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sexta-feira, setembro 18, 2009

Cartas a Tás (47 de 60) " Um Sonho De Sabedoria - Parte III de III"


...sem noção de em qual direção seguir.
Levantei-me e caminhei perdido, alimentei-me de insetos e mel silvestre. Parecia ser o fim de meu sonho, até que, no meio da floresta, ouvi vozes. Ao aproximar-me fiquei perplexo com o que vi: belas musas em uma reunião. Enquanto as observava, uma delas aproximou-se e disse: _Quem és tu, ó forasteiro? Por ventura é quem busca decifrar os enigmas da sabedoria?
Disse que sim e perguntei quem era ela. A moça, voltando-se ao grupo de musas exclamou num brado: _Vejam, amazonas, como são engraçados estes tipos, quando chegam parecem mesmo inofensivos, mas dêem oportunidade e verão quão traiçoeiros são! E voltando-se em minha direção concluiu: _Sou Pentensiléia Icamiaba, patife, e vejo que tens enfrentado os perigos como um bravo, a despeito de ser um homem. Sendo assim, direi a frase que lhe aproximará ainda mais da grande sabedoria: “É preciso coragem para ser um sábio”. _Siga-nos, seremos suas guias na continuação do caminho.
Pentensiléia não primava por paciência, mas era uma guerreira formidável, e nos tornamos bons amigos. Ela e seu grupo me conduziram em toda travessia pela floresta, até as proximidades da Bolívia, onde me confiou a um grupo que lembravam os antigos Incas, estes me guiaram até o Chile, ora em canoas, ora por terra. Na fabulosa cordilheira, contornamos os picos e seguimos até a margem do Pacífico, aproximadamente na altura de Arica. Ali segui navegando no barco Argos, do capitão Fernão. Seus falastrões marujos Hércules, Teseu, Nestor, Orfeu e outros; durante a viajem toda, não se cansavam de contar curiosas aventuras que teriam vivido em mares distantes; uma comédia aqueles sujeitos! Durante o percurso, de tão belas as paisagens, fiquei tentado a permanecer ali, vagabundo e sem destino. Porém, logo recobrei o juízo e, ao aportar em Vina Del Mar, segui para Valparaíso, indo finalmente a Santiago. Ali minha referência era uma casa antiga, apelidada de “La Chascona”. Ao chegar fui recepcionado por um simpático senhor, muito bonachão, que veio falar comigo: _Ablas espanhol? Perguntou-me, ao que respondi: _Nem um “poquito”. Ele apenas sorriu e serviu-me uma taça de vinho. Logo chegou o carteiro com uma correspondência que ele passou-me. No destinatário lia-se em letras douradas: “A alma de um sábio é impregnada por seu país”. No remetente dizia: _Do amigo Neruda.Foi quando senti um cutucão em meu ombro, eu ainda sorria satisfeito por tamanha viajem: “J. Homem Comum...Homem...Acorda J. ! Acorda Homem, ou vai perder a hora para o trabalho.” Respondi ainda um pouco sonolento: _Sim mulher. Já estou levantando, mas antes preciso escrever um sonho para enviar ao meu amigo Tás.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Cartas a Tás (46 de 60) "Um Sonho De Sabedoria - Parte II de III"


...dirigi-me a um pequeno estabelecimento, senti um cheiro inebriante de doce sendo cozido. Notei que, ao aproximar-me, o aroma se modificava, indo de doce de leite a de goiaba, deste ao de mamão, deste outro ao de figo, era algo incrível! Ao adentrar-me deparei-me com uma senhora bastante idosa a mexer o doce de múltiplos aromas.
Disse-lhe bom dia, ao que ela retribuiu. Perguntei que doce era aquele que cheirava tão deliciosamente, lembrando-me a infância longínqua. Ela sorriu com ternura e respondeu-me: _Este doce é uma receita muito antiga que existe antes mesmo da escrita, e que quem me passou foi um a senhora poetisa: Cora, Cora Coralina!
Ela tirou então do tacho uma colher das boas, fumegante, e veio em minha direção. Aceitei sorrindo, agradeci, e quando provei, não sei descrever o que senti; foi como se o frescor dos primeiros anos de minha vida tomasse conta de mim, e a cada bocadinho sorvido, uma saudosa imagem daquela fase dos meus primeiros anos vinha-me. Outra colherada e não me contive, desatei a rir; na seguinte, as lágrimas verteram em torrente. Fiquei constrangido, e tentando restituir meu domínio disse: _Desculpe-me senhora, nunca havia me ocorrido algo assim, eu nem sabia que havia ainda infância dentro de mim, devo estar falto do juízo.
Ao que ela redarguiu: _ Meu filho, não se reprima, “de infância é feito o doce sabor da poesia”.
Perplexo ao ver na simplicidade tanta sabedoria para a vida; guardei aquela frase no peito e segui em meu caminho.
Despertei por um breve momento, fui ao banheiro, retornei para minha cama achando curioso aquele sonho fabuloso, puxei o lençol e no estante seguinte já estava dentro de um aeroporto a ouvir o alto-falante anunciar: “Por motivos técnicos os voos para Manaus serão cancelados, por tempo indeterminado”. Pensei: “Que tenho eu com isso?”
Quando vi, veio falar comigo um piloto, chamando-me por meu nome. Dizia ele, no caminho até a aeronave, que sempre aceitava correr risco por uma boa causa. Assim, foi o piloto Mendes levar-me ao meu destino. Porém, o mau tempo causou uma pane no pequeno avião, e acabamos tendo de fazer um pouso de emergência sobre uma pista clandestina.
O baque fora muito violento, ao que o Mendes, que era ótimo piloto, não resistiu; uma tragédia!Fiquei ali me sentindo solitário, desolado, sem comunicação e...

domingo, setembro 13, 2009

CARTAS A TAS (45 de 60) "UM SONHO DE SABEDORIA - PARTE I de III"


Ituverava, 13 de setembro de 2009.

Tás, certa vez sonhei ser meu nome J. Homem Comum. Esse era meu nome de batismo. De algum modo eu sabia que era uma homenagem a meu pai, que teria sido um grande Comum.

Descendia eu de uma longa linhagem, talvez, se fosse levada ao início minha genealogia, encontraria como primeiro antepassado Comum um avô Adão, que fora caseiro no Sítio Paraíso.


Lá, neste sonho, estava em minha humilde rotina, quando tomei conhecimento da oportunidade de provar um gole do cálice da sabedoria.


Meu sono tornou-se agitado. Em meio ao tumulto onírico vi meu oráculo pessoal, onde lia: “Encontre as quatro frases do enigma e prove um gole do cálice da sabedoria.”.


Naquele momento, em posse das coordenadas, eu partia. Era um amanhecer. Seguia para a cidade de Ribeirão Preto. No caminho, pensava: “em caso de derrota, serei devorado como que pela esfinge?, mas se vencer, passarei pela fantástica metamorfose indo de Comum à grande sábio?; que sonho, que aventura!”


Em Ribeirão Preto, surgi diante do imponente Teatro Pedro II, ao qual jamais havia adentrado. Da porta principal, avistei um corredor que dava numa sala pouco iluminada, onde um homem de seus 45 anos, sob a luz de uma lamparina, escrevia muito compenetrado. Conforme ele movia sua pena vários decretos pairavam. Pigarreei, o homem ergueu os olhos disse-me: _Pois não, veio pelo desafio?


Com um leve aceno de cabeça respondi positivamente. Ele então concluiu: _Seja bem vindo! Meu nome é Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Habsburgo, porém, meus amigos me chamam simplesmente de Magnânimo. E trago a primeira frase que busca para ser sábio, a qual, na verdade, instintivamente já traz consigo.


Certo que era visível meu espanto. Então ele concluiu: _Não se espante, amigo, é algo muito simples; “o homem é capaz de vencer a ignorância com iniciativa”. Apertando minha mão, o Magnânimo despediu-se: _Parabéns! Boa viagem até a Goiás da poetisa, que é para onde deve ir imediatamente.


Despediu-se num largo sorriso. Logo me vi descendo até a rodoviária e iniciei a longa viagem; nove horas até Goiânia e mais três até a histórica Goiás Velho, o que no sonho não levei mais tempo que o equivalente a uma virada de página de um bom livro para percorrer. Lá chegando...

sexta-feira, setembro 11, 2009

Cartas a Tás (44 de 60)


Ituverava, 11 de setembro de 2009
Veja amigo Tás, na medida em que lhe escrevo estas cartas, na mesma proporção nos afastamos.
Por que digo isso?
Por uma razão muito simples: note que há uma resposta sua apenas para a carta de numero 2, as seqüentes, todas, sem nenhuma exceção, vão sem o menor indício de atenção de sua parte.
E é claro que não pretendo passar dos 35 aos 100 anos de minha vida lhe escrevendo cartas, amigo. Ora francamente! Era só o que me faltava! De mais a mais o conterrâneo há de convir que não é nenhum Sarney, Roberto Carlos, Pelé, Amado Batista ou Xuxa para que eu fique aqui lhe dando atenção como a um rei de algo.
Jogou onde afinal, amigo?
Bem, queira desculpar-me se nesta sou mais emotivo que racional, assim ficando destituído da própria razão.
É que nesta manhã ocorreu um fato delicadamente especial. Eu ia para o trabalho, peguei a rua que liga a avenida da represa com a rodoviária, a rua Luiz Aró. No caminho passei por várias pessoas que transitavam indo para ter com as mais variadas atividades; somos hoje uma cidade lépida, pulsante, movimentada, meu caro.
Chamou-me a atenção especialmente alguns tipos bem pitorescos. Ocorreu que entre crianças indo para a escola em vãs, serviçais da construção civil em suas bicicletas, trabalhadores de serviços burocráticos em seus belos e grandes carros e, grande numero de trabalhadores em seus veículos populares, todos trafegavam entre os “carroceiros”: veja você que em pleno século XXI, na era da informática, no mundo globalizado; homens de chapéu na cabeça, com suas colunas curvadas ao sentar-se nas tábuas que lhes servem de banco, com as rédeas a tocar seus animais modestos, de aparência apática até, trafegam como se os tempos modernos fossem mera ficção.
É isso que vemos aqui durante uma caminhada de mil metros, do trecho que liga uma grande periferia a um bairro de classe média, por volta das sete horas da manhã.
Nesta mesma manhã cheia de contrastes e cores avistei um senhor que carregava enormes pepitas de ouro de seu quintal para um depósito à 100m de distância. Ao me aproximar notei a grande familiaridade. Sabe quem era o senhor que carregava o ouro feito um duende das fábulas européias? Seu avô, meu amigo. Ninguém menos que o Sr Budaquidê Zumbi do Carmo. Ficou muito feliz ao me ver. Conversamos um pouco, ele contou-me até um causo a seu respeito, o qual contarei noutra feita quando dispuser de mais tempo, e quando eu disse que continuava tentando me corresponder com você ele admitiu que, apesar de você ser um bom menino, era um tanto orgulhoso, metido a besta. Mas louvou minha determinação e disse que o mundo dá muitas voltas, para que eu não tivesse desânimo em meu magnífico espírito. Foi o que ele disse. Agradeci e segui meu passo.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Cartas a Tás (43 de 60)


Ituverava, 07 de setembro de 2009.

Tás, há um modismo nesse ato de perseguir ao Ney. É fora Ney! Basta de Ney na política nacional e maranhense! Chega de Ney! Olhe, com tanta gente vestindo a camisa anti-neysista, até eu fico tentado a engrossar estas fileiras que servem de massa de manobra, e assim, quem sabe, conseguir aquele bom sentimento de engajamento, de atuação.
Sabe, ao ver o 7 de setembro ser associado a este pseudomovimento pseudodemocrático não pude crer de imediato; palpei-me, percuti a face, esfreguei meus olhos, dei pequenos murros na cabeça, lavei o rosto, olhei para o teto, tudo a fim de verificar se não se tratava de mais um sonho incoerente.
Ai de mim! Estava acordado.
Afinal, quem criou o Ney? Não indago dos tutores, mas dos que deram nutrientes para que aquele menino maranhense se erguesse chefe de estado, homem poderoso e; por que não dizer, escritor com cadeira na academia brasileira de letras?
A imprensa, como de costume, é um tanto obtusa. Sempre ha um jornalista de um grande jornal a lançar uma idéia qualquer como se fosse a própria planta do universo, assinada por ele em lugar do criador.
Na falta do que dizer dizem; “ vamos esculachar alguém muito grande, quanto maior o alvo do esculacho maior a atenção e o pano da manga que cingiremos!”
Sem medo de parecer sisudo eu pergunto: “Quantos Neys, em diversas proporções, existem em nosso imenso país?”
Lembra Tás, daquela ocasião em que formávamos chapas para eleições do grêmio estudantil da escola Prof Rosa de Lima? Formamos uma bela chapa, você era o candidato a presidente e eu era o seu braço direito, o vice.
Percorríamos o colégio no encalço da chapa dos garotos mais maduros. A chapa formada por Afrânio e Nicolas Carniça crescia em popularidade, na mediada em que a nossa, Amigos do Cocão, figurava como mera coadjuvante.
Foi quando você teve a fantástica idéia de distribuir balas e prometer coisas do tipo; estender férias, feriados e finais de semana, recreios com maior período de duração que as aulas, salgados e refrigerantes de graça para todos, e até um absurdo concurso garota camiseta molhada.
Você prometia enquanto enfiava a mão num saco e distribuía balas a torto e direito. Não pude ser conivente com aquele abuso, com aquela fábrica de promessas impossíveis. Então rompi imediatamente com nosso pacto político.
Assisti aquelas eleições de fora, retirei minha candidatura à vice, e mantive o silêncio como meu manifesto de resignação.
Você venceu a qualquer custo as eleições para o grêmio. Passados alguns dias ninguém se lembrava de cobrar suas promessas. Seu governo seguiu inexpressivo como o de tantos. Ninguém exigiu seu impeachment (impugnação de mandato); ninguém pegou cartazes e faixas para dizer “Fora Cocão!”.
Por que desenterrei isto? É que nesta data cívica eu queria apenas dizer que, política não se faz assim, perseguindo grandes nomes pelas ruas; mas sim com educação, na origem, na base, no lar e nos primeiros bancos escolares. Ensinando o garoto que levar vantagem como individuo não é um grande feito quando muitos saem em desvantagem para a ostentação de apenas um. E que o homem é um ser político por natureza, zoón polítikón, isto é, animal político, como definiu certa vez Aristóteles, e que a existência de nossa espécie depende da mútua colaboração entre todos.Por fim uma frase de minha autoria que me ocorre enquanto deito estas humildes linhas: “Política é a arte de promover o bem de todos valendo-se da competência e habilidade de poucos e não o contrário.”

sexta-feira, setembro 04, 2009

Cartas a Tás (42 de 60)


Ituverava, 04 de setembro de 2009

Era para ter sido o mais lindo baile do Havaí. A A.A.I estava enfeitada como se fosse a própria Honolulu.
Memorável!
Desculpe Tás, sei que nunca cicatrizou por completo aquela ferida. Perdoe-me amigo. Errar é humano. Leia com atenção minha explanação e se ainda achar que há culpa em mim continue cumprindo o rigor deste ato de mordaça.
Veja que sou quase inocente.
Luzia Picolézeira, era a musa de 10 entre 10 garotos da época. A menina veneno de nossos olhos.
Ela tinha algo que inebriava a todos adolescentes, como uma sereia e seu canto doce a atrair marujos para as profundezas do mar; lembra, amigo?
Naquela época eu ainda tomava umas e outras, e todos estávamos meio altos. Você não passou bem após tomar a tal pinga envelhecida dentro do coco da Bahia. Foi retirado do salão e levado para o pronto socorro, onde permaneceria atado a um suporte para receber um soro glicosado na veia até amanhecer o dia. Oh que dia triste!
Eu e Luzia, ficamos sós, ali, conversando, dançando e bebendo a pequenos goles.
Meu amigo, não é nenhum segredo que naquela época Luzia era minha musa assim como a de uma geração inteira de rapazes ituveravenses. Aquele olhar convergente, aquela ptose palpebral maliciosa, seus belos vestidos de festa; em sua maioria, ou totalidade, vermelhos escarlate. Ai de mim, amigo! Ai de mim!
Falamos por horas, de você é claro, porém, após ás três horas da manhã, já riamos de você mais que falávamos, amigo.
Ás quatro horas; hora em que começaram as músicas de dançar mais coladinhos, ela disse ao pé do meu ouvido, sem nenhuma inocência na voz: “Preciso ir, pois estou com dor de barriga e tenho medo que aconteça o pior”. Eu, cavalheiro que sou, propus-me acompanhá-la até o toalete, mas ela disse que só conseguia em sua casa: _se é que você me entende.
Vi-me no dever de acompanha-la. Foi o que fiz; e como me arrependo daquele passeio pela madrugada.
Conversamos uma prosa ébria, ininteligível, por todo caminho. Éramos dois cães cambaleantes, vagabundos a cortar o belo jardim do éden da praça 10 de março.
De tanta náusea paramos algumas vezes no caminho afim de...você sabe; afim de aliviar o estômago, chamar o Hugo, o Juca, como dizemos por aqui.
De tanto passarmos mal acabou por gerar certa cumplicidade entre eu e a Picolezeira.
Mais alguns passos e... a cumplicidade aumentaria; a incontinência urinária da coitadinha constrangeu-a sobremodo.

Num estado deplorável chegamos diante o portãozinho de sua casa, totalmente desidratados, e carentes, é claro.
Tanta amizade puxou do íntimo a imensa admiração que nutríamos um pelo outro. Tanta admiração arrancou para fora os instintos que se sobrepuseram à razão.
E num momento de fraqueza mor, num desatino, como uma forma de reparação para aquela carência que nos dominara; nos beijamos.
Dona Rosa Ângela Maria, que estava em sua janela a espreitar os modos dos que desciam do baile, viu o beijo. E eficaz como o mais abrangente órgão de imprensa de nossa cidade, apressou-se em levar a novidade a todas comadres de ouvidos plantonistas.
Estava feito o escândalo: “Jefhcardoso fora pego aos amaços com Luzia Picolezeira, diante do portão da moça, enquanto o namorado dela, Tás, estava hospitalizado em estado grave, a beira de um coma alcoólico”.
Tás, eu assino “mea culpa”. Com o sangue do arrependimento que corre em minhas artérias. Se há alguma inocência no ato que quebrou nossa bela amizade, que sirva de semente para o ressurgimento desta, e que ela nasça como planta bela e vigorosa no solo de nossa bela morena de pele avermelhada Ituverava.Perdoa-me, amigo?

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