emagrecer?
_Bem, atualmente estou com 94,0kg. Comecei com 98.55. Portanto estou 4,55kg mais leve hoje. Mas faz mais de quatro semanas que não emagreço nada. Creio ser devido às concessões alimentares que tenho feito nos finais de semana. Já ocorreu de eu me pesar na sexta-feira, e na segunda-feira seguinte pesar-me novamente, e ver que havia aumentado 1kg de meu peso apenas num final de semana menos cuidadoso.
_Esta obesidade é mesmo uma praga de nossos tempos, um dos mais graves problemas da saúde pública contemporânea, meu caro Bronson. Uma verdadeira epidemia global. Tenho conhecimento que só aqui no Brasil temos 38 milhões de adultos com mais de 20 anos vivendo sob o manto gorduroso da obesidade. Passamos de nação de perfil nutricional de ‘desnutrição’ para o perfil de ‘sobrepeso’; categoria na qual está incluso, amigo Bronson.
_Realmente assustador, Dr. Mendelson.
E Dr. Mendelson, voltando a face na direção do interior da casa gritou novamente por Maria, que desta vez veio imediatamente ao chamado: _Maria, acompanhe o Bronson até a porta. Até logo Bronson.
Bronson, meio atônito, disse tchau e acompanhou Maria.
*
Obs. Em respeito ao leitor que acompanha a saga de Bronson desde o início devo esclarecer que o homem enxerga perfeitamente, e que o caso da cegueira nada mais foi senão um boato.

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