Amigos

sábado, novembro 28, 2009

O Cobrador - Parte I



Poucos viram quando o homem atravessou os portais da cidade, caminhando a passo lento, sob o forte sol do meio dia. Suas vestes eram farrapos imundos. Seis cachorros magros, vira-latas, de tamanhos e cores variadas, o escoltavam.
Seus cabelos eram negros, encaracolados, sujos e oleosos, e ostentava na face um longo cavanhaque estreito, e finos bigodes ponte agudos; tudo aparentando sujeira antiga, coisa grossa.
No lombo ia um saco de estopa, tão encardido quanto o transportador. Os pés arrastando umas sandálias de couro; ressecadas, rotas, tudo impregnado por uma espessa camada de barro, resultante de poeira e suor misturados.
Passo a passo, sem nenhuma pressa, nem aparente cansaço, mas com o olhar fixo na linha horizontal (nem acima, nem abaixo desta linha), seguia adentrando a cidade. Atravessou os portais e desceu a longa avenida que conduzia para o interior do pacato local; ganhando ruas, ia sempre em frente, como se soubesse exatamente qual o local a que queria chegar.
Apenas um carro fez uma breve parada ao seu lado, o condutor disse algumas palavras e seguiu lentamente, como se observando o forasteiro, que indiferente continuou sua caminhada.
Após alguns minutos, alcançou o que seria o centro da cidade, o exato músculo cardíaco do lugar, onde tudo se encontrava, para onde as ruas principais convergiam. Havia ali uma praça, pouco arborizada, de grama rala, alguns bancos esparsos, e de aspecto bem rústico, porém, toda calçada de pedras portuguesas.
O homem, fedendo em seus andrajos, parou, fitou o sol a pino, desceu o saco do lombo e começou a retirar meticulosamente os objetos que ali trazia.
O primeiro objeto retirado fora um pano preto, o qual serviu como forro para o chão; sobre este depositou um grande livro de capa marrom em couro, de folhas amareladas, rebeldes e bem surradas, em seguida retirou do saco um termômetro ambiental, aparentemente muito antigo; depois apanhou um velho relógio de dar corda, com números em algarismos romanos e por fim uma moringa de barro.
Sentou-se sobre o forro. Cercado pelos cães que o circundavam, num giro, conferiu os objetos com um olhar inspetor. Um a um fixou os olhos sobre aqueles, abriu o livro em determinada pagina e naquele momento, curiosamente, os ventos cessaram e a pagina permanecia marcada sem a necessidade de um marcador para tal. Voltou o termômetro de frente para si, após examiná-lo com cuidado. Deu corda em seu velho relógio e em seguida tomou um gole do liquido que estava contido dentro de sua moringa de barro, enxugou a boca com o dorso da mão, e iniciou uma leitura concentrada.
Não havia quem passasse por ali e não notasse a exótica figura que chegara; era o “mendigo”, como diziam. Este ferrara na leitura com tal afinco, que duas horas após iniciá-la não havia sequer se movido. Parecia uma estátua. Era incrível ver que, apesar do forte sol, o homem não se incomodava!
Das doze horas e trinta, momento de sua chegada na praça, até ás dezoito horas, quando o sol se punha, o homem lia sem trégua.
Algumas pessoas que passavam até se aproximavam, e alertavam, que, daquele jeito, ele teria uma insolação; morreria debaixo daquele sol: _O Sr vai assar deste jeito. Diziam alguns. Outros diziam: _Está louco; não teme passar mal e até morrer por insolação?
O homem nestes momentos desviava o olhar do livro, encaminhava-o aos olhos de quem falava e não dizia nenhuma palavra; voltava-se para o livro, e a pessoa logo seguia caminho sem nenhuma demora; afinal o cheiro do homem era mesmo insuportável; forte e ácido, dificultava a respiração mesmo dos que não estivessem tão próximos.

O calor, de grau em grau, só aumentava. Ao meio dia; hora da chegada do forasteiro na cidade, os termômetros registravam trinta graus e meio. Esta temperatura seguiu aumentando após ás treze horas, até atingir quarenta graus Celsius no meio da tarde. Algo impressionante.
Calor naquela instância era coisa comum, os munícipes já estavam acostumados com as altas temperaturas, com a incômoda sensação térmica daquelas tardes, porém, certo que, naquela ocasião a temperatura subiu rápido demais. Os antigos moradores eram os que mais estranhavam aquele fenômeno, e olhando para o céu, protegendo os olhos com a mão sobre a fronte, exclamavam: _Este calor está infernal! Ao que ninguém discordava.
Naquele dia tudo fora muito diferente; deu-se que o calor de súbito só fez subir.
Segundo teria dito um transeunte mais curioso, o velho termômetro do homem estaria estragado, pois registrava invariavelmente, por coincidência, quarenta graus cravados e irredutíveis, desde sua chegada.
No final da tarde, quando o sol já se punha e a lua principiava sua exibição, os termômetros regrediram um pouco, porém, por incrível que possa parecer, a sensação térmica perdurava. Era como se os quarenta graus não tivessem regredido em nada, em um mísero grau que fosse, e seguiu uma noite extremamente abafada.
O “mendigo misterioso”, então, exatamente ás dezoito horas em seu velho relógio, ouviu o badalar do sino da igreja, prostrou-se de joelhos, em uma atitude parecida com a de oração, e ali permaneceu completamente imóvel até o romper do sol, que se dera um pouco antes das seis horas.
_Que calor será esse afinal; quem é o forasteiro? Diziam os antigos moradores do local.

