Amigos

quinta-feira, julho 30, 2009

Cartas a Tás (35 de 60)


Ituverava, 30 de julho de 2009


Ziraldo disse: ‘Sarney é meu amigo’. Lula também defende o Ney. Sendo assim, não vejo por que me inibir em confessar: Sarney é meu ídolo, Tás.
O que há de errado com a opinião pública? Afinal, o inimigo público numero um é o Sarney?
Que mal fez Sarney que até então ganhara tudo da nação, por mérito, por habilidade retórica, por cultura e inteligência? Venceu sem jamais pegar no cabo de uma inchada, sem molhar a camisa, sem lecionar em universidades, sem roubar ninguém a mão armada.
Como alguém pode ser destituído de filho dos mais queridos de um país, para ser esculhambado pelo mesmo, de uma hora para outra? E se descobriram somente agora que o Ney existe, quantos Neys existem espalhados sem tantos holofotes sobre si?
A opinião pública esta pejada de inveja! Infelizmente esta é a verdade. Cada vez fico mais decepcionado com as gentes, que me parecem, na verdade, uma boiada seguindo ao som de algum berrante virulento por aí.
Dizem que ele é nepotista. Por que dizem isso só agora?
Dizem que ele é coronel. Desde quando?
Acham injusta a cadeira que lhe foi cedida na gloriosa Academia Brasileira de Letras fundada pelo saudoso e inigualável Machado de Assis. A academia será ignóbil?
Tanta coisa mais importante para nos preocuparmos e ficam aí falando mal de um senhor, ex-presidente da republica, um senador, um ícone da história política nacional. Preocupemo-nos com o que realmente é de interesse, como por exemplo:
Onde andará Ulisses?
Que fim levou o Robin?
Michael Jackson morreu? Cadê o corpo que ninguém viu?
Romário está falido? Como assim?
Aquele cara que todos desconfiam é mesmo gay?
Há vida fora da terra?
O homem foi á lua?
Quando finalmente terminará a novela das oito e criarão outra atração para o horário, por exemplo, o futebol das oito?
Meu amigo, fui chamado de hipócrita por dizer que achava injusto os ataques que estão fazendo ao nome de Sarney. Quem é hipócrita afinal?
Mustar grauart des chumbrega?

domingo, julho 26, 2009

Cartas a Tás (34 de 60) Acidente com Felipe Massa.


A foto de Felipe Massa com o capacete avariado, o rosto sangrando e levemente desfigurado, e o olho direito expressando espanto, me causou grande mal estar.
Estou acostumado a vê-lo em seu ímpeto competitivo, com sua energia jovial, e de repente, por uma molinha saltitante na pista, a vida por um fio.
Lembra Tás, dos rachas na avenida Dr Soares de Oliveira? Lembra daquela ocasião em que você aceitou o desafio do Victor Vinícius Neto Sobrinho Junior, filho do prefeito?
Tudo apenas para impressionar a Luzia Picolezeira.
Você contava apenas 17 anos naquela feita, era o James Jim da Mogiana, em seu Maverick preto, causava terror aos moradores de nossa pacata cidade. A máquina possuía motor V8 envenenado, vidro fume, era o famoso Negão Bebum; como a cidade apelidara seu possante que lhes causava um paradoxo de medo e admiração.
Todos se benziam três vezes quando ouviam o ronco do motor, que precedia sua aparição. Parecia um anunciante do apocalipse, a verdadeira besta exalando fumo de seu escapamento.
Muito gumex no cabelo ruim, um jeans desbotado, cigarro de palha no canto da boca...
Lá estava Tás. Montado no Negão Bebum acelerava, acelerava, acelerava e, partia ao sinal de um disparo de 38; Tempos rebeldes aqueles!
Naquele racha você disse ao Vitor Vinícius Neto Sobrinho Junior, que lhe daria dez metros de lambuja (vantagem), ao que o jovem almofadinha recusou com ar de escárnio, pois o carro do papai dele era importado, e cheirava a novo, era o que havia de melhor na cidade, o único Dodge Super Bee da época.
Para você era o mesmo que um pangaré que ficaria comendo poeira após ser ultrapassado.
Aquela noite entraria para a história de nossa cidade como uma das mais sangrentas de todas.
Vocês na ânsia de vencer se esqueceram completamente que a avenida terminava num humilde casebre. Verdade que você não ultrapassou o Vitim sem dificuldades, e quando o fez, tomado pelo êxtase da vitória, esqueceu-se completamente de tirar o pé do acelerador, creio ter pisado ainda mais. O resultado foi uma tragédia. Ai de nós! Atropelou o menino que tomava banho naquele momento. Atropelou as outras quatro crianças da casa e os pais que jantavam uma sopa rala. Todos ficaram gravemente feridos, porém todos se salvaram graças à habilidade de nossos cirurgiões, que dizem ter usado até metal dos trilhos da companhia ferroviária para fazer os reparos ósseos. A população, enfurecida, quis lincha-lo, e só não o fez por que fora esperto e caiu na braquiária, aquele matinho famoso por estas bandas, antes que lhe avistassem.Literalmente vazou na braquiária, amigo.

Cartas a Tás (33 de 60)




Ituverava, 26 de julho de 2009


Aqui estou mais uma vez, meu amigo Tás. O mundo não dá um tempo. Os acontecimentos não param, mas a memória...Ah! A memória! Esta ganha em vigor a cada alvorada que se revela aos olhos dos viventes.
Esta semana estive em companhia de um Sr de 101 anos de idade. Ele nasceu em 1908. Se os anos 1950, 1960 e 1970 parecem tão distantes; o que dizer dos primórdios dos 1900?
O homem é lúcido. Conversa pouco, o que para mim é sinal de lucidez (riso). Tem lá umas escapadas de memória, umas confusões quanto à escalação do grau de parentescos dos familiares, mas isso é nada diante a serenidade, boa audição, boa visão e respostas coerentes do ancião.
Perguntei-lhe se havia imaginado, lá na usa mocidade, ultrapassar os 100 anos. Ele respondeu: “trabalhava na lavoura, tinha por distração a marcenaria, vez ou outra ia pescar, e o tempo (breve pausa) passou”.
Foi isso que ele disse. Com calma. Com resigno. Com simplicidade. Com sapiência.
Já parou para pensar em como será quando estiver com 100 anos?
Sentará a porta de sua casa de fronte a Praça Rui Barbosa, do nosso centro cultural, com sorte em companhia de uma bela enfermeira, que se não desperta paixão ao menos ornamenta bem o ambiente com sua presença feminina. Esta moça nem saberá de que se trata as velharias de que você tanto falará como; twitter, blog, videomaker, serão cousas tão ultrapassado como tanoeiro, mineiro e bedel.
E então, com um livro de contos de Jefhcardoso, exclamará a quem queira ouvir: “conheci este escritor antes de ele ser famoso; bom moço, bom moço!”

É isso amigo. Apenas o tempo trará o verdadeiro valor desta amizade.

terça-feira, julho 21, 2009

Cartas a Tás (32 de 60)




Ituverava, 21 de julho de 2009


Erramos.

Esta foto que segue em anexo não é do Marcelin de Ituverava, mas do escritor de Feliz Ano Velho, Marcelo Rubens Paiva.
Se errar é humano eu sou deveras humano, pois erro mesmo.
Tás, mais uma injustiça relacionada a homenagens, menções e títulos ocorreu em sua carreira, amigo. Lamento sinceramente. Quero que me desculpe, que desculpe meus colaboradores. Erramos ao publicar a foto do escritor Marcelo Rubens Paiva como se fosse o Marcelo de Ituverava.
Já entrei em contato com o escritor e prestei as devidas explicações, ele pediu que tirasse uma outra foto, uma vez que aquela já estaria comprometida com o fiasco que cometemos. Segui para o Rio de Janeiro, local onde o Paiva se encontra acompanhando as filmagens de Malu de Bicicleta. Lá fizemos outra fotografia, por sinal em um cenário muito parecido com o da primeira (coincidência imensa). O cara não gostou nada de ser confundido com você, Old Boy, nada pessoal. Mas tudo bem; fazer o que?Da próxima vez eu e minha “equipa” teremos maior atenção.





domingo, julho 19, 2009

Cartas a Tás (31 de 60)


Ituverava, 19 de julho de 2009

Trago novidades, amigo Tás. Estive falando com pessoas daqui da terrinha vermelha e acho que finalmente o meu laborioso projeto, Cartas a Tás, começa a apresentar seus primeiros frutos perenes.
Digo isso, pois, me é motivo de grande orgulho informar-lhe que nossos legisladores, que são leitores assíduos da saga Cartas a Tás, decidiram reparar um erro grotesco cometido pela TV da região, que homenageou nosso município citando o nadador Gustavo Borges, o Poeta Vitor Martins e o Rei do Algodão comendador Takyuki (in memoriam) e não lhe incluiu nesta homenagem (o que me motivou neste empreendimento literário que tanto me consome): “Sr Marcelo, é com grande orgulho que venho por meio desta lhe informar, em primeira mão, que, lhe será concedido o honroso Título de Honra ao Mérito Ituveravense”.
E isso não é por seu diploma em Engenharia Civil pela escola politécnica da USP, nem por aquele conjunto habitacional que nunca saiu do papel, quanto às casas, prédios e pontes que você fez e caíram, tudo isso são águas passadas, tirando os prejudicados, ninguém nem comenta mais isso.
Mas foi pela trajetória de jornalista e comunicador que o legislativo de Ituverava lhe reconheceu.Parabéns Marcelo! E esta imagem que segue a esta carta é para que ninguém tenha dúvida do quanto meu projeto é baseado no simples propósito da amizade, Velhaco.







sábado, julho 18, 2009

Cartas a Tás (30 de 60) Melquíades e Amaranta I


Ituverava, 18 de julho de 2009


Contei-lhe amigo, que temos companhia de um jovem casal em nossa casa? Sim, é um casal que veio hospedar-se conosco a pedido de pessoas amigas, gente muito amiga, as quais não poderíamos em espécie alguma recusar a tal apelo.
No mais tínhamos disponível no fundo de nossa casa um grande quarto com banheiro, que a muito vinha desocupado.
Conheci o jovem casal em casa de Dona Zilá e Seu Ermelindo. Na época dona Zilá dava casa e pensão ao casal, porém Dona Zilá sofreu uma queda ao solo, fraturou o fêmur, e me perguntou, certa vez, durante uma de minhas visitas, em tom confidencial, se eu poderia receber o casal em minha casa por algum tempo. Respondi que precisaria consultar Andréia e que, dependendo do que ela me dissesse, daria a resposta, mas adiantei que era certo que Andréia não se recusasse a ajudar o jovem casal; o que veio a confirmar-se após eu falar com ela.
Na verdade os recebemos com uma boa acolhida. As crianças adoraram o fato de termos visitas, e no mais, onde ficaram instalados, no quarto independente do fundo da casa, deu liberdade a ambas famílias.
O rapaz, pelo que soube, é cantor; seu nome é Melquíades e, passava os dias ensaiando, o que não nos incomodava. Havia algo de tradicional e profissional em seu canto, que me remetia às modas de viola da infância, e os horários em que ele ensaiava não nos incomodava em nada. Ele iniciava bem cedo, logo ao romper da manhã e também terminava antes do entardecer. Já a moça, Amaranta, passava os dias nos afazeres domésticos, me parecia meio apática, mais tarde soube a causa de sua apatia. É que estava em estado gestacional. Ambos se revelaram muito agradáveis e de fácil convívio.

Cartas a Tás (29 de 60) Melquíades e Amaranta - II


Ituverava, 17 de julho de 2009


A gestação da moça foi evoluindo normalmente, então, veio um momento delicado para o jovem casal.
A moça passou a repudiar o cantor, e este passava o dia desolado, andando de um canto para outro no quintal, víamos e achávamos melhor não nos intrometer. Seu canto tomou um tom melancólico, ele realmente estava solitário e tristonho.
Era comum o ver passar cantarolando em redor da casa, ou parado em algum canto a contemplar o vai e vem dos pássaros urbanos.
A moça passava o dia em seu leito, levantava-se apenas para alimentar-se ou fazer suas necessidades, seu humor era terrível e nem conosco ela queria contato. Ficamos preocupados, providenciamos algumas vitaminas em sua dieta.
Ao final da gestação ela se apresentava bastante abatida; era visível.
Mas numa bela manhã de outono tivemos a grata alegria de ver uma criança chegar para alegrar ainda mais nossa casa. Era um belo garoto, muito parecido, de certa forma, com seus pais, seu nome era José Arcádio, mas o chamávamos apenas de “moleque”. Moleque isso, moleque aquilo; o moleque era a alegria de todos! Amaranta revelou-se uma ótima mãe, extremamente afetiva e zelosa. Já Melquiades, como pai, parecia ter amargurado algum ressentimento inconsciente pelo período em que fora repudiado pela esposa durante a gestação, e acabou, de certa forma, transferindo isso para o garoto, então ficou meio frio de início, mas bastaram os primeiros contatos para derreter algum gelo que estivesse encapsulado seu bom coração de artista da voz.

Cartas a Tás (28 de 60) Melquíades e Amaranta - III


Ituverava, 16 de julho de 2009


O garoto enchia os olhos de todos. Era lindo vê-lo brincar. Não demorou em estar correndo para todos os lados.
A família que compuseram ficou muito linda, nos afeiçoamos como a membros de nossa própria família.
As crianças ficaram encantadas com o garoto, este se revelou um verdadeiro traquina dos maiores.
Os dias passavam em perfeita harmonia, porém, o perigo ia debaixo de nossos olhos e não o percebíamos.
Chamei a um pedreiro e melhoramos as instalações para que a família tivesse maiores condições de conforto. Intensificamos nossas visitas a eles para dar assistência integral a jovem família e, quando tudo parecia ir as mil maravilhas, eis que o destino apresenta sua face implacável e indiferente a toda tragédia pessoal.
O garoto brincava alegremente pela manhã quando nosso cão, ao encontrar o portão que dava para o quintal aberto, invadiu-o, foi direto em direção ao garoto, avançou na cabeça do moleque, e só houve tempo para um socorro tardio e ineficaz.
O garoto foi ferido fatalmente em sua cabeça, não houve nada que pudéssemos fazer. Andréia correu para o quintal ao ouvir a gritaria dos pais. Fui logo em seguida. Vi os pais em estado de choque, estes me observaram tomar a criança inerte em minhas mãos. Foi horrível! Algo monstruoso, indescritível.
O dia que era ensolarado tornara-se opaco no exato momento em que a cena desenrolou-se.
Minhas crianças choravam copiosamente, os pais estavam totalmente passados, Andréia também chorava, coube a eu tomar todas providências para o velório e o funeral.
Os pais do garoto não falam sobre o assunto. Estamos tentando tocar o barco. Apesar de não falarmos sobre o assunto; jamais consegui ver a raça canina com os olhos prévios ao ocorrido.
Já tentei convencer-me que o instinto leva a tal barbaridade, mas o fato é que tomei asco pela raça, e não consigo dissociar tal ato, da crueldade vil.
Tenho algumas fotos da família deles, inclusive do garotinho. Quer ver?

Cartas a Tás (27 de 60) Melquíades, Amaranta e o Moleque (in memorian)




Aqui está a família da qual lhe falei. O jovem casal e o garoto (in memorian). Soube mais tarde que são de origem estrangeira, família erradicada há muitos anos aqui no Brasil. O garnisé (por vezes grafado garnizé) é um termo que se refere a diversas raças de galináceos menores que a galinha doméstica. Aqui no nosso país, os primeiros exemplares foram trazidos da ilha Guernsey, na Grã-Bretanha. Também são conhecidos pelos nomes de galiré, galisé, galiséu e jamaiquinho (termo considerado pejorativo pelos garnisés mais conservadores). No interior da Bahia, por exemplo, essa espécie de galináceos recebe também os nomes de galinha-da-índia, galinha da costa e galinha-do-reino. Aqui em nossa querida Ituverava é comum ouvirmos dizer Galinzé, o que imagino ser alusivo ao Zé, grande criador de galinhas, logo, Galinha do Zé, ou Galinzé.
Obs.Texto baseado em informações da Wikipedia.




terça-feira, julho 14, 2009

Cartas a Tás (26 de 60)


Ituverava, 14 de julho de 2009


Amigo Tás, nós aqui da terrinha jamais o culpamos pela primeira vez em que tentou nos abandonar e acabou retornando com o rabinho por entre as penas.
Você, naquele momento, foi envolvido em alguns acontecimentos que eu não julgo indiferentes. A ocasião em que fugiu com o circo, por ter-se encantado pela mulher barbaça, e acabou retornando para nossa terra onde permaneceu por vários meses na roça, sem dar as caras na cidade, com medo que o atirador de facas, o marido da mulher barbaça, viesse até Ituverava a fim de restaurar a honra corrompida durante o período em que você acompanhou a companhia circense nos espetáculos realizados ao longo da Anhanguera.
Mas aquilo passou, você amadureceu, tornou-se menos impulsivo, até leu a Bíblia, que considero o melhor conselheiro para todas épocas, inclusive a atual.
Você me disse um dia: “Eu sou como aquela pessoa do Príncipe Michkin”, e eu lhe respondi: “Sim, mas nem tudo está perdido, você pode tratar-se; você sendo assim, não muda em nada a amizade que tenho por você, no mais, você é mais profundo que Michkin, e não sei se...” Então respirei um pouco e conclui: “no fundo, bem lá no fundo você não passa de um grande romântico, fanfarrão”. “E no fundo, bem no fundo”, vejo em você o Ituveravense de nariz escorrendo, barrigudo, de pés descalços a correr atrás das pipas no jardim da praça 10 de Março, aos gritos com sua voz esganiçada, o verdadeiro Tás encardido, o grande amigo ao qual não desisto de chamar a razão.

quarta-feira, julho 08, 2009

Cartas a Tás (25 de 60)

Ituverava, 08 de julho de 2009.

Vejo que enaltece alguns comentaristas de seu blog e que lhes tributa a salvação de seu dia. Mas o que dizer de quem se dedica a você em tempo integral? Não vejo um comentário seu nas minhas famosas Cartas a Tás, amigo conterrâneo. Quero ver como será quando eu for mais conhecido que o Jackson e mostrar para mídia o desprezo com que tratou minha figura, meu empenho.
Sei que tenho sido ausente nos últimos dias, e se for para ser sincero, temo lhe magoar. É que enjoei um pouco de falar com você sem receber resposta. Sei que vai dizer que bastou eu conhecer gente importante para diminuir meu apreço pelo conterrâneo, mas não é nada disso. Na verdade não abandonei o meu firme propósito, apenas estou tomando fôlego, uma vez que, é cansativo falar contigo, como é cansativo falar com uma porta fechada.
Quem lhe mandou um abraço foi o Magrão. O cara continua o mesmo galhofeiro de sempre. Perguntou se você criou tipo de gente, perguntou também se agora você toma banho regularmente, e se parou de consumir crecas de nariz. Veja que disparate! Disse que pretende lhe fazer uma visitinha aí em Sampa.
Estou lhe enviando uma foto que tirei junto com o cara. Espero que mate um pouco da saudade, amigo.
(Na foto eu e Magrão lhe mandando um abraço, Tas)

domingo, julho 05, 2009

Cartas a Tás (24 de 60)


Ituverava, 05 de julho de 2009.


Amigo, enquanto você esta aí em Paraty, vivendo como se o mundo fosse um livro, os giros do planeta não cessam. Falei com o oficialmente primeiro astronauta profissional brasileiro, por que nós, tás, somos meros amadores em voos espaciais, e o cara foi show de simpatia. Marcos Pontes recebeu-me com um sorriso, ouviu minha exposição e ficou de estudar a possibilidade de, em uma outra viajem, colocarmos uma bandeira na lua, onde haveria as inscrições: “Marcelo Tás é de Ituverava SP, Jefhcardoso é o cara e, que ninguém duvide mais disso”.O primeiro vôo espacial de Marcos Pontes ocorreu em 29 de março de 2006, a bordo da espaçonave russa Soyuz TMA-8, como tripulante da Missão Centenário. Ele tripulou a Missão Centenário, permanecendo 10 dias no espaço.

Cartas a Tás (23 de 60)

Ituverava, 05 de julho de 2009.



Marcelo Tás foi a Flip, esqueceu do mundo por lá. Enquanto isso, do outro lado do mundo, Jefhcardoso segue em seu esforço desmedido, a fim de resgatar a cidadania perdida do amigo, agora famoso para o grande público das tvs abertas.
Estive falando com o escritor e jornalista, Galeno Amorim; Falei de você, Tás, e o sujeito, simpaticíssimo que é, foi muito atencioso, disse que apoiaria meu projeto, e que leria com atenção meus textos, apesar de seu tempo ser escasso nos últimos dias. É que o Galeno trabalha intensamente pela cultura nacional, é ele o coordenador do maior estudo sobre comportamento leitor da população brasileira e também detém os dados de um estudo inédito em Ribeirão Preto, realizado pelo instituto Ideall (instituto de Desenvolvimento de Estudos Avançados do Livro e Leitura).

sexta-feira, julho 03, 2009

Cartas a Tás (22 de 60)


Ituverava, 03 de julho de 2009



Tás, aconteceu um fato que merece ser registrado. Lembra daquela senhora, a Lucília Junqueira, da carta numero 20, com a qual falei sobre você? Pois bem, ela é o motivo desta carta, amigo.
Curioso como as coisas se movem no dia com autonomia. Às vezes nos vemos ansiosos por algo que pareça demorar em acontecer, e num dado instante, sem que esperemos, eis a adorável surpresa que nos alegra. A ansiedade encontra água para sua chama.
Foi assim hoje, amigo, estava eu em minha rotina que consisti em acordar ás 6, deixar as crianças na escola as 7 e pouco e, entrar no trabalho antes das 7:30, o que para nós da terrinha é perfeitamente possível dado as curtas distâncias que separam este daquele lugar. Ás vezes acho que vivemos como os cidadãos de Manhattan, no que se refere as distâncias, é claro.
Já no trabalho estava eu a analisar um caso quando o telefone tocou, vi que não conhecia o numero, poderia ser algum cliente tentando contato, isto é frequente. Atendi. A pessoa perguntou se era eu, o Jefh, ao que respondi afirmativamente, e então indaguei quem queria saber, foi então que veio a surpresa; aquele contato que levou a semana inteira para acontecer veio assim, sem avisar, quando eu já nem esperava. Era Lucília Junqueira, amigo. Aquela doce de senhora, extraordinariamente simpática, ela foi logo dizendo que havia lido os textos que lhe dei, e então me deu em forma de palavras meu primeiro troféu literário: “Rapaz, você leva jeito para a escrita”. Isso para mim foi uma verdadeira benção sobre minha pena, foi o estímulo que eu tanto precisava. Conversamos mais um pouco, ela me incentivou a participar de concursos literários, citou vários autores, deu uma belíssima definição de conto, disse que o que faço são boas crônicas, e citou um trecho de um texto de Rubem Alves ao telefone, incrível!
Sabe, quando o sonho de um individuo vai ganhando adeptos, ele se torna um sonho coletivo, ou uma realidade atual, ao que o individuo chamará orgulhoso de re-a-li-za-ção.Tás, só houve um problema: me esqueci completamente de falar de você, amigo. Mas como uma maneira de minimizar meu erro estive com Galeno Amorim o jornalista, e pedi atenção para sua causa, amigo.

quarta-feira, julho 01, 2009

Cartas a Tás (21 de 60)


Ituverava, 01 de julho de 2009


Marina Colassanti é uma formidável escritora, e ouviu com muita paciência as minhas lamentações.
Faço um esforço Hercúleo em prol do amigo: Percorro corredores, encontro pessoas, distribuo panfletos, ignoro a indiferença e frieza com que o amigo trata minhas cartas, minha campanha, meu ser. A verdade é que não abandono este mau hábito de fazer o bem sem olhar a quem, tudo no intuito de restituir a identidade natal ao meu amigo e conterrâneo, Tás. As pessoas acham louvável, conto como iniciei tudo, digo sobre as cartas e o motivo de estar empenhado neste nobre propósito, afinal, trata-se de um ícone da comunicação brasileira, merecedor indubitável de uma esplendorosa homenagem. Outrora, amigo, corria descalço na ladeira do largo velho, a fim de fugir ao flagrante por roubo de alguma fruta de época, ou mesmo ocultar as moedas surrupiadas da igreja dos afro-descendentes. Aquele garoto que encantava a todos com suas travessuras, tornou-se um cidadão do mundo e acabou desligando-se de seu terrão vermelho natal. Mas tudo bem. Vamos avante devagar e sempre...
Nos corredores da Nona Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto fui ouvido com muita atenção pela extraordinária escritora Marina Colassanti. A mulher é detentora de nada menos que três prêmios Jabuti (1993 com “Entre a Espada e a Rosa”; 1994 por “Ana Z, Aonde Vai Você” e, no mesmo ano outro Jabuti por “Rota de Colisão”). Alem destes, Marina recebeu o prêmio Norma Fundalectura, se você não sabe, é este um dos mais importantes da América Latina.
Amigo, apesar dela nunca ter ouvido falar de você, ela me incentivou a continuar neste projeto, disse devemos investir no que acreditamos. Foi muito animador ouvir isto da parte dela.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails