Amigos

quarta-feira, outubro 28, 2009

Um Pouco De Tudo



Um Pouco de Tudo


A fonte da juventude,
O tempo,
O universo.

O livro,
A vida,
A morte.

O sonho,
A poesia,
O amor. Ah, o amor!

A saudade,
O sorriso,
A lágrima.

Eu,
Você,
Eles.
(por Jefhcardoso)



quinta-feira, outubro 22, 2009

Cartas a Tás (60 de 60) "O Fim"


Ituverava, 22 de outubro de 2009.




Para finalizar falarei do tempo, amigo. E não me refiro ao tempo que chove ou não chove, mas do tempo que passa, passa, passa...
Não é segredo algum a admiração que tenho por seu trabalho, por sua pessoa, pelos seus queridos. Também fui moleque no meio da molecada da R: José Sandoval. Tenho a alma encardida pelo sopro da nossa Bela Morena Rubra, mas hoje estou triste, e não é somente por ver o fim de um projeto ao qual muito me afeiçoei, nem pela falta de um coquetel ou aplausos, mas é por um amigo ituveravense que partiu após cento e uma primaveras de marcantes risadas.
Conheci o homem recentemente. Convivi com ele por apenas três meses (21.07 / 21.10), porém, foi o bastante para ter uma impressão fortíssima daquele senhor de seu século inteiro e mais um ano de vida.
Incrível, Cocão, o homem conservava a memória, a visão, a audição e o senso de humor levemente ácido; era um mau-humor cômico, proposital, meio maroto. Se lhe perguntassem se estava tudo bem ele dizia: _Não presta, estou ficando velho. Isso empunhando seu andador e com o dorso completamente curvo ao peso dos anos.
Certa vez lhe perguntei qual seria o segredo da longevidade. Sabe o que ele respondeu, amigo? Disse-me: _O segredo da longevidade, meu filho, é não bater as botas.
Como sabe, Tás, sou um sujeito especulativo, creio que não sou inconveniente, - posso estar enganado - mas entre um silêncio e outro, rompo com uma perguntinha despropositada; no entanto repleta de uma admiração curiosa quando estou diante de pessoa que muito me impressiona. Então, numa destas tardes, eu quis saber do meu amigo centenário: _O senhor, quando moço, imaginava ter um dia mais de cem anos? E sua resposta para mim foi mais que uma lição, foi um curso completo. Inclinando a cabeça lateralmente, olhando para fora da janela que exibia uma ponta de telhado e o céu azul, respondeu-me: _Eu trabalhava, às vezes pescava, e o tempo...o tempo passou.
É assim meu amigo e conterrâneo, o tempo passa, não é tão complicado quanto pensamos às vezes. Espero que tenha gostado de minhas 60 homenagens. Espero que tenha compreendido minha última homenagem dentro da homenagem e minha forma de dizer que Ituverava ama você; eu sei. Vi e contei. Da minha maneira é claro (riso).
E quanto a honra ao mérito: “Vai que é sua, Tás!!!!!!”
Abraço, caro amigo, e um cordial aperto de mão.

quarta-feira, outubro 21, 2009

Cartas a Tás (59 de 60) "O Meio"



Ituverava, 21 de outubro de 2009.
O desafio ao qual me propus não foi qualquer coisinha que se faça em um final de semana, eram 60 textos e mais de 60 fotos.
Como sabe, Cocão, sou pai de família, sou um profissional liberal com uma carga horária que dura o período em que se vê a luz do dia até o cair das primeiras trevas noturnas, e meu trabalho, apesar de eu gostar, não é bolinho; inicio o dia dentro de uma unidade de terapia intensiva e no restante do tempo visito as famílias ituveravenses com o propósito de levar qualidade de vida, com as minhas mãos e conhecimento, aos seus entes enfermos.
O que me resta de tempo não é algo que se diga: “como este sujeito possui tempo!”
Mas é isso, desafio é desafio. Tive meus percalços, andei meio abandonado por alguns dias, esquecido pelos amigos, mas para minha surpresa angariei leitores. Você crê, amigo? Hoje tenho mais de 2100 visualizações contabilizadas a partir do dia 20 de maio de 2009, ocasião em que instalei a ferramenta que registra as visitas ao meu blog. É bem verdade que não são comentaristas meus visitantes, mas são leitores.
Durante este período em que escrevi as cartas conheci diversas pessoas fantásticas, que me motivaram grandemente através de seus ensinamentos espontâneos nas situações mais corriqueiras.
Dona Lucília Junqueira, detentora de um prêmio Jabuti, disse-me: “Você leva jeito para a escrita, rapaz.”
Galeno Amorin, fantástico jornalista que possui um trabalho visceral para a leitura em nosso país, é ele o coordenador do maior estudo de comportamento leitor da população brasileira, parafraseando alguém, que não lhe ocorreu o nome na ocasião, disse-me: “Não somos nós que escolhemos a arte, mas ela é quem nos escolhe”. Decorridos alguns dias Galeno ainda me enviou um e-mail perguntando: “Como está comercializando seus textos?”. Ao que pensei: “Quem me dera!”
Um amigo meu, o Dedé da Santa Casa, também me ajudou muito; foi quem me abriu os olhos para o grande alcance de comunicação das imagens em contraposição aos textos, ele disse-me: “Uma imagem pode falar por mil palavras.” E foi após isso que decidi valer-me de minha modesta câmera amadora para ilustrar meus textos com as fotos de nossa cidade, conterrâneo.
Em fim, ficaria aqui por muitas horas rendendo agradecimentos a várias pessoas que de algum modo contribuíram para meu ânimo e aperfeiçoamento de meu projeto.
Longo caminho, porém, repleto de fantásticos amigos, boa caminhada (riso).

terça-feira, outubro 20, 2009

Cartas a Tás (58 de 60) "O Inicio"

Ituverava, 20 de outubro de 2009.
Sei que deve ter lhe causado estranheza saber que um conterrâneo, um Jefhcardoso, lhe renderia uma homenagem em 60 capítulos. Não pense que me escapa esta dosagem de esquisitice que há em uma obra tão inusitada. Até mesmo aqui em casa encontrei uma resistência inicial ao meu projeto. Déia que viu minha escrita pública nascer dizia: isso não é o seu estilo, ta “humorístico” demais. Tive que explicar por mais de dezena de vezes o propósito nobre de meu projeto.

Deve ter lhe causado espanto ainda maior o fato de ignorar eu ser um escritor em potencial. Sei que a língua pátria me é muitas vezes como um cavalo selvagem que salta, da coices e corre de meu alcance, mas não há cavalo indomável a quem esteja realmente disposto e razoavelmente munido de recursos físicos e cognitivos para tal intento.


Ao contrário de você que sempre se destacou na escrita e em tudo que envolvia comunicação eu era um menino quieto, um estudante modesto e muito tímido. Minhas redações não chegavam ao rodapé das tuas, mas eu tinha um segredo; se não era nas redações que eu dava vazão ao meu gosto pela escrita os diários eram meus fiéis confessores, ali eu me debruçava com alma e paixão. Não revelava isso a ninguém; nem a você, meu caro amigo. Diário, como todos bem sabem, não é lá objeto que um moleque de corridas na rua, de pés descalços no campão de terra, de brigas, carregue junto ao peito (riso). Mas era ali que eu exercitava uma escrita que aos 35 anos se tornou pública por uma fatalidade. Foi através de um texto muito comovido que escrevi na ocasião em que perdi um paciente muito querido, por mim e por todos que o conheciam, que minha escrita tornou-se publica em nossa cidade.
Meu texto fora imediatamente publicado em nossa linda Tribuna. Depois vieram outros textos, e outros. Passei a publicar no belo Progresso de nossa cidade, pois ali me deram um pouco mais de espaço para fazer “literatura”.



Decidi pelas razões que as cartas explicam lhe render uma homenagem.
Quando tomei conhecimento, através de uma pessoa que muito admiro, da existência de um livro chamado Cartas a Théo, de Vincent Van Gogh, imediatamente minha imaginação traquinas parafraseou: Cartas a Tás! Com acento agudo para que todos saibam que não é você, porém um personagem inspirado em nossa cidade, em seu sucesso, em tudo que leio e em coisas que vejo; e qualquer semelhança é mera coincidência.
Propus-me, como forma de desafio e exercício de escrita, a criação de 60 cartas. Iniciei com a de numero um, e veja no que resultou (riso).
Que graça teria fazer uma homenagem e não a apresentar?
Por isso lhe enviei uma mensagem a cada texto, amigo.

segunda-feira, outubro 19, 2009

Cartas a Tás (57 de 60) Amas tua terra?



Ituverava, 19 de outubro de 2009.
Olá caro amigo! Esta nossa terra possui mesmo encantos bastante incomuns aos olhos dispostos a apreciar a exuberância da natureza como um todo, em contraste com as construções urbanas.
Ontem tivemos chuva por aqui. É sempre incrível quando chove em nossa cidade após alguns dias de intenso calor.
Nossas primaveras são sempre assim; faz um calor que beira o insuportável, depois há uma mudança repentina no humor do clima, venta forte; e em grande parte das vezes caem volumosas gotas de chuva; trata-se de uma chuva esparsa, e de curta duração, mas às vezes, conforme ocorreu ontem, após grande ventania sobrevém água em abundância, num furor de vento e gotas aglomeradas a formar pequenas placas que arrebentam nas telhas, paredes, asfalto e janelas mornas. À noite o clima que beirava o insuportável torna-se deveras agradável. Uma deliciosa brisa fresca, com cheiro de terra úmida, perdura após o cessar da chuva e pela manhã temos um sol brilhante sobre o asfalto, o que confere um frescor cheio de luz e contrastes. Como bem sabe é este um espetáculo de rara beleza, amigo.
Estes dias são ótimos para uma corrida ao final da tarde. E com o horário de verão é possível, com sorte, para nós árduos trabalhadores, uma corrida ainda sob a luz do dia. Se corrermos pela Av. Dr. Paulo Borges e atingirmos uma parte alta da cidade, ao final do asfalto da ruazinha do parque permanente de exposições, por exemplo, teremos uma vista fabulosa: o céu exibe vários tons em azul, indo de mais tênue, claro á mais firme e intenso, tudo em perfeita harmonia com a alvura das nuvens, pinceladas como que ao acaso. Abaixo do céu, em toda direção que se olhe, encontramos uma elevação discreta que circunda toda cidade. Esta elevação é forrada por várias tonalidades de verde, e a terra nua não é observada facilmente nesta época do ano devido à viril fertilidade de nosso solo. Abaixo do cinturão verde vemos a pequena cidade caprichosamente assentada sobre o asfalto, suas ruas, sua arquitetura agradável, multiforme e modesta, sua variedade de cores, retratam a diversidade social e as épocas e tendências da construção civil.
Fato a lamentar é que resta pouco da Ituverava que nos viu crescer, mas ainda assim é um grande privilégio a visão desta pequena morena de pele avermelhada.

domingo, outubro 18, 2009

Cartas a Tás (56 de 60) Pobre Vincent


Ituverava, 18 de outubro de 2009.
Meu caro quase irmão, como deve ter notado tenho tido certa dificuldade em lhe escrever as últimas cartas da série. Ocorreu que com a exclusão do conto “O Cobrador”, decisão da qual não me arrependo, entrei em numa situação difícil quanto ao fechamento da série. É que tendo chegado a uma carta com uma imagem que, digamos, encerra a série de forma quase mágica, ficou difícil falar de outros assuntos senão de nosso encontro, amigo.
Tenho tido visualizações que, sem dúvida alguma, superam grandemente as minhas expectativas, uma vez que meu propósito sempre fora simplesmente ver-te novamente identificado com as causas comuns a todo ituveravense romântico e de alma encardida.
Ao ver-lhe falar de tantas coisas com especial carinho; das ruas nas quais arrancou a ponta do dedão ao tentar dar a bicuda do século sobre os paralelepípedos; do cine Regina e os filmes de Mazzaropi; seu sincero clamor por uma restauração de nossa querida estação férrea, cuja qual retratei imediatamente após seu discurso. Vi após estas demonstrações de inegável saudosismo e gratidão que meu propósito inicial revelado pela primeira vez na longínqua carta inaugural da série Cartas a Tás (01 de 60; do dia 20 de maio de 2009), finalmente havia sido alcançado, e antes mesmo que eu completasse a série.
Soma-se a isto que terminei a leitura do livro do Vincent que vinha concomitante a escrita da série, cujo nome fora inspirado no título do livro feito das cartas do pintor ao irmão, e para por aí a paródia, salvo esta ou aquela citação breve de texto contido no livro, pois o pintor avança a cada página por um caminho de decadência e descrença, ao contrário do que me ocorreu com minha série que fora algo feliz.
Vincent vendeu supostamente apenas um quadro em vida; uma tela de um vinhedo todo púrpura e amarelo; rechaçou o comentário muito favorável do crítico de arte Albert Aurier, publicado no Mercure de France em janeiro de 1890, por dizer-se avesso a publicidades.
O pintor, infelizmente, terminou em melancolia; e eu termino minha série com imensa alegria, caro amigo, com as orelhas intactas e com diversos projetos para o futuro.
E nas palavras do próprio Vincent que disse quando ainda cria no futuro, “aquele que vive sinceramente e encontra aflições verdadeiras e desilusões, e que jamais se deixa abater por elas, vale mais que os que sempre vão de vento em popa”, finalizo mais esta carta, que muito me aproxima da carta de numero 60, com um cordial aperto de mão.


segunda-feira, outubro 12, 2009

CARTAS A TAS (55 de 60) - NA TERRA BATIDA DA CADEIA



Ituverava, 18 de outubro de 2009

Cocão, meu velho, o que poucas pessoas sabem é de sua aptidão para o esporte bretão, que arrasta multidões por toda extensão continental de nosso Brasil a fora.

Certo é que, fora um verdadeiro demônio com a bola nos pés, meu amigo. 


Em outra carta, uma de número 19, cheguei a mencionar sua habilidade para conduzir a gorduchinha no campo das memoráveis peladas, velhaco. Sócrates nunca admitiu, mas foi com você que o doutor Magrão aprendeu a valer-se do calcanhar para ludibriar os adversários.


Você, seu matreito, possuía um bom chute de direita, mas era com a perninha esquerda, torta e forrada de densos furúnculos, alguns já adormecidos e outros plenamente ativos, perna forrada de perebas sobre perebas e banhada em pus,  que impunha o mais pleno terror aos goleiros de nossa época. Eles tremiam nas bases com seus potentes chutes a qualquer distância que fosse do gol. Era imprevisível o seu arremate, brejeiro. Com o semblante fechado, a cara contorcida em ódio, a arcada inferior projetada à frente e com os incisivos da base à mostra, punhos serrados, lá vinha o golpe furioso. A bola zunia. Infeliz do goleiro que cometesse a imprudência de interpor-se entre o gol e sua trajetória.


Lembra daquela ocasião em que derrubou o travessão com uma bolada violentíssima, quando jogávamos contra o time do Bicão? O goleiro, Pipão, tem problemas para lembrar fatos mais antigos e até os do dia de hoje. Ficou, por assim dizer, meio desmemoriado, lerdo, aéreo e fora de área, às vezes.


Mas a recordação que ficou mais viva em minha mente foi daquele jogo em que recebíamos o time da Vila São Jorge para disputar um mini torneio que o locutor Argemirão havia organizado para a molecada. As canelinhas finas chispavam umas contra as outras em meio à névoa que se erguia no campão de terra batida da antiga cadeia. Das celas, estendiam-se as mãos dos presidiários, que se divertiam fazendo movimentos a fim de aterrorizar os meninos mais medrosos, como eu, no caso.


A partida caminhava para seu final. Vencíamos por 2X1, resultado que nos tornaria campeões; lembra? O jogo estava muito disputado. O time da vila não parava de dar sufoco. Foi então que o treinador, sr. Diorgenes, chamou-lhe a um canto para conversar. No lance seguinte, já no campo do adversário, você correu para a bola e deu uma bicuda que a lançou para o lado de fora da cadeia; já havíamos usado esta estratégia por diversas vezes como recurso de finalizar a partida enquanto o placar ainda nos fosse favorável.


Você, Cocão, propôs-se a apanhar a bola e saiu em disparada rumo a rua José Sandoval. Apanhou a bola, precipitou-se para dentro de um bueiro e saiu apenas quando lhe avisamos que o time adversário havia desistido de esperar o retorno da única bola do jogo. Isso ocorreu quatro horas depois da sua bicuda. Foste um herói naquele dia como em tantos outros.


Comemoramos à grande. Tomamos muita guaraná maçã com pururuca artificial por conta do treinador sr. Diorgenes, lá na venda do seu Tóti Custório. Bons tempos aqueles! Bela jogada, parceiro!

domingo, outubro 11, 2009

Cartas a Tás (54 de 60) Feliz dia das crianças!


Ribeirão Preto, 12 de outubro de 2009.
Viu como ia ficando minha série Cartas a Tas, amigo?
Andei pensando e ao contrário do que eu havia decidido anteriormente, sobre incluir o conto “O Cobrador” na série que lhe homenageia, decidi guardá-lo por mais algum tempo, e quem sabe enviá-lo a uma editora quando achar ser oportuno, mas antes, como você bem sabe, precisarei realizar alguns estudos da gramática.
Se conservasse o grande conto na série de cartas o meu projeto de resgatar tua identidade ituveravense conheceria seu final na sexta-feira, dia oito de outubro, de dois mil e nove. Ao excluir o conto a série retrocedeu sete partes; numero de capítulos de “O Cobrador” que havia postado.
O conto que escrevi originalmente era para ter dez capítulos, mas na adequação para envio ao jornal de nossa cidade acabou ganhando um formato com mais capítulos, apesar de conservar o conteúdo de origem, com acréscimo de apenas um ou dois capítulos que me surgiram durante as transcrições.
Enfim, ocorreu que “Cartas a Tás” ainda tem oito capítulos para serem escritos; e como dizemos por aqui: “vamos acabar logo com essa bagaça”.
Falemos agora de algo mais alegre, do dia da criança que comemoramos hoje.
Fomos á Ribeirão Preto assistir uma companhia local apresentar o clássico “Cinderela”. Se não fiquei comovido, tampouco fui indiferente ao drama e ascensão da borralheira. Não sou muito afeito a esse negócio de final feliz, isso não me apetece, se é que você me entende. Prefiro começo, meio e fim razoavelmente felizes, algo mais constante e menos extremista.
Veja o caso de Vincent; o homem viveu da caridade do irmão, que parece ter sido o único a acreditar em seu talento; passou por diversas privações, absteve-se da vida real, como ele disse, para viver a vida de artista. Abdicou-se das paixões dos homens para entregar-se completamente ao amor da arte. Não conheceu a fama, a gloria, o reconhecimento enquanto vivo, e morreu pobre e falto do juízo; coitado! Teve um final trágico, no entanto foi feliz enquanto se deu a arte, por mais que sofresse foi feliz enquanto pintou.
Em minha opinião melhor mesmo é uma vida moderada, regrada nas alegrias e não abundante de tristezas.
Feliz dia das crianças, Old Boy!

Cartas a Tás (53 de 60)



Ituverava, 11 de outubro de 2009.
A primeira referência à nossa bela morena Ituverava, aparecida em obra impressa, é a de Luiz D’Alincourt, em sua conhecida “Memória”. Disse ele: “antes de chegar-se ao Calção de Couro, pouco mais de légua, existe agora uma capela sita em terreno desafogado, com mais de quinze moradas de casa, o que não havia em 1818; chamam a este lugar simplesmente Capela”. Naquela época quem imaginaria que o celebre Tas nasceria numa daqueles humildes casebres contidos no Largo Velho?
Estas palavras do oficial português do Corpo de Engenheiros não são bastante inspiradoras, Tas? Sim, sei que são...
Diziam ainda os primeiros exploradores, ao contemplar nossa querida morena de pele rubra: “é um terreno desafogado; a linha do horizonte é muito distante para todos os quadrantes, exceto para oeste, diga-se. Não vejo nenhuma elevação digna de nota. O assoalho urbano levanta-se lento, preguiçosamente de leste para oeste, do Rio do Carmo para a estação ferroviária”. Magnífico, não?
Consta ainda dentro desta bela descrição que encontrei no livro de José Geraldo Evangelista e achei de lhe enviar para apertar ainda mais teu coração com o cerco da saudade: “O coração da cidade, no entanto, é praticamente plano. O limite sul é bem nítido, graças ao córrego Lavapés (o mesmo córrego no qual ensinamos o Tavim Borges a nadar após engolir pequenos peixes, que teriam a propriedade de conferir a capacidade de nadar aquele que os ingerisse vivos), que está abrindo um modesto vale, enquanto ao norte o córrego Calção de Couro serviria para estabelecer uma linha divisória precária”.
Aí está, meu velho. Espero que tenha alegria nestas memórias.

sábado, outubro 03, 2009

Cartas a Tás (52 de 60)


Ituverava, 03 de outubro de 2009.
Pensando bem, o fato de estar na internet, e simplesmente na internet, não é algo ruim, amigo. Afinal, se me fecham as portas os periódicos de nossa terrinha, “Folha do Nordeste de São Paulo” e “Estadão da Mogiana”, não me é natural entregar-me ao rancor.
Dou razão a quem diz ficar no hospedeiro tal sentimento mesquinho, contaminante.
E de que me valeria trazer tal sentimento uma vez que sou desprovido do dispositivo de aplicação deste veneno? Sim, é de minha inapetência à vingança que falo. Não sou vingativo; não no sentido maligno da coisa; minha vingança seria “benigna”.
Vitória; este será meu anjo vingador.
Não estou mais sendo publicado por ninguém, velho Tás. Resolveram dar-me as costas e fechar-me as portas. Se um dia fui colaborador, sequer obrigado. Fato é que não sei qual a razão para que os que fizeram questão de se afigurar como amigos, incentivadores, entusiastas, me dessem de ombros agora, me abandonassem.
Primeiro minha querida professora: disse-me que minha escrita era fantástica, disse que eu seria um articulista; palavra que tive que procurar o sentido, pois confesso que o ignorava plenamente.
Depois me veio um amigo, concorrente da primeira por sinal, este disse que os leitores agradeceriam por poder deleitarem-se com os meus textos, deu-me atenção e demonstrações de consideração, e agora age de forma, no mínimo, contraditória.
É assim que tem andado minha escrita; sem qualquer apoio, sem qualquer incentivo, sem espaço em nossa terrinha. É como se dissessem: “Quer ser escritor? Seja por conta própria, pois nós não lhe daremos um elogio que seja”.
O que faço old boy? Desisto?
Não, nada disso; dessas pedras que hoje me atiram farei o pavimento de meu caminho; destes limões que me espremem na face farei um doce refresco para os dias de sede; e dos dejetos que encontrar por aí farei adubo para o crescimento de minha arte.
Quando um metalúrgico, um humilde torneiro mecânico, disse que seria presidente da nossa república, qual foi à reação dos que ouviram num botiquim de esquina? Na ocasião em que um jovem negro com problemas de comportamento disse que governaria a maior potência do planeta como foi que reagiram os ouvintes?
E que o Senhor, que foi tido em princípio como filho do carpinteiro, me proteja nesta empreitada e me dê entendimento das palavras: “De fato, vos afirmo que nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra” (Lucas: 04;24); e “Porque o mesmo Jesus testemunhou que um profeta não tem honras na sua própria terra” (João: 04;44).
Meu blog é a única morada de minha escrita, e minha escrita é o sonho que um dia se tornará realidade. Abraço, amigo!

sexta-feira, outubro 02, 2009

Cartas a Tás (51 de 60) Mulher mais sexy do mundo!?

Ituverava,02 de outubro de 2009.
Lembrei-me de você, Old Boy, ao ver estes resultados fajutos para apontar a mulher mais sexy do mundo. Imaginei você a suspirar e dizer: “Dizem estas asneiras por não conhecerem a Luzia Picolezeira no ápice de seus vistosos 50 anos!”
Concordo plenamente com você, Old Boy. No entanto não nascem mais beldades como as de nossos tempos; são todas... não sei, meio comuns, sem grandes atrativos, se é que você me entende, velhaco.Segundo uma revista norte-americana “Esquire” a atriz Kate Beckinsale, de 36 anos, é a mulher mais sexy do mundo, neste ano, é claro. Afinal a beleza é algo perecível. Mas me diga: é possível eleger algo deste tipo? Digo; é possível alguém superar as bilhões restantes? E mais: é possível ter opinião neste mundo?
(foto retirada da folha online/divulgação reuters)


Nesta mesma categoria, no dia 23 de junho de 2009, a atriz Megan Fox, de 23 anos, havia sido eleita, pelo segundo ano consecutivo, como a mulher mais sexy do mundo segundo os leitores de uma outra revista, a “FHM”. Afinal; todo órgão de comunicação deve eleger a mulher mais sexy do mundo? A mulher mais sexy do mundo só pode ser americana e trabalhar em Hollywood? (foto publicada pela folha online)












Em maio deste mesmo ano a mulher mais sexy do planeta era, segundo a revista “Maxim”, a também atriz americana Olívia Wilde, de 25 anos. O que concluímos com isso? Afinal, há vida sexy fora de Hollywood? (foto publicado na folha online)






















A revista Faces, de Ituverava não deveria lançar sua “mulher mais sexy do mundo”?
Por que não? Pois o blog jefhcardoso o fará em breve, e com justiça a beleza e não, proteção a empresa.
Tás, seu que você apoiará essa iniciativa, amigo.

Cartas a Tás (50 de 60) Último episódio de "Paraíso"


Ituverava, 02 de outubro de 2009.
O amor é lindo e incondicional. Quem duvidou de um final feliz para a "Santinha", Nathalia Dill, aí está a bela a contracenar com o ator ituveravense, "Óia o Truvão".
Quem via o pangaré do Tas, a trotar nas comemorações da semana da pátria, pelas ruas de nossa bela morena rubra, Ituverava, jamais imaginaria que aquele parente de asno se tornaria um ator famoso.
O eqüino era meio difícil, trotão, avesso a um cabresto, ruim de cela, como dizem por aqui. Mas o jovem Tás tinha algo em sua voz, em seu jeito, que encantava as bestas e essas lhe seguiam onde fosse, como a um flautista de Hamelin, porém sem flauta, apenas com os lábios a assoviar estridentemente.
“Óia o Truvão” era um “podro”, como dizem por aqui, hostil, traiçoeiro, indomável. Tás era garoto de sete anos, ainda não dizia uma palavra, todos o achavam um menino estranho, problemático. Era uma manhã de céu fechado, tempo nublado, quando o pequeno se colocou escorado na cerca de madeira a observar a fúria do animal que nenhum peão conseguia dominar.
Todos haviam tentado em vão, muitos juraram jamais repetir a empresa de amansar aquele bicho “demoníaco” como diziam, até que o menino franzino, afásico, das finas canelas de passarinho, abdome proeminente e cabeça de queijo graúdo se aproximou. Estendeu a mãozinha de dedos finos e encardidos num gesto de reclamar uma oportunidade. Atônitos os capatazes atenderam ao garoto. Este subiu de um salto sobre o lombo do animal. Agarrou-se com os dentes na crina do bicho e com as unhas dos pés e das mãos atracou-se no lombo do animal. Ao sentir que o animal partiria a escamotear cravou as unhas além do pelo do pobre, indo encontrar as carnes do bicho. “Óia o Truvão” disparou na direção de Capivari da Mata, e tanto o eqüino como o garoto só foram encontrados ao amanhecer do dia seguinte. Ambos extenuados. O animal vinha a passo lento, mal sustentava o peso do garoto de pouco mais de 20 kg, que dormia, porém sem desatrelar-se do couro do bicho.
Todos festejaram muito a façanha do garoto Tas. O cavalo tornara-se o mais belo da região, bem como o melhor adestrado e mais manso, revelando-se um prodígio da raça, sendo capaz de decorar um texto para a novela, cujos muitos atores globais fracassariam se tentassem.

Cartas a Tás (49 de 60) Por que não nós, Dão?

Ituverava, 04 de outubro de 2009.
Tás, acho que cada qual deve ser o que é, e pronto. Sei que assim como eu, você que é cidadão aqui da terrinha, sentiu uma mordida de inveja ao ver que o Rio se Candidatou e venceu Madri, após Chicago e Tóquio serem eliminadas na primeira rodada de votação.
Esta decisão tornou a Cidade Maravilhosa em primeira cidade sul-americana a sediar uma Olimpíada em toda história.
Tudo bem que a campanha do Rio contou com o ilustre apoio de Lula, e Pelé, como dupla de ataque, mas nenhum dos dois é carioca, um é pernambucano natural de Caetés, na ocasião distrito de Garanhuns e o outro, como todos bem sabem, é mineiro “Tricardiaco”.
Por que não apoiariam uma candidatura ituveravense? Por que não? Afinal somos uma potência agrícola, temos altos índices de qualidade de vida e ficamos a um pulinho de 400 km de São Paulo, 100 km de Ribeirão Preto, uns 90 de Franca e pertim de Beraba também, uai. Lembrando que todas as cidades supracitadas possuem boas rodovias que nos levam até elas. Temos um campo de pouso para aeronaves e o céu para voar. Temos o Rio do Carmo e Praia Grande é logo ali. Temos linha férrea. Temos diversos campos e quadras esportivas, temos espaço para construir uma imensa cidade moderna e o investimento para transformas Ituverava em uma cidade moderna, digna de causar inveja nas maiores do mundo, certamente, não seria maior que os que serão realizados na Cidade Maravilhosa.
Não quero parecer rabugento, retrogrado, anti-progressista, nem tampouco posar de palatino da moral. Mas gente; uai, o Rio?
Não é por lá que as balas andam perdidas?
Não é ali que o crime acua a autoridade?
Não é naquela instância que os jornais conseguem a maioria de suas pautas com notícias hediondas? Sim, eu disse noticias e não crimes. Porque tem notícia que francamente...
Bem, eu disse que não queria ser o chato a tacar a primeira pedra na comovente vitória de nossa cidade “maravilhosa”. Fato que, diga-se, levou o presidente ao choro copioso, a abundância lacrimal, a comoção.
No entanto não seria sincero de minha parte apenas alegrar-me. Afinal; onde colocaremos os nossos traficantes e suas balinhas mágicas, capazes de mudar em uma fração de segundo a vida de um trabalhador, estudante, atléta?
Concorda comigo, meu velho?

Cartas a Tás (48 de 60)




Velho amigo Tás, tempos difíceis estes que estou atravessando.
Num momento me senti nas nuvens. Provei o sabor de ser uma micro celebridade instantânea. Durante alguns dias vinha mais de 80 pessoas verem meu blog.
Fiquei feliz, radiante. Pensei que aquilo seria o início de uma grande escalada, que meus textos figurariam em vários lares e que, quem sabe, até uma editora poderia se interessar pelo que escrevo. Mas de uma hora para outra vi o sonho tornar-se, não um pesadelo, mas uma dura realidade. Meus leitores foram retornando para os modestos números do início desta empreitada. Numa semana eram 15 pessoas que me visitavam diariamente, noutra semana eram 6.
Os dias passaram, tive problemas com meu computador, o que me impediu de trabalhar com as postagens; fiquei mais de 10 dias sem internet. Neste período aproveitei para fazer outras coisas; li um pouco mais, dormi um pouco mais, e até andei de bicicleta por um longo trecho da cidade indo de minha casa á casa de um amigo.
Não posso omitir que nestes dias sem internet estive por duas vezes em uma lan house, onde passei rapidamente; postei um capitulo de O Cobrador na primeira vez em que fui, e na segunda vez coloquei um aviso de inoperante. Em consideração aos 6 leitores de cada dia.
Agora estou aqui. Não posso me queixar. Meu computador é novo, está mais rápido, porém tive que me deparar com a dura estatística de apenas um leitor por dia.
Obrigado Tás! Valeu amigo. Sei que não é de postar comentários, mas só de entrar em meu blog todos os dias não me deixando às moscas, isso já é uma atitude samaritana, a qual muito me apetece.
Amigo, estou de volta. Vou rumo à carta de numero 60. E quando atingir esta meta...Ah! Amigo, o céu será o limite!

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