quarta-feira, novembro 25, 2009

Do Pó ao Pó


_Positivo.
_Parabéns!
_Estou muito ansiosa.
_Sua barriga está linda!
_Roupa alguma me serve, estou enorme.
_Foi cesariana?
_Chora por estar nascendo os dentinhos.
_Falou papai, primeiro?
_Corre pela casa inteira.
_Chorou muito no primeiro dia de aula?
_Crise da adolescência...
_Qual carreira escolheu?
_É um excelente profissional.
_Quando se casarão?
_Terceiro filho.
_Divorciou-se?
_Se da super bem com a segunda esposa.
_Doente?
_Missa de sétimo dia.
_Faz tanto tempo que ele se foi...



Obs. Este conjunto de frases tem por intenção ser um poema realizado a partir da observação de frases rotineiras que envolvem o transcorrer de uma vida, que vai mais rápido que se imagina.
Saboreie a vida; ela passa.

domingo, novembro 22, 2009

CARTA AOS LEITORES



Caros leitores, quem são meus leitores? Não sei. Curioso; este mês estou com média de 37 visualizações ao dia, (apenas de Julho para cá já conto mais de três mil visitas), porém não há quase comentários em meus textos. Tudo bem; não sou famoso mesmo. Se eu fosse um sujeito famoso eu provavelmente teria mais comentaristas que visualizadores. E se eu fosse um sujeito famoso provavelmente eu não escreveria das coisas que escrevo, nem da maneira como escrevo, pois viriam os críticos, viriam empregadores, viriam bajuladores, invejosos, em fim, viria uma grande quantidade de pessoas que não vêm, e causariam as mais variadas influências sobre o que escrevo e eu correria o risco até mesmo de ter minha fama exorbitando minha cabeça, me transformando em algo menos espontâneo, menos livre, mais enquadrado, por assim dizer. Mediante este raciocínio que acabo de expor digo: “santo e sagrado é o leitor que vem, lê, não comenta, e volta para ler mais!” Postarei mais poesias para você, pois notei que possui um gosto para minha poesia: é que as poesias são as minhas maiores causadoras de visualizações; e olhe que sequer sou poeta. Quando o artista britânico, Lucian Freud, decidiu convidar a funcionária pública, Sue Tilley, para posar para um quadro em 1995, obvio que não pensou no que as pessoas achariam de sua obra. Afinal sua atitude era contraria as tendências de estética, que, naquele momento, assim como hoje, ditavam a hegemonia da raça raquítica desnutrida. E veja o resultado.
É possível que seu quadro tenha sido arrematado por mais de R$ 56 milhões na Christie’s de Nova York, em maio de 2008. Seria esta a obra mais cara de todos os tempos vendida por um artista em vida. Big Sul recebeu apenas R$66 por dia, além de belos almoços, e o prazer da convivência agradável com o artista. Veja quanta simplicidade há quando se produz com liberdade. Gosto de você, leitor, mesmo sem saber bem ao certo quem você é (esta frase é para ser lida com a voz do Cid Moreira em mente. Ok?)! Então vamos lá; agora com a voz do Cid Moreira: Gosto de você... leitor... mesmo sem saber bem ao certo quem você é...!

(foto do quadro de Lucian Freud: BBCBrasil.com)


Obs. Não deixe de ler, logo abaixo, o conto “O Céu De Anabela”. Deixe seu comentário.

O AMOR É LINDO E DESCONHECE FRONTEIRAS!



Se você está acompanhando esta visita ao Brasil e possui entre 35 e 40 anos deve estar com um nó na garganta e olhos marejados, assim como eu estou agora; é que nos anos 80 esta senhora ainda era uma jovem loira polêmica, agitava as multidões com seus shows, gerava bilhões com seus discos, liderava as listas de hits e alimentava a mídia com seus escândalos; atualmente ela ainda é esse furacão de presença, porém sem o furor para os escândalos e empenhada nas questões humanitárias de nós humanitas. Hoje ela visita o Brasil como quem conhece uma chácara na periferia onde moram os pais do namorado, o jovem Genésio Light. Ah, isso é lindo! Hank arrancou lágrimas da cantora durante um jantar em sua casa, no Rio, ao dizer que doaria US$ 7 milhões para os projetos sociais da jovem senhora. Foi lindo! Segundo um vizinho do rapaz que é ex-amasio da filha da copeira de uma parenta de Hank, e é bilíngüe (português e gíria carioca), a conversa teria sido mais ou menos assim: Mãezona: I collect only US$ 3 million for my project. Hank, enquanto mantêm firmemente pinçada a coxa de frango que suga como para se embriagar do molho, olha firme para a cantora, com o dorso da mão recolhe um fio de óleo que lhe escorre pela extremidade lateral direita dos lábios e, afoito, antes mesmo de deglutir o naco de carne que traz na boca triturado e envolto em uma liga de saliva, diz para a loira, lhe apontando com o osso da coxa da ave dilacerada: Dona Madona, a senhora pode despreocupar, vou fazer o cheque agora mesmo, e a senhora pode tocar seu projetinho pros meninos. Mãezona, com lágrimas nos olhos, diz: _Thank you, very, very, very tanks, Mister Hank! E completa: _I love child. Em seguida acena para Genésio Light, que concentrado no Guitar Hero na sala contigua apenas contra-acena, como que para não perder a atenção, porém perde e demonstra grande aborrecimento por ter sido interrompido; joga o instrumento controle para o lado e vai unir-se aos demais na mesa, onde permanece emburrado pelos próximos trinta minutos. Genésio Light, com a expressão fechada, diz: _Eu quero batata frita, pô. (Obs. Este post é apenas uma crise de bom humor e não tem a menor intenção de veicular uma mensagem preconceituosa, mesmo que pareça. Trata-se apenas de uma sátira social e de comportamento. Ele havia sido retirado para dar espaço para uma sequência e agora retorna para os que não leram ler. Não deixe de ler o post abaixo “O Céu de Anabela” e deixe o seu comentário)
foto: folhaonline

quinta-feira, novembro 19, 2009

O Céu de Anabela



Falarei de Anabela que é moça e não fala:
Aconteceu que um dia Anabela sentiu a sua cabeça doer; doía demais. Era uma fase difícil, de grande stress, muita correria, prazos e metas a cumprir, um emaranhado de problemas para dar solução, coisas demais.
Fato era que, Anabela já havia enfrentado diversas fases como aquela.
Fato também que, Anabela sofria freqüentes dores de cabeça, porém aquela dor...Ah, aquela maldita dor de cabeça!
Anabela procurou ajuda médica; mas dor de cabeça e stress quem não os tem em nossos dias tão corridos e tumultuados?
Fora medicada, aconselhada a procurar um especialista para alguns exames, caso a dor não cedesse, e lá fora Anabela com uma receita em mãos de analgésico/relaxante e sua dor de cabeça para casa.
Aquela dor de cabeça era algo mais que uma simples dor, era na verdade um pulsar violento dentro de seu cérebro que estava prestes a explodir. E não demorou a ocorrer a explosão do cérebro de Anabela. O sangue que estava contido em seus vasos e fluía levando nutrientes para as ações vitais do órgão, na verdade estava revolto como corredeiras, e procurava ao bater-se contra as paredes das artérias, arteríolas, vasos, um ponto frágil para fender e romper em profusão pelo encéfalo da moça; e encontrou; e rompeu; e explodiu.
Foi brutal. Uma moléstia gravíssima e repentina. De uma só vez Anabela viu-se desapropriada de seu próprio ser, de sua vida, das ações mais simples que uma pessoa desempenhe ao longo de um dia comum.
Paralisada dos braços e das pernas tornou-se tetraplégica.
Tornou-se afásica; ou seja, uma pessoa com comprometimento ou perda quase total, no caso de Anabela fora total, da captação, manipulação e da expressão de palavras.
Tornou-se incomunicável; Anabela não falava por verbo, por gesto, nem mesmo por um olhar responsivo a quem perguntasse algo.
Esteve praticamente morta aos olhos da medicina; foram quarenta sofridos dias sobre o fio da navalha.
Anabela só não morreu por que os médicos, arrojados, lhe arrancaram parte dos ossos do crânio, para que a explosão de seu cérebro ganhasse espaço para expandir e não o esmagasse contra as próprias paredes da caixa craniana matando a moça.
Quando se encerrou a batalha restou-lhe a vida; mas quão avariada a vida que restara! “Ao menos sobreviveu”. Diziam os conformistas.
Porém todos os dias que viriam seriam agora mais uma parte daquela guerra iniciada na fatídica batalha.
Anabela agora era uma sobrevivente, e sua cognição uma incógnita. Todos os dias passariam a ser aparentemente iguais, de uma monotonia gigantesca, incomensurável.

O Céu de Anabela: A Continuação

Quando Anabela perdeu sua fala, sua capacidade de caminhar, seus movimentos, seu controle sobre suas necessidades fisiológicas, sua vida profissional, social, era um período em que, ironicamente, ela se utilizava mais que qualquer outra coisa da comunicação verbal. A jovem expandia seus domínios profissionais, freqüentava cursos, era dinâmica, e assim cada vez mais respeitada em seu meio de trabalho.
Veja quão irônico pode ser o destino que nos aguarda:
Do stress da correria diária na imensa capital ao leito de hospital, passando por um dia normal, uma dor de cabeça, tal e tal.
Agora seu mundo se restringia as quatro paredes amarelas de seu pequeno aposento de dois vírgula cinco metros quadrados. Seu mobiliário era composto por uma grande cama hospitalar em ferro maciço; antiga, cinza, um tanto descascada. Havia também uma cômoda em mogno onde ficavam suas roupas de cama, pijamas, fraldas, lençóis e no topo quatorze polegadas de bobagens e futilidades. E sobre um pequeno criado ficavam o pilão, para preparar as medicações a injetar via sonda, algumas medicações e etc.
Era ali que Anabela via os dias praticamente se repetir, exceto pelas raras visitas que as vezes surgiam.
Vinha alguém e falava. Outro a alimentava. Outro a trocava. E Anabela nada, nada e nada...
Porém o céu, este não falhava, era um espetáculo diário extraordinário.
O olhar de Anabela buscava a janela que dava para o muro amarelo com esparsas manchas, dali viam-se também as velhas telhas da casinha ao lado, cobertas por musgo, e acima deste telhado o céu.
Ah, o céu! Como era lindo para Anabela admirar aquela maravilha de criação. O céu jamais se repetia, ao contrário de sua vida, todos os dias revelava uma nova face; fosse pelas nuvens, pela tonalidade de azul, pelo dourado ao refletir os raios solares, ou pelos insetos e pássaros que o riscavam com seus namoros, acrobacias exibicionistas ou caçadas encarniçadas; o céu de Anabela era extraordinário.
Anabela às vezes apenas fixava uma imagem do céu em sua mente e fechava os olhos; era quando ela sonhava voar. E como Anabela voava! Anabela sobrevoava toda cidade, os campos, e numa trilha de ar ia distante com suas enormes asas de um branco capaz de cegar quem o encarasse.
Anabela às vezes sentia vontade de correr, contorcia-se, convulsionava, dizia ao mundo algo que o mundo não interpretava. Noutras vezes Anabela queria gritar, então chorava, chorava, chorava alto, realmente gritava; sua boca a salivar profusamente, seus olhos abundavam em lágrimas, revolviam revoltosos e tornavam-se nascentes de um rio indomável.
Se não fosse o céu ou este ou aquele fato, seria tudo tão igual.
Não havia a correria dos carros, o vai e vêm das pessoas, a agenda lotada, todas as coisas a que ela se acostumara acabaram.
Como pesava o ponteiro do relógio seis ou dezoito acima, e havia poderosos freios doze abaixo; tudo ia lento, era a expressão mais verdadeira do marasmo. Que bom que o céu lhe restara!
Os anos passaram. Com os anos vieram fatos. Um dia a casa estava cheia, era gente de longe que vinha e entrava. Todos traziam ares pesados, semblantes carregados.
Da enfermidade de um ente ao velório foram poucos dias, porém para Anabela não havia dissociação entre tempo curto e tempo longo, tudo era só um tempo, um pacote, como dizem os comerciários.
Rostos distantes deram o alarde; as lágrimas prenunciaram; e os trajes negros a guardar luto o desvendamento do caso. Anabela chorou muito naqueles dias, porém, não disse palavra.
Noutra ocasião a casa esteve novamente cheia, vieram os rostos distantes, mas dessa vez todos sorridentes e bem falantes; vestiam os trajes que provavelmente julgavam ser os mais apreciados. O ente, um rapaz muito jovem, provavelmente era o festejado, pois era o mais sorridente da casa, entrou de terno e gravata; fora procurar uma colônia que ali achou poder ter deixado; depois daquele episódio tornar-se-ia visita na casa; e meses depois apareceria com um bebê de colo. Anabela achou lindo o bebê, porém ela não disse palavra.
Anabela percebia que as coisas mudavam, mas para ela o importante era o céu. O céu de Anabela era o que realmente importava.

domingo, novembro 15, 2009

No Começo



Ele não teve mãe;
Era um homem triste e solitário.
Apegou-se a ela como se fora a única mulher na face da terra.
Faria qualquer coisa por ela...
Pobre homem!

Ela era cheia de caprichos;
Achava que o marido fosse rico;
O dono do mundo.

Aquela mulher tinha tudo...
Ambiciosa,
Não deu valor algum;
Portou-se como uma víbora;
Exigiu até o que lhe era oculto.

De herdeiro único a traidor imundo!
Confiança eterna a dão;
Fraco, faz-se ladrão.

Pobre homem!
Agora do suor do rosto o pão,
O vinho do sangue das mãos,
"Não és mais bem vindo;
Sois decepção!"


Perdão?!

...

Perdão!

...

Perdoai-me.

...


Devo partir então?


...É, vá.

sexta-feira, novembro 13, 2009

Nós Humanidade.

























Nós humanidade!
Quem somos?
Aqueles que matam;
Ou os que morrem?

Nós humanidade;
Somos desumanidade?
Os que choram;
Ou os que fazem chorar?

Jogamos crianças do oitavo andar;
Difícil acreditar...
Elas não sabem voar;
No chão estão mortas ou feridas,
Crianças e nada mais;

Mas, humanidade...
Ainda és humana?
Hedionda,
Odienta,
Odiosa!

Nós humanidade!
Humanidade;
Choras e faz chorar;
És Santa;
És Satanás.




Ao saber nesta manhã do terrível crime cometido por um oficial russo, que atirou as filhas da companheira de uma altura de vinte metros, do oitavo andar do prédio onde viviam, possivelmente por ciúmes, enquanto a mãe das meninas gêmeas de oito anos supostamente estaria em um shopping; senti uma dor que não me é nova nem se vai facilmente; e esta dor impregnou-se em meu ser, e meu dia transcorreu triste, pesado, lento; como se algo assim fosse o nosso comum, nosso carma.
Não é.
É preciso chorar o luto, lutar.
Este tipo de fato é o que mata algo dentro da gente; é o que nos deixa embrutecidos, descrentes.
A cultura da violência cria esse tipo de ser humano, que num ato de fúria só enxerga o mal que pretende causar a alguém.
Não seria hora de pensar se a violência é algo a ser cultivado como temos visto?
Ou não sou mais que um idiota a dizer asneiras?
Se partilhar minha dor opine.

segunda-feira, novembro 09, 2009

Celebração à Vida
























A vida?
A vida é uma paixão mal resolvida;
Quando finda,
Seja noite ou dia,
Primavera ou outono,
Sempre é cedo ainda.

A vida?
A vida é por onde se caminha;
Pena que finda!
Choremos os que se foram,
Mas celebremos aos que ficam;
Todos os dias.

E para que serve a poesia?
Se for pra falar de amor:
Amo-te vida minha!
Queridos convivas;
Crianças, jovens, adultos ou senis;
Amo-lhes, convivas, com vivas! (por Jefhcardoso)

sábado, novembro 07, 2009

A Solidão Do Ancião - Parte I de II



Naquela manhã o ancião não quis buscar o pão como fazia quase todos os dias. Havia desjejuado os últimos pêssegos submersos em calda em uma grande lata, que ficara aberta sobre a mesa; comeu-os com um creme branco. Olhou pela janela da cozinha, que dava para um pequeno jardim de arbustos secos e grama rala, suspirou, com o olhar fixo no muro coberto por musgo nas extremidades, deixou a lembrança tomar conta de seu pensamento enquanto o olhar ia inerte. Suspirou novamente, e após alguns minutos, partiu com as mãos no bolso do velho e desbotado paletó cinza.
Sentou-se na sala, começou a folhear um livro antigo, poeirento e de paginas amareladas, ergueu-se, caminhou até o quarto, ali começou a revirar um baú, procurando um álbum de fotografias antigas. Entre muitos encontrou o qual procurava, retornou para a poltrona da sala, sentou-se, ajeitou-se, puxou as mangas do paletó, fechou os botões que restavam abertos, as três últimas casas, cruzou os braços sobre o tórax, numa atitude para aquecer-se, punhos serrados guardados debaixo das axilas, na mão direita o pequeno álbum de fotografias junto ao corpo, sobre os sobressalentes arcos das costelas. Cruzou as pernas na altura da tíbia, nos pés as velhas sandálias em couro e meias grossas na cor cinza, a do pé direito tinha um furo na ponta, sobre o hálux. Permaneceu nesta posição por alguns minutos. Tinha um olhar parado no nada, observava os pequenos filamentos de poeira doméstica que estavam suspensos, visíveis através do feixe de luz solar que adentrava pela janela da sala. Levantou-se novamente, caminhou até a cozinha, pegou uma chaleira em alumínio, colocou a medida de um copo de água, esperou até a ebulição e adicionou um envelope de chá de maçã. Apanhou uma xícara, colocou adoçante no fundo, serviu-se, apanhou o álbum que havia repousado sobre a mesa com a mão direita e, na esquerda vinha com a xícara, retornou para sua poltrona na sala. Tentou tomar alguns goles de seu chá, mas este estava quente demais, colocou-o sobre uma mesinha de centro, e então, começou a folhear o pequeno relicário de doces lembranças. Eram fotos de seus três filhos quando pequenos, sua esposa também estava coadjuvando a infância fresca nos retratos, ou seria as crianças a coadjuvar a bela juventude da moça? O fato é que em cada retrato daqueles pequenos cheios de encantos havia também uma adulta, não menos encantadora, de olhos meigos e doces a sorrir para câmera. Na manhã daquele dia, há exatamente um ano atrás, o ancião se viu na obrigação de dizer adeus a sua querida companheira, que expirou repentinamente naquele triste outono.
Moravam apenas os dois há muito tempo. Um de seus filhos, o caçula, havia morrido na infância, vítima de uma moléstia rara que lhe tirou a capacidade de andar de uma manhã para uma tarde e antes que completasse cinco dias de suas quedas ao solo, o menino parou de respirar. Disseram os médicos que havia sido por paralisia de um tal diafragma, um músculo que seria o de maior importância na respiração; disseram também o nome da moléstia que ocasionou este transtorno; o ancião achou o nome cruel, frio, como se com aquele nome a doença ganhasse um corpo, uma história, uma cara e uma natureza humanamente cruel. Ele dizia: “Guillain-Barre! Quem lhe conhece como eu lhe conheci, jamais lhe esquece, jamais é feliz na totalidade como fora um dia”. E com os olhos marejados completava: “Meu pequeno Maiakovski, morreu aos três anos de idade; como se isso fosse idade para alguém morrer!” Desta forma, cheia de emoção, contava o caso a alguém quando o assunto ocorria.
Nos retratos havia também os rostos travessos, sempre juntos, de Franz e Dostoievski. Estes cresceram muito bem criados, tornaram-se cidadãos do mundo, o primeiro até mora no exterior, foi bailarino de uma grande companhia Russa, hoje é coreógrafo e muito respeitado por lá. Já o segundo formou-se em sociologia, foi para a capital paulista, da aula em uma universidade muito grande, a mais conceituada do país. Ambos quiseram que o ancião fosse morar com eles em seus respectivos locais, porém o homem era cheio de personalidade, bateu o pé que sua casa não deixaria e disse na ocasião: _ Oitenta e seis anos não é idade para abandonar seu terrão natal, já é na verdade idade de urso velho procurar sua caverna para última hibernação. Os filhos o repreendiam, mas de nada adiantava, ele tinha mesmo uma personalidade forte, humor ácido, dizem que ficou pior após a morte de seu caçula. Dizem também que nunca mais fora o mesmo no que se refere à alegria.

A Solidão Do Ancião - Parte II de II



Fechou o pequeno álbum após virar à última pagina, beijou a capa de olhos fechados, o enfiou no bolso do paletó, tomou entre a poupa dos dedos indicador e polegar da mão direita a asa da xícara vermelha, sorveu um pouco, viu que já estava de morno para frio o seu chá e então entornou em grandes goles todo conteúdo da xícara. Levantou-se, foi até a cozinha e deixou a xícara sobre a mesa. Caminhou até a sala, abriu a porta e saiu no seu pequeno jardim árido, o mesmo que era possível avistar da cozinha; é que os cômodos eram contíguos. Apanhou um regador de latão, todo enferrujado, abasteceu-o com água até o limite de transbordar e foi regando os arbustos secos um a um, depois, com mais umas quatro ou cinco abastecidas, regou o pequeno gramado. Ao terminar retornou para sua poltrona na sala, havia aberto o paletó; pois durante a movimentação para aguar as plantas, sentiu esquentar seu velho corpo. As mangas de seu agasalho estavam molhadas pelo contato com a água ao encher o regador, isso lhe incomodava um pouco, incomodou mais quando esfriou novamente a sua temperatura corpórea, ao ficar ali parado na poltrona, mas não foi providenciar nem para trocar, nem para secar. Fechou novamente todos botões do velho casaco, cruzou os braços sobre o tórax, as pernas na altura da tíbia e ali permaneceu por um bom tempo parado. Tocaram a campainha, era o verdureiro. Foi atende-lo, apenas para dizer que fazia uma bela manhã e que não ia querer nada naquele dia. O verdureiro agradeceu mesmo assim, concordou que era bela aquela manhã fria com sol, e perguntou sobre a vizinha da frente. Esta já estava fora havia dias. O ancião informou que passava uma temporada na casa de uma filha que morava distante, segundo ela havia dito, mas que retornaria em breve.
A vizinha em questão era uma jovem senhora divorciada, pessoa muito simpática e afável, única visita cordial que o ancião recebia em seus dias. Já havia mais de um mês que ela havia viajado, ele sentia falta de encontra-la na hora da compra de verduras, sentia falta também de suas visitinhas ao portão, sempre com um pratinho na mão a oferecer alguma quitanda fresca que costumava fazer.
Despediu-se do verdureiro com um aperto de mão e um sincero “tenha um bom dia”, retornou para seu lugar de meditação e após mais algum tempo levantou-se, foi até o quarto e apanhou um caderno grande, o qual levou até a mesa da cozinha, começou a escrever compenetrado, começou e terminou uma carta sem parar nenhuma vez, sem nenhum rascunho e, sem demora, encheu uma folha, frente e metade do verso. Ergueu-se, levou a folha até a geladeira e a fixou na porta por um pequeno ímã. Sentou-se na cadeira, apanhou uma faca de pão com grandes serras, que estava situada entre os farelos do que comera na véspera, empunhou seu longo cabo de madeira com as duas mãos, e com o mesmo olhar que exibiu naquela manhã inteira, cravou o utensílio de cozinha em seu peito, na altura do externo, ligeiramente á esquerda de seu tórax. Fez isso numa só estacada, gemeu, suspirou e curvou-se sobre a mesa. Foi encontrado somente três dias depois, noutra bela manhã fria com sol. Quem o encontrou fora sua vizinha, que ao chegar de viajem, veio saber como passava seu amigo ancião, bateu em sua porta em vários períodos dos dias. Sabia que os filhos moravam fora, e presumiu que se o ancião fosse viajar deixaria algo em sua caixa de correio, ao menos um bilhete. Chamou então a polícia, esta teve que saltar o muro que dava para a rua, e arrombar a porta da sala, o cheiro que estava na casa já era muito forte, e haviam muitas moscas agitadas ali na frente, sobre o pequeno jardim árido. O soldado que adentrou primeiro a casa tomou a carta em sua mão, correu os olhos rapidamente, e disse para o colega que entrou na seqüência: “A solidão é foda!”
A vizinha veio logo que fora aberto o portão, ela se encarregou de entregar a carta aos filhos; o que deve ter feito ao professor de sociologia, que foi o primeiro a chegar no local.
Isso é tudo que sei, é tudo que conto, e ponto.
(com este conto, Jefhcardoso, participou de um concurso literário, ao qual não venceu, porém, deixou seu registro; um conto baseado em acontecimentos reais)

quinta-feira, novembro 05, 2009

O Sr. e o Dr. II



Ao perder a amada esposa em uma triste primavera, o ancião sentiu nascer-lhe uma dor profunda, a qual jamais havia sentido. Não imaginava que ao morrer seu amor ainda traria pungente aquele sentimento sublime de uma vida inteira. Sequer imaginou um dia perder seu amor. Porém o destino, indiferente que é as nossas tragédias pessoais, levou deste mundo a companheira do bom jardineiro. Ele contava 89 anos quando sentiu chegar a fria companhia da viuvez. Possuía filhos carinhosos, atenciosos que muito se esmeravam para suprir suas necessidades, contudo, a mais difícil realidade não havia maneira de remediar. Esta estranha chamada solidão, que adentrara em seus dias, e agora lhe era companhia ao levantar-se pela manhã, após a noite em que rolou na cama (que ficara enorme), ela também estava lhe mirando no café, no almoço, na longa tarde fria ou quente que fosse, no entardecer mais melancólico que já vira cair, e também na nova noite que viria.

Mas o amor quis falar.
O jardineiro não possuía mais as mãos firmes e hábeis para esculpir os arbustos, porém, suas mãos, com a graça de Deus, ainda podiam expressar o coração nas palavras que iam ao papel.
Na mesma primavera de perda e solidão, decidiu dar voz ao coração. Pediu um caderninho para a filha, disse que tinha umas anotações para fazer e; na primavera do ano seguinte eis que nascia o mais belo livro de poesias que eu já havia tomado conhecimento da existência. Ele o intitulou: “Ao Eterno Amor De Minha Vida”. Ali declamou belos sonetos de recordações, de saudades, de cumplicidade.
Todo ano seguinte, na primavera, pedia aos filhos para imprimir e encadernar novos sonetos. Depois, em posse do livro, o distribuía para toda família. Fazia um exemplar para cada ente, e alguns a mais; “para os amigos da família”, ele dizia. Quando o conheci estava trabalhando na nona edição. Atravessava um momento difícil, estava tratando de uma Pneumonia. Fui levado a sua presença, então me apresentei e disse que estava ali para ajudá-lo a restabelecer sua saúde. Ele então me olhou como se não tivesse entendido, olhou para filha, e retornou para mim com uma pergunta: _Você é médico? Expliquei que era fisioterapeuta. Ele continuou me olhando sem entender, eu repeti mais alto, pausadamente, até com uma leve separação silábica. O ancião voltou-se para a filha, e novamente para mim, e perguntou: _O Sr é enfermeiro? Expliquei sorrindo que eu não era enfermeiro; a filha acudiu e para simplificar as coisas disse: _Sim papai, ele é enfermeiro.
Achei melhor iniciar meu trabalho, afinal, o homem era do início do século passado, de uma época em que não havia fisioterapeutas conforme os conhecemos hoje.
Iniciei as terapias manuais e o ancião olhou-me nos olhos e disse num tom grave: “As pneumonias, no homem, são os capitães da morte e a tuberculose seu lugar-tenente, como disse certa vez Sir William Osler!”. A filha o exortou: _Papai o Sr é um exagerado, esta forte como sempre, e não teve mais que um início de pneumonia, o que já regrediu com os tratamentos; agora deixe o Dr trabalhar. Eu apenas sorria.
Em linhas gerais contou-me sua história. Foi então que tomei conhecimento do livro de sonetos, e das edições anuais, de sua vida na roça quando menino, de sua vida na cidade, como servente em uma escola onde passava as horas do almoço a ler poesias na biblioteca e copiá-las para declamar a sua musa póstuma. Contou que mais tarde tornou-se jardineiro, ali mesmo no colégio, e agora, pelo coração devastado por saudade, fez-se poeta.
A filha lhe chamava a atenção para concentrar-se nos exercícios. Ele os fazia, mas a cada movimento tinha necessidade de exibir mais um pouco de sua boa memória para os acontecimentos mais distantes.
Entre um exercício e outro recitava versos de sua autoria, de autoria de vários poetas, e por fim iniciou uma seqüência de cantigas dos cafezais. A filha já não mais o censurava, agora ria junto comigo.
Os exercícios transcorreram com a moderação adequada ao caso. Ao final, eu estava completamente agraciado por ter conhecido uma personalidade tão rara e agradável.
O poeta, ao ver que havia terminado os exercícios, encarou-me, apertou minha mão se despedindo e perguntou-me: _O Sr é médico?
Ao que respondi sorrindo que não. Ele olhou novamente para a filha, voltou-se para mim e disse por fim: _O Sr é então enfermeiro.
Eu expliquei novamente, mas sem ambição de convencê-lo. A filha abreviou dizendo: _Enfermeiro papai, o moço é enfermeiro. O poeta ancião, satisfeito, finalizou: _Ah, enfermeiro! Bom rapaz! Foi um prazer conhece-lo. Agradeci, e parti convencido que o amor é eterno, a poesia é a voz do coração, e a Fisioterapia, definitivamente, não é profissão do início do século passado.


(pequeno conto da autoria de Jefhcardoso, publicado nos jornais da região, assim como os anteriores)

segunda-feira, novembro 02, 2009

Lua dos mortos / Sol dos viventes






Quando a luta termina,
O sonho espira.
As forças de Morfeu se aniquilam;
A lua já não alumia,
E o sol brilha;
Morre noite / Nasce dia

Sol que se ergue,
Queima o dia imberbe,
Aquece e abrasa a pele;
Faz-nos molhar feito em febre.
Resplandece como se eterno.
Pobre dia que lento esvai e sequer percebe!

Sol resplandecente,
Servo de Apolo;
Eia! Eia!
Queima, Faetonte, tolo ardente!
Rompendo a alvorada da vaidade;
Deite-se, em fim, atrás da linha imaginária.

Eis as trevas!
Lentamente engole o dia ex-ardente;
Terror noturno,
Solidão latente.
Lua fria a espreitar a vida;
Fria a noite do dia que agoniza.

Venha lua solitária;
Serva de Plutão,
Sirva solidão,
Cubra com escuridão;
Em bandeja negra de imensidão.

Ainda que velha e farta de vida,
Triste é a noite que finda!
Vomita de vagarinho o sol nascente;
Que caminha sobre a gente,
Caminha,
E morre novamente.

“Por Jefhcardoso: aí está minha singela homenagem nesta data em que dedicamo-nos a refletir sobre as nossas mais profundas saudades. Que Jesus Cristo conforte todos os corações nostálgicos! É meu mais sincero desejo.”

domingo, novembro 01, 2009

Ser poeta ou não ser...



Ser poeta ou não ser...


A poesia é algo pessoal.Ser poeta é íntimo.
Há quem se diga poeta.
Poesia é uma maneira de olhar.
Não sou poeta.
Sou homem comum;
Vejo a vida que passa.


Sinto o amor,
A dor,
A graça,
O desejo,
A força,
E o cansaço.

Levanto-me da cama sonolento;
Lento o pensamento;
Estômago esfomeado;
Curioso para ver se é sol ou nublado.
Vôo e trabalho,
Trabalho e trabalho.

Feliz diante do prato.
Leve diante do amor.
Rijo no palco do meu espetáculo.
Forte na corrida.
Resistente a dor.
Longe enquanto durmo.

Não sou poeta.
Sou homem comum;
Ossos, nervos e músculos.
Sou perecível;
Humano falível;
Apenas ser sensível.
(por Jefhcardoso)

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails