Amigos

domingo, fevereiro 28, 2010

O Diário de Bronson (04 - O Sorriso de Bronson)

E eis que amanheceu o quinto dia; mal dormido após uma noite de sono intermitente entrecortado por pesadelos diversos, sendo que um deles, mesmo estando acordado, ainda insistia em lhe assombrar.
O sexto e sétimo dias foram algo mais tranqüilo de atravessar. Do sétimo para o oitavo dia, - dia do retorno a casa do médico - Bronson voltou a ter o mesmo pesadelo da noite que seguiu o terrível quarto dia da reeducação alimentar. Porém, ao amanhecer, Bronson estava bem disposto e decidiu ir a pé até a farmácia para pesar-se.
Antes de subir à balança para avaliar o resultado, lembrou-se novamente de cenas do pesadelo e evitou olhar para o painel digital com seus números em vermelho sangue. Pensou por um instante. Tomou fôlego. E finalmente mirou o resultado.
Bronson sorriu. Sim, Bronson sorria ao ver o resultado. Não era mais um obeso novato. Havia recuado para o universo amplo dos sobrepesos, onde já era veterano e bem familiarizado – se bem que estava a um passo da obesidade – mas viu-se numa manhã feliz a partir daquele instante.“_Obesidade grau I uma ova!”. Disse Bronson para a senhora gorda e loira que aguardava a vez para pesar-se. A mulher fez ar de espanto e em seguida fechou a cara. Bronson nem tomou parte da cara fechada. Já ia de costas para a gorda, rumo à casa de Dr. Mendelson conforme o combinado. Esqueceu-se do pesadelo. Apertou o passo. Era novamente um sobrepeso feliz. Nunca havia pensado ficar feliz ao ver-se em tal forma. Mas estava. Já tinha algo para zelar. Uma pequena vitória. Algo parecido com uma medalha de honra. Deixou o limiar da obesidade com oitenta e oito quilos e quinhentos e cinqüenta gramas, para adentrar os Campos Elíseos dos sobrepesos, com oitenta e seis quilos e trezentos. Bronson havia emagrecido dois quilos duzentos e cinqüenta gramas, e por conta própria. Era um herói agora. Seu próprio herói.
Cheio de si chegou diante da casa do Dr. Mendelson e com uma impressão decidida apertou a tecla do interfone para anunciar-se à plenos pulmões.

sábado, fevereiro 27, 2010

O Diário de Bronson (03 - A Abstinência Alimentar de Bronson)

À tarde que seguiu àquele difícil almoço foi um período cruel para Bronson. Fazia muito calor e Bronson tinha muitos lugares para ir, e no sobe e desce do carro nem sempre havia sombra para estacionar; o que piorava a sensação térmica. O calor, a “fome”... Bronson sentiu a terrível vertigem da “abstinência alimentar”. Sentiu-se fraco. Oras, mas como estaria fraco se não passara duas horas que havia almoçado?
Lembrou das vozes das velhas da família a dizerem: “coma menino, ou então vai ficar fraco, acabará com mal de simioto, com cara de macaco, menino”. “Maldito Mal de Simioto!” Pensou Bronson. E continuou pensando: “Que estupidez! Chamar desnutrição profunda de Mal de Simioto. Dissimulação para deixar moleque gordo, isso sim. No século passado tudo que era gordo era sadio; ainda que o sujeito estivesse enfartando, sofrendo um derrame, ou cego por diabetes, diziam-no forte como um touro. Tanto que chamavam de forte por sinônimo de gordo. Maldito século passado!”
Bronson pensava, remoia as suas mágoas, e sentia-se fraco. Isso não mudava. Estava alimentado. Comia regularmente e o suficiente para aguardar o reabastecimento que não tardava, porém era como se sentir fome fosse um suplício para ele, uma tortura. Quer saber? Bronson não tinha paciência para aturar dez minutos de fome que fosse. Havia muito que nem se lembrava como era essa tal fome, vivia saciado, quando não, empachado.
Conseguiu terminar à tarde de trabalho a enorme custo. Não pensava em outra coisa que não fosse a tal fome, ou as tais comidas. Comeu as bolachas e riu ironicamente ao amassar o pequeno envelope plástico que as continha. Lembrou-se dos astronautas a alimentarem-se de cápsulas. Admirou os astronautas.
Finalmente Bronson chegou a sua casa. Frida havia preparado sopa de caldo de feijão. Uma deliciosa sopa. Bronson tomou um prato acompanhado por meio pão fatiado e polvilhou uma colher das de sopa de queijo ralado por cima. Dez minutos depois. Eu disse; dez minutos depois, e nada mais; Bronson já estava novamente faminto. Temeu àquela noite.
Adiantou o horário da ceia em uma hora e meia e apressou-se em deitar-se. Foi um rolar sem fim na cama. Quando viu que já passava da meia noite criou uma nova regra: “meia noite com fome e acordado, uma taça pequena de leite e uma fruta (maçã), para poder dormir”.
Foi isso que deu o mínimo de paz a Bronson. Finalmente adormeceu; e quando achou que dormir bastasse, eis que lhe vem um sonho para atormentar, ou sei lá.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

O Diário de Bronson (02 - A Primeira Tentação de Bronson)

Quatro dias haviam passado com Bronson comendo a intervalos máximos de três horas e mínimos de duas e meia; comia metade dos lanches costumeiros; comia maçãs, mamões e pequenas fatias de melancia, por vez uma ameixa fresca, e tudo em pequenas quantidades; bebia mais água; fazia suas refeições em um delicado prato de sobremesa e não repetia jamais; quanto à sobremesa propriamente dita não repudiava, ainda que fosse um naco de qualquer doce ele provava; levava consigo durante o dia umas bolachas água e sal para os casos de urgência, como um surto de fome aguda no meio da rua; comia sopa no jantar, um único prato; e ceava uma fruta, ou duas torradas com um copo de chá “adoçantado”.
Passava os dias relativamente bem. Recebia algumas visitas da fome, porém se controlava com os artifícios supracitados.
Contudo, o quinto dia não seria nada fácil. Amanheceu faminto. Tomou seu café regular. Fez o lanche da manhã, um chá com três bolachas, tenso, até um pouco trêmulo e muito afoito; e ao sentar-se para almoçar teve dúvida se resistiria com moderação ao frango ensopado e a polenta de milho verde que fumegava na travessa.
Bronson respirou fundo; – era para tomar coragem para abdicar-se de parte de seu ímpeto, mas fora traído na estratégia, pois o delicioso cheiro da polenta lhe deixou ainda mais excitado – fez seu prato com a boca inundada por saliva. Um mísero prato de sobremesa preenchido por uma concha de polenta e um pedaço de peito de frango ensopado cravado sobre o inebriante creme amarelo; ao lado destes, em um canto mal arranjado e meio inventado, repousou uma colher das de sopa de feijão carioca – ainda sofria com o medo inconsciente de passar fome durante a tarde de trabalho. Pobre Bronson! Ai dele!
Bronson terminou o prato bem antes do que seria civilizado. E permaneceu à mesa como que lamentando o azar de seu metabolismo não ser mais acelerado, como o daquelas pessoas que comem feito uns cavalos e jamais engordam. Após algum tempo veio-lhe um pensamento permissivo, um sopro “lipidinoso”, talvez oriundo das profundezas do Tártaro: “Vamos Bronson, coma mais um pedaço de frango; isso não fará diferença, você já comeu pouco mesmo; e que mal pode haver neste pedaço de ave?”
Bronson teve comichões ao pensar em reabastecer o pequeno prato limpo e enxuto por folhas de alface. Foi neste momento que lhe vieram às palavras de Dr. Mendelson: (“...irá retirar os excessos e as indisciplinas.”). Bronson tomou um café, comeu uma colher de sobremesa com doce caseiro de abobora, e resistiu à astuta voz da gula disfarçada de fome. Porém o pior ainda estaria por vir.

domingo, fevereiro 21, 2010

O Diário de Bronson (01 - Bronson Decide Emagrecer)

Para emagrecer é preciso mudar antes de tudo de atitude. E para mudar de atitude é preciso ser totalmente sincero consigo mesmo. Bronson possuía sinceridade o suficiente para abandonar os pensamentos “lipidinosos” e se entregar verdadeiramente ao rigor de uma reeducação alimentar, mas ainda buscava em si a atitude para tal.
Pensou durante muito tempo no que seria a diferença entre ter vontade de emagrecer e ter vontade de ter vontade de emagrecer. Chegou à conclusão que sua vontade até então não era mais que uma simples vontade de ter vontade; logo, sem efeito.
Ao fazer 36 anos teve que se deparar com a frustrante realidade de um homem que a cada dia caminha passo a passo rumo à obesidade. Com um metro e oitenta de altura, e pesando noventa e oito quilos e quinhentos e cinqüenta gramas, Bronson, apesar de gozar boa saúde, não estava em paz com sua forma física. Suas roupas lhe apertavam, seu abdome tornava-se cada vez mais globoso, seus rebordos abdominais se avolumavam e nos esportes seu desempenho não vinha sendo o mesmo de outro tempo recente; sofria agora com freqüentes lesões articulares.
Bronson procurou Dr. Mendelson para uma consulta; Dr. Mendelson era uma espécie de guru espiritual da cidade. De espinhela caída a mal de desamor o homem possuia uma verdadeira farmácia de conselhos nada convencionais, porém de famosa e reconhecida eficácia.
_Dr. Mendelson, venho consultar-me, pois tomei uma decisão.
_Pois não, meu filho. Esteja à-vontade. Em que posso lhe ser útil?
_Quero ser magro, Dr. Mendelson. Não quero mais ser este biotipo que fica em cima do muro a pender entre o magro e o obeso sem definir-se nem por um nem por outro. Considero que esta condição física indecisa não é compatível com minha personalidade.
_Quer mesmo emagrecer meu filho?
_Sim, Dr. Mendelson, com todo o meu ser.
_Pois bem. Que dia é hoje?
_Hoje é domingo, dia vinte e um de fevereiro.
_Comecemos hoje então a sua transformação, a sua metamorfose, meu filho.
Dr. Mendelson era, segundo ele próprio, médico de formação; formara-se na Bolívia, mas se viu impedido de exercer sua profissão por conta da sífilis, que o tornara completamente cego. Uma vez sem a visão passou a dedicar-se as ações filantrópicas, e foi assim que se tornou um formidável conselheiro.
Bronson ficou surpreso ao receber a intimação imediata para algo que hesitou durante tanto tempo para decidir. Mas entendeu tratar-se de um teste de vontade. Afinal, se se recusasse em aceitar a intimação imediata, e sugerisse o mês seguinte, ou mesmo a segunda feira, estaria demonstrando falta de determinação para a empreitada a que se propôs, e assim seria imediatamente excluído dos conselhos daquele velho sábio, famoso por não tolerar os indecisos.
_Sim, Doutor. E o que faço para iniciar?
_Fará para dar continuidade quer dizer, pois o inicio já se deu no momento em que tomou sua decisão.
Bronson ponderou que aquilo era a mais pura e cristalina verdade, e que o início era sim o momento em que tomou a decisão, mas ainda queria orientação para alguma ação, e então perguntou.
_Mas e quanto a comer... do que devo me alimentar? Qual será a minha dieta?
_Sua dieta, jovem Bronson, será exatamente a mesma que vem praticando, mas com uma diferença; irá retirar os excessos e as indisciplinas. Comerá o suficiente, e de três em três horas. Sem falhas.
Bronson apertou a mão do Dr. Meldelson e disse:
_Obrigado, Dr. Mendelson! Posso voltar amanhã?
_Não. Não o quero por aqui antes que a semana termine. Leve este livro de Franz Kafka e leia com atenção o conto “Um Artista da Fome”, semana que vem retorne e me diga o que aprendeu com o conto.
Bronson apanhou o livro, agradeceu e partiu ruminando os conselhos com o propósito de assimilar os conceitos que recebera.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

O Aparelho Digestório

Miniconto, microconto, ou nanoconto, segundo consta na Wikipédia, é uma espécie de conto muito pequeno, evidentemente diferente do que se chama “conto pequeno”. No microconto muito mais importante que mostrar é sugerir, deixando ao leitor a tarefa de “preencher” as lacunas narrativas e entender a história por trás do escrito.Certa vez me ocorreu um pensamento curioso. Não sei precisamente qual foi a razão pela qual me ocorreu aquela idéia, mas considerando que vivo uma rotina hospitalar não foi de todo absurda. Tomei nota e guardei no bolso de minha camisa. Talvez no futuro germinasse e me desse um texto. Isso às vezes ocorre. Tempos depois eu assistia a uma entrevista do escritor Marcelino Freire concedida a rede Cultura, e ali ele falava, entre outras coisas, da literatura curta, da literatura que se adéqua bem ao celular, ao Twitter e a essa nossa escassez insana de tempo.Na mesma entrevista Marcelino revelou que o mais famoso microconto do mundo pertence ao escritor guatemalteco Augusto Monterroso. Com apenas 37 letras ele conquistou este feito. Veja:

“Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá”.

Após tomar conhecimento desta forma de literatura eu pensei: “Por que não? Por que não aceitar que tenho uma idéia completa, mesmo em poucas palavras?”E foi assim que criei meu primeiro microconto. O impacto desta pequena obra, eu só saberei após algum comentário do amigo leitor ou leitora.

O Aparelho Digestório (por Jefhcardoso):

“Fantástico seu aparelho digestório; carregava-o numa bolsa, a tiracolo.”

Obs. A foto eu fiz ontem. Coloquei apenas para ilustrar a postagem.

sábado, fevereiro 13, 2010

O Jardim da Morte

A Morte estava em seu imenso jardim a podar algumas roseiras, a aparar alguns arbustos, a arrancar algumas ervas daninhas, quando, bem ao auto da imensa estufa de jardinagem, veio o som do alto-falante a chamar-lhe para atender a uma ocorrência; e que ela sempre estava de plantão; vivia de plantão. Como em todas às vezes o chamado era urgente. Ela já sabia que aquilo ocorreria, estava de sobre aviso, e sua experiência profissional lhe permitia prever com certa antecedência o momento em que um cliente precisaria de seus serviços. Partiu veloz. Passou por toda parentela que se encontrava a porta do quarto hospitalar do pobre ancião agonizante. Colocou-se lado a lado com os que se encontravam junto do velho a beira do leito. Alguns a sentiram romper ao passar. Sentiram uma espécie calafrio que percorrera num segundo dos pés a cabeça, ou vice-versa. Outros dizem ter sentido algo estranho, como um mau presságio, uma coisa ruim ou algo assim. O fato é que ela veio. Se se demorou a chegar, se chegou rápido demais, nada disso tinha relevância. Na exata hora em que era para ela ali estar, ali ela estava. Nem uma fração mínima de segundo fora do que estava previsto no grande livro da vida. Ao chegar deparou-se com o ancião a lutar intensamente para deixar as dependências da carne. Era uma gemência sem pausa, uma respiração dificílima, agônica. Fadigado de tanto tentar desgarrar-se da aparência que conhecia por ser seu ser, sentiu enorme alívio ao ver que a conceituada e infalível profissional do ramo havia chegado. Ao aproximar-se do homem, ela lhe tocou nas feridas interiores com sua vasta experiência; coisa acumulada desde o primeiro protozoário que partiu, até o presente momento em que se encontrava ali naquele quarto de hospital. Arrancou o homem de sua carcaça como quem retira uma carta de um envelope. Pediu-lhe que aguardasse num canto do quarto que as outras providências já estavam encaminhadas e partiu. Retornou para o seu jardim. Mas é claro que o sabor da manhã já havia mudado devido à interrupção do desfrute daquele dia ensolarado. Dizia ela, em sua intimidade, que a manhã é como o café, se não é tomada toda de uma vez, do início ao fim, ela fica fria e perde o aroma e o sabor. Pensando dessa maneira, é claro que não era uma senhora muito bem humorada com seu ofício, de bem com a vida por assim dizer. Ela continuou suas podas.

*

Obs. Este texto foi originalmente produzido e postado por mim, em meu blog, no dia 17.01.09. Achei que seria válido retomar a idéia, e numa releitura acabei reeditando e modificando algumas coisas (inclusive o título) que fizeram toda diferença para mim. Aos que leram o original eu espero que o apreciem nesta reedição, e aos que não leram espero que gostem como eu gostei.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Mas quem é esse Eric?

Amigo leitor, esta postagem vem a completar o sentido da anterior, onde eu falava, entre outras coisas, sobre Eric Arthur Blair, ou George Orwell. Nascido em 1903, na cidade de Motihari, em Bengala, região da Índia. De família inglesa, seu pai era funcionário do órgão da administração britânica para controle do comércio de ópio. Quando tinha quatro anos a família Blair (não sei qual seria o parentesco do escritor com as Bruxas do filme, até por que as Bruxas são de Blair, mas nada indica que também sejam da família do Tony Blair) retornou à Inglaterra, onde Orwell estudou em escolas tradicionais. Em 1922, entrou para a polícia colonial britânica, permanecendo na Birmânia até janeiro de 1928, quando pediu demissão. De volta à Europa optou por viver como um vagabundo, de certa maneira “expiando” a culpa de seu passado de gendarme (do francês arcaico, gente de armas; gens d’armes) colonial, como ele próprio sugeriu. Perambulou por Londres mendigando – você, amigo leitor, gostaria de perambular por Londres, ainda que fosse mendigando? - e trabalhou em Paris como lavador de pratos – e lavar pratos em Paris, gostaria o leitor?. “Down and out in Paris and London”, seu livro de estréia, trata desse período de pobreza.
Voltando à Inglaterra passou a colaborar ativamente na imprensa socialista. O segundo livro que publicou foi “Burmese Days”, um romance antiimperialista. Trabalhou numa livraria, como professor e jornalista, e ganhando apenas o suficiente para sobreviver durante a conturbada década de 30.
Antes de ir combater na Guerra Civil Espanhola, ao lado dos republicanos, no final de 1936, já havia escrito três outros livros, - “A Clergyman’s Daughter”, “Keep the Aspidistra Flyng” “The Road to Wigan Píer”. Foi gravemente ferido na Espanha, onde lutou em uma milícia do POUM (Partido Operário de Unificação Marxista, de tendência próxima ao trotskismo). – note o quanto Orwell era um sujeito inquieto - Sua experiência neste país foi decisiva para sua “conversão” ao socialismo democrático.
As atividades de Orwell sempre incluíram a produção de ensaios e artigos jornalísticos, mas fama e fortuna literária só vieram depois da Segunda Guerra, com a publicação de “Animal Farm” (A Revolução dos Bichos), o livro que me apresentou Orwell. No fim morreu tuberculoso em janeiro de 1950, pouco depois de lançar “1984” – outro livro que pretendo ler.
Amigo leitor, esta pequena biografia, quase a totalidade desta postagem (quase), eu encontrei na edição de A Revolução dos Bichos, da Editora Globo. A tradução é de Heitor Ferreira. Bem, é isso. Quem não conhecia conheceu, e quem conhecia recordou.
*
Foto de George Orwell; fonte Wikipedia.

domingo, fevereiro 07, 2010

Quem é esse George?

Meu caro leitor, não farei segredo que é para você que hoje eu escrevo. Não ocultarei meu gosto em saber que você vem e lê meus escritos tão simplesinhos como são. Não estou ainda acostumado com essa dádiva que é ser apreciado pelos pensamentos. Isso ainda me maravilha.

Meus últimos poemas não obtiveram o mesmo sucesso dos anteriores. Foram menos visualizados, menos comentados. Não tenho menos apego aos que vieram e prestigiaram-me. Por favor, de modo algum me interprete como um lunático que só valoriza os números, as quantidades. Nada disso. Vou muito distante destas mesquinharias disfarçadas de grandiosidade. Sou pela qualidade das relações, e não pelo montante.

A verdade é que senti falta daquele grande numero de pessoas que vinham a visitar-me em meu blog todos os dias, senti falta de cada pessoa que não veio. É isso.

Hoje venho com a intenção de resgatar o amigo leitor. Ofereço algo que considero precioso, pois revela um achado que pode lhe ser agradável, assim como foi para mim.

Quero falar do dia em que conheci George Orwell. Sujeito fantástico, mas do qual a existência da pessoa eu desconhecia. Já havia ouvido sobre sua principal obra, mas de sua pessoa eu nada sabia.

Estava eu em casa de um bom amigo, Carlitos Lacerda. Carlitos é professor de matemática, porém amante da história, da literatura e furiosamente do futebol. Falávamos livremente destes assuntos quando, não me recordo de onde, surgiu na conversa a França. Para ser mais preciso; “A Revolução Francesa”. O homem ao chegar ao assunto empolgou-se. Abriu os braços para o alto e olhando para o teto exclamou:

_Liberdade, igualdade e fraternidade! E após estas palavras o homem enveredou por caminhos revolucionários franceses que somente um apaixonado os teria percorrido captando tantos detalhes. Satirizou o clero, ridicularizou a nobreza e enalteceu a burguesia. Mas logo após alguns efusivos elogios a burguesia, o homem foi diminuindo o ritmo do discurso, foi mergulhando para dentro de si em uma atitude introspectiva, e com o dorso do polegar apoiando o queixo, visivelmente pensativo, não dizia mais nada. Eu, que até então ouvia as suas empolgantes palavras, passei a ouvir o silêncio de sua reflexão.

Carlitos olhou-me. Percebeu que eu aguardava sua conclusão. Empurrou o arco que une os óculos de encontro ao nariz e disse:

_Não sei até que ponto o enunciado de 1789 realmente rompeu com os vícios de ordenanças e privilégios. Tirou os óculos, olhou-me seriamente, levou a mão sobre o meu ombro esquerdo e perguntou-me.

_Conhece George Orwell?

Leitor, leitor amigo, sei que ignorância não é coisa que se exiba, tampouco gafe é coisa que se publique, mas devo confessar minha simplicidade, a fim de que meu texto não perca a força da verdade – que diga-se, é a única coisa que nos libertará. Então, com esta cara que levo a frente de minha pessoa, perguntei:

_O cineasta?

Que horror! Confundir George Orwell, o escritor inglês, com George Orson Wells, o cineasta estadunidense, só poderia ser mesmo prontamente perdoado por um amigo da estirpe de Carlitos Lacerda. Ele se quer fez menção de meu comentário. Pediu-me para que esperasse um instante, foi até sua biblioteca e retornou com um pequeno livro (remédio para minha ignorância) dizendo:

_A Revolução dos Bichos; quero que conheça George Orwell, amigo.

Tomei o livro. Agradeci. Não conversamos muito mais. E foi assim que fui apresentado ao notável George Orwell.

E na próxima postagem prometo compartilhar a breve biografia que conheci deste sublime escritor.

Foto de George Orson Wells de 1937, captada na Wikipédia.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Cérebro e Coração



















Ah, o coração!

Tolo contrátil

Treliça atrelada

Prisioneiro da caixa torácica

Olhe quem vem lá!

E ele logo dispara

Tolo

Falto do controle das emoções

Bomba boba bombeia, impulsiona, propele e escorva

Trabalha para o cérebro que sonha

Eis o cérebro que sonhaOh, celebre cérebro!

Nobre cavaleiro

Sentido e razão dos poetas verdadeirosLabirinto que leva a invenção e a perdição...

Arma dos astutosIguaria impressa nos livros dos séculos e milênios

Giros,

Fendas

E sulcos

Coração e cérebro:

Eqüino e cavaleiro

Servo coração;

Leve seu mestre ao destino

Assuste-se,

Incendeie,

Mas a noz é quem decide

Mais rápido que a pálpebra é o neuro impulso

Cardíaco cervo,

Rocinante das aventuras,

Siga ao comando,

Pois é meu servo,

Coração,

Sou eu teu cavaleiro andante.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Repetitivo Coração






Tum tuhm! Tum tuhm! Tum tuhm! Tum tuhm! Tum tuhm!

Com tudo que tenho

Com tudo que penso

Com tudo que sou

Que baste. Que baste. Que baste. Que baste. Que baste...

Tum tuhm! Tum tuhm! Tum tuhm! Tum tuhm! Tum tuhm!

Do pouco que tenho

Do pouco que penso

Do pouco que sou

Que baste. Que baste. Que baste. Que baste. Que baste...

Tum tuhm! Tum tuhm! Tum tuhm! Tum tuhm! Tum tuhm!

O tudo que escrevo

O tudo que sei

O tudo que penso

Que baste. Que baste. Que baste. Que baste. Que baste...

Tum tuhm! Tum tuhm! Tum tuhm! Tum tuhm! Tum tuhm!

O pouco que escrevo

O pouco que sei

O pouco que penso

Que baste. Que baste. Que baste. Que baste. Que baste.

Tuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu... fim.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails