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terça-feira, junho 30, 2009

Cartas a Tás (20 de 60)


Ituverava, 30 de junho de 2009




Aqui estamos, Tás. Eu e essa simpatia que é Lucília Junqueira de Almeida Prado, autora de mais de 65 livros publicados, capaz de recitar poemas de sua autoria compostos com cantigas de roça, bem como poemas de Cora Coralina, feito uma menina sobre o palco.

Estive novamente na feira do livro, engoli meu orgulho de vez e abracei a causa. Fui lá não para vingar-me, com críticas sobre o fabuloso evento, nutridas por minha derrota no prêmio Cora Coralina, mas sim, para divulgar a campanha Cartas a Tás, que agora ganhou um slogan; “Restitua a cidadania do menino encardido que ficou famoso e apátrida”. Tás, você é de Ituverava e Ituverava é sua, irmão. Espero que aprove, meu mestre, pois para servir nesta batalha tive que ser um bom perdedor. E não é bom perder, isso aprendemos nos primeiros anos de existência, acho até que já nascemos com este instinto, pois quando uma criança toma por força algum objeto que por ventura esteja em nossa posse, qual menino não se desfaz em lágrimas? Mas em meu caso estou sendo sincero; fui como jamais havia sido “um bom perdedor”. No começo, quando soube que não havia me classificado entre os três primeiros da poesia e nem do conto pensei: “Tudo bem, havia um Brasil inteiro concorrendo e quem sou eu para vencer um prêmio literário neste Brasil continental? Continuarei escrevendo, continuarei trabalhando minhas idéias, minha sinceridade benigna, minha visão de mundo”; mas desejei saber em qual lugar eu teria ficado, afinal houve esforço e dedicação por minha parte, claro que eu gostaria de saber em que resultou afinal. Foi então que briguei, anacronicamente, com a organização do concurso, com a feira, com o evento. Disse para mim mesmo; “não irei a esta feira, não irei”. Porém fui. Afinal, quem iria até aqueles intelectuais para pedir atenção para a causa que defendo?Lá conheci gente importante, como a escritora Lucília Junqueira de Almeida Prado, que fora a primeira autora da região de Ribeirão Preto a conquistar, em 1972, o Prêmio Jabuti (bicho muito parecido contigo, diga-se), com o romance infanto-juvenil “uma rua como aquela”.Espero que e a tenha sensibilizado com minhas palavras, meus escritos (Cartas a Tás) e assim ganhe uma aliada nesta dura campanha.

sexta-feira, junho 26, 2009

Cartas a Tás (19 de 60)




Ituverava, 26 de junho de 2009 (Morre Michael Jackson)



Fostes um fanático pelo ídolo americano! No meio da garotada, no campão de terra batida, lá estava o pequeno Tás Jackson (como o chamavam na época) a correr de marcha ré, atrás da bola, a conduzindo de toquinho em toquinho de calcanhares. Descia veloz pela lateral direita para apoiar o ataque, sem jamais perder o domínio. Chutava e até cruzava, tudo de costas; memorável!
Porém seu grande feito ocorrera fora dos gramados.
Ano; 1982: Local; programa de calouros Barros de Alencar: Evento; Grande final do concurso de imitadores de Michael Jackson. Lembra, Tás?
Ali estava o tímido garoto ituveravense, o Marcelin das audições de piano da Associação, dos concursos de canto e dança da mesma...
Bastava que as caixas de som vibrassem, ao executar Billy Jim, para que o franzino jovem branco se metamorfoseasse na sensação do pop underguaund nacional e mais tarde mundial.
Tás, você seria o último calouro a se apresentar naquela final, todos davam por certa a sua incontestável vitória. Lembra, amigo? Torcemos tanto por você... Ai de nós!
Você se aquecia com sua roupinha preta, toda em veludo cotelê, sapatinhos especiais com solado de madeira, confeccionados pelo Barrela especialmente para aquela final, untados com sebo de vaca fresco, tudo para facilitar seu deslize de marcha ré. O auditório aos gritos, emoções a flor da pele, então, Barros de Alencar anunciou: “Que entre o grande finalista Tás Jackson de Ituveravaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!”A emoção foi demais, e ao iniciar a antológica Billy Jim, o jovem dançarino sofreu um entorse gravíssimo no tornozelo direito, com fratura exposta, indo ao solo. Mas o garoto possuía fibra, exibiu um profissionalismo de dar inveja até na Gisele Bündchen ao cair do salto; tremeu, gemeu, estrebuchou-se, virou os olhos, e salivou profusamente. Iniciou ali no chão uma coreografia improvisada. Com muito custo ergueu-se, arrastando a perna fraturada, com movimentos de ombros, braços e pescoço levou a platéia ao delírio, caiu outras três vezes, se ergueu das três quedas. A platéia ria que se mijava, achou que tudo estivesse ensaiado. Você, Old Boy, terminou sua apresentação sendo retirado do palco de maca. Não levou o prêmio, mas teve uma menção honrosa e as despesas todas pagas pelo SUS. Até hoje nos emocionamos aqui na terrinha ao lembrar do episódio. Mais tarde a glória. A fita do programa rodaria os quatro cantos do mundo, e chegaria nas mãos de nada mais que o próprio Jackson, que se inspirou na sua apresentação para criar o clipe da música Thriller, que já estava gravada, porém sem um vídeo. O homem foi generoso com você, amigo. Levou-lhe para passar uma temporada em Neverland, lhe deu doces, contou historinhas, mas esta é outra história que nos lembraremos noutra feita, amigo.

quarta-feira, junho 24, 2009

Cartas a Tás (18 de 60)


Ituverava, 24 de junho de 2009



É Tás, o lance entre eu e a Adrix, sobre ela ler meus contos, rolou cara; ela leu, adorou, mas não disse nada, é o jeito dela, eu entendo, é ela, e basta. Essa garota é mesmo uma diva da música brasileira. Já notou como existe alma, profundidade e magnetismo quando ela canta e no que ela compõe? Ela tem um caso de amor verdadeiro com a terra de Camões pelo que pude perceber. Às vezes, quando leio Saga Lusa, penso que o livro foi só um lance para limpar a barra dela com os patrícios; devido a semana desastrosa na turnê da Bad Trip. Ainda há pouco eu a ouvia no meu radinho de pilhas, aquele mesmo que seu tio Zé usava no “trampo” de guarda noturno. Estava tocando a canção: “Mais feliz”, da Adrix. Cara, quanta coincidência!
Mas mudando um pouco o rumo da prosa: Estou muito contente por dispor de algumas poucas horas de meu dia para dedicar-me à escrita. Adquiri também alguma ferramenta útil na lapidação desse diamante bruto que creio habitar meu ser. Não sou bem familiarizado com as coisas da literatura, porém antes de começar a publicar meus textos escrevi e estudei situações o tempo necessário para poder compor razoavelmente sobre um assunto que ocorresse num dia comum.
Se durante algum tempo estamos esgotados, depois nos restabelecemos, e ganhamos com o fato dos textos estarem armazenados, exatamente como as garrafas de uma adega, ou uma fazenda de eucaliptos. Quanto a mim, não penso no momento em descansar.
Existe na literatura algo infinito _ não posso, por ora, lhe explicar mais que isso, mas sei que não ignora este fato. Existem nas pssoas, nas mais cotidianas ações, coisas ocultas, harmonias e contrastes que colaboram por si próprias, e das quais a literatura tira seu alimento e vigor.Espero algum dia escrever algo que possua alma, profundidade e magnetismo o suficiente para que eu ultrapasse a densa barreira do anonimato. Num vê o PC? O que o cara era antes de publicar O Diário? Pois é, Tás! Bora que vamo! Vambora!

terça-feira, junho 23, 2009

Cartas a Tás (17 de 60; Parte I)

Ituverava, 23 de junho de 2009



É meu caro Tás, conheci a Adriana Calcanhotto, que já me conhecia e, agora somos grandes amigos! Na verdade, quando fui até ela, meu propósito era defender a tua cidadania natal e não impressionar a moçoila, como verá que ocorreu. Humildemente me expressei perguntando se ela o conhecia, conterrâneo; Expliquei sua condição de apátrida. Ela olhou-me nos olhos com cara de interrogação, sorriu e indagou: _Jogou onde este seu amigo? Expliquei tratar-se do Tás do CQC, do Cocão da USP, do finado Ernesto Varella, Professor Tibúcio, enfim, disse a ela que somos de Ituverava e que eu estava divulgando o projeto de nobre propósito (Cartas a Tás), parará, parará. Ela continuou com o mesmo ar interrogativo: _Mas qual Tás? Achei que falasse do Tarcisio Meira na sua série (Cartas a Tás), até disse para uma amiga que não sabia que o Meira tinha este apelido e muito menos que era de sua cidade, Jefh! Então, antes que se prolongasse aquela situação ela interrompeu-me pedindo que falasse mais de mim, ofereceu-me como presente um exemplar de Saga Lusa. Muito sem jeito repliquei que aceitaria, contanto que ela aceitasse um conto que fiz ali, sentado no banco da Praça XV, minutos antes de nosso encontro. Ela aceitou. Ainda disse não crer que aquilo estivesse acontecendo, falou que acompanha meu blog, que sou um escritor fantástico, enfim, estas coisas. Fiquei meio sem jeito, sou um tanto tímido como você bem sabe, era visível meu constrangimento. Foi então que ela me pediu um beijo; devo ter ficado vermelho feito um “urso panda pintado nas cores da bandeira da China”. Disse que um beijo não poderia dar, pois sou comprometido. Ela lamentou e pediu-me um retrato, revelou que queria eternizar aquele momento. Eu concordei. Note que minha face tornou-se rubra, mas valeu a pena agradar criatura tão doce e simpática. Ah! Postei as fotos para sua apreciação, amigo.

Cartas a Tás (17 de 60; Parte II)


Jefh: _Você quer que eu aceite este livro? É isso?
Adrix: _Sim, por favor.

Cartas a Tás (17 de 60; Parte III)


Jefh: _Aceito, contanto que você aceite este conto que acabo de fazer ali no banco da praça XV.
Adrix: _Meu Deus, é uma honra, obrigada!

Cartas a Tás (17 de 60; Parte IV)


Adrix: _Sou sua fã, acompanho seu blog todos os dias, fico lendo e relendo seus textos. Posso te dar um beijo?

Jefh: _Como assim um beijo?

Adrix: _Um beijo oras. Pode ser? Um selinho.

Jefh: _Desculpe Adrix, mas sou comprometido.
Adrix: _Então uma foto, por favor, para eternizar este momento.

Cartas a Tás (17 de 60; Parte V)


Jefh: _Tudo bem, mas me deixou sem jeito. Adrix: _Bobo, você é fofo.
(Obs. Estas fotos foram gentilmente cedidas por Adriana Calcanhotto, e as frases são mera invenção, obviamente, deste bem humorado aspirante a escritor).

segunda-feira, junho 22, 2009

Cartas a Tás (16 de 60)







Ituverava, 22 de junho de 2009.



Estive neste final de semana num lugar fantástico! Uma verdadeira Meca da literatura nacional que fora montada em Ribeirão Preto, sobre a charmosa Praça XV. Você adoraria o evento, tenho certeza, ainda há tempo para sua visita (a propósito, aquele rapaz que trabalha com você no CQC... Aquele de jeito afeminado que possui certa fixação pelas partes masculinas... Esse mesmo, Tás; Ele esteve lá). Mais de 70 stands de mercadores de livros, eventos culturais acontecendo concomitantemente, gente das idéias boas dando palestras, entrevistas, artistas fazendo shows para o povo de modo irrestrito... Algo fantástico!
Grande multidão de rostos, personagens, figuras transitando, formando grossos cordões humanos nos corredores pejados de livros.
Tudo sobre o olhar crítico dos verdadeiros donos da praça, os hippes fora de época, que ficam observando como quem vê um grande movimento dentro de sua própria casa, o que de certa forma é. Faziam alguma piadinha zombando indiretamente deste ou daquele tipo “careta” que passava.
Vi também pessoas lendo nos bancos, transitando em grupos, muita gente de óculos, mais que o costume dos eventos públicos. Cada qual ia passando, lançando olhares nas bancas repletas de livros, alguns paravam e folheavam este ou aquele exemplar. Fantástico, Tás! Obvio que não se tratava de uma multidão de intelectuais, porém se fosse para você nomear uma tela feita com aquele tema, creio que a batizaria como: “Um Sonho De Intelectualidade”. Você sempre foi muito espirituoso, amigo. Rá, rá, rá...faz-me rir, faz-me rir.
Quando cheguei ao local do evento, no sábado à noite, havia gente feito formiga numa trilha que conduz ao formigueiro, que neste caso era um palco montado diante do Theatro Pedro II. Ali ocorreria um show da Adriana Calcanhotto, a Adrix: Oh Adriana, musa de minhas horas mais recentes! Por onde andará agora?
Cocão, Old Boy, tive o privilégio de conhece-la, toca-la e trocar algumas frases, inclusive ganhei um livro que ela escreveu (Saga Lusa), autografado. Mas isso lhe contarei com todos detalhes. Vale a pena, você vai ver.
Um pouco antes do Show visitei uma tenda dos escritores locais, havia uma grande variedade de títulos dispostos em prateleiras e em duas grandes mesas. Travei palestra com dois dos escritores, ambos foram muito simpáticos, um até citou um vizinho meu daqui de Ituverava, que recentemente lançou um livro, um romance.

sexta-feira, junho 19, 2009

Cartas a Tás (15 de 60)




Ituverava, 19 de Junho de 2009



Hoje eu fiz um conto sobre um ancião com alguns toques de melancolia e dramaticidade; em suma, quero chegar ao ponto em que meus leitores digam de minha obra: "Este Jefhcardoso enxerga profundamente e delicadamente!". Andei pensando em mudar o nome de meu blog de Jefhcardoso para “Jefh Às Moscas”; uma vez que devo ser o maior fracasso de comentários de toda internet com a série Cartas a Tás. Mesmo com toda dificuldade que tenho enfrentado quero saiba que não desisti de meu firme propósito de resgatar tua cidadania, custe o que custar! Já me disseram que bati em porta errada, que você, Old Boy, é um caso perdido, que não se importa com nossa Ituverava e até fez um tratamento para reduzir a tonalidade vermelha de sua pele encardida. Sim disseram.
Nelsinho Piquet!; novo amigo, Tás? Vejo que é bem relacionado, que esta ganhando fama ainda maior com o humorístico da Band. Esta semana prima Gertrudes vai lhe procurar aí em Sampa, disse que vai lhe pedir uma: “_portunidade” de modo de “trabaiá” na casa do Dotô Cocão. Eu disse a ela: "mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha que o primo lhe dar alguma atenção". Ela quis saber o motivo e então fui obrigado a contar da desfeita que me fez ao não publicar minhas cartas no seu espaço de comentários, ao que ela exclamou: "_Num querdito, ai dom bilive nuns trêm desse!" Então eu fui e mostrei meu blog, minhas cartinhas, meus cuidados, os olhinhos da prima marejaram, ela me abraçou, e nos confortamos, mas ela não desistiu da idéia, disse que no coração duro do primo deve haver uma “brechinha” para os rostos da infância pobre no Largo do Rosário. Espero, portanto que você a receba de modo razoável, amigo.
Abraço de seu amigo e quase irmão!

domingo, junho 14, 2009

Cartas a Tás (14 de 60)



Ituverava, 14 de junho de 2009

Apesar dos pesares, a despeito de ter sido colocado para fora do espaço de comentários (blog do Tás), não sou ingênuo ao ponto de crer que meus textos sequer são lidos. Na verdade, creio que algum estagiário mal remunerado os leia e até de alguma risada deste ou daquele fato narrado com bom humor inegável. Continuo freqüentando o teu blog, e por ter sido destituído da veiculação de meus comentários naquele espaço, acabo hoje lendo mais do que antes os comentários dos outros comentaristas; são interessantes. Você conhece os assuntos que instigam as pessoas a comentar; "sabe onde moram as cabras", como diria uma ex-namorada sua, daqui da terrinha vermelha. Não é por acaso que o teu blog é tão comentado e premiado. Conterrâneo, ainda chegarei lá; e quando me encontrar em situação mais parelha com a sua atual, eu creio que daremos boas risadas deste tempo em que lhe mendiguei errante a atenção por estes mares distantes. Mas tudo bem; propósito é propósito; não pretendo julgar tuas ações, apenas as acato. Uma vez que o espaço de comentários de seu blog lhe pertence, faça como achar que deve. Respeito a sua razão, apesar de desconhecê-la de fato. É verdade que ás vezes cogito isso ou aquilo, mas acabo sempre sem concluir nada, e vislumbro apenas a carta de numero 60; a qual dentre em breve chegarei; tenho essa fé; ao termino do meu propósito terei feito uma biografia não autorizada, ou um livro maldito, algo em caráter amador, é claro. E como aconteceu com o historiador Paulo Sérgio de Araújo, e até mesmo com Salman Rushdie; vou experimentando a marginalidade literária, caro amigo.

sábado, junho 13, 2009

Cartas a Tás (13 de 60)



Ituverava, 13 de junho de 2009



Sei que está ocupado demais a brigar com os estudantes agora. Também sei que possui seus motivos para irar-se com o nosso ex-presidente, mas não pode negar que este é bom com as letras, e que em seus “delírios” há muito conteúdo supérfluo e presença de ego, de um baita “egão”, comparável somente aos grandes monumentos nacionais.
Old boy, esta carta de numero treze é apenas para você , certo que cuidará de guarda-la apenas para si, não é?
Ainda não pude me dar conta do caráter repugnante de minhas cartas. Sinto-me muito inclinado à tristeza nesta tarde opressiva. É que tantas pessoas transitam com liberdade no espaço para comentários de seus posts e eu fiquei excluído daquele lugar. Mas não tenho a mínima intenção de desistir de meu propósito e deixar abater-se à coragem que me levou a este audacioso projeto de resgate de sua cidadania.
Lembro-me das palavras de mamãe a dizer-me, que fizesse algo para meu meio irmão, que ia se tornando um apátrida nesta selva de pedras que é a capital.
Eu quero apenas vê-lo identificar-se com as coisas de tua terra, tua história, teus amigos, e feliz como uma cotovia na primavera.
Não darei credito ao pessoal do botequim, que esta dizendo que meus conselhos para você são o mesmo que sabão em cabeça de burro velho; jamais farão espuma.Vou até a carta de numero 60 ainda que para tal tenha que percorrer sozinho todo longo caminho que ainda falta.

sexta-feira, junho 12, 2009

Cartas a Tás (12 de 60)


Ituverava, 12 de junho de 2009



Onde foi que eu errei? Onde foi? Ai de mim, Marcelo Tás! Por ventura disse algo que feriu a tua moral? Algo que tenha arranhado a tua imagem, palatino da USP? Não postas mais meus comentários, de certo que algum assessor, algum estagiário, mal remunerado, que faz a leitura dos comentários de teu blog, ex-amigo, esta instruído a deletar toda e qualquer manifestação de vida do Jefhcardoso. Ai de mim! Ai de mim, Ituverava!
Agora é assim que andarei, não bastasse a ausência de comentários em meu laborioso trabalho, é na marginalidade que encontrarei abrigo? Não mais terei o prazer de ver minhas cartas publicadas no seu espaço de comentários? Como se já não bastasse a escassez de atenção com que trata a minha humilde pessoa, vem agora me impor à censura, que mal fiz?É algo abominável a ti, levantar as tuas memórias de forma pitoresca, e despretensiosa em tua casa na internet, neste respeitável e premiadíssimo blog? Saiba você que sou amigo de João Gilberto, que Kaká fala comigo no MSN todos os dias, e que eu e a Olívia Wild, bem, deixa pra lá. Caro Tás, um dia sentirá remorso pelo descaso que trataste este amigo de outrora, o pé grande dos cafezais, a quem tantas vezes recorrera nas tuas horas difíceis. Não, não poste esta carta comentário também não. Sou encardido demais para figurar neste espaço de gente “gran fina”, estes comedores de angu e arrotadores de peru. Quer saber, estou com a juventude da USP, acho que estão certos de manifestar-se ainda que sobre uma pauta fraca, pois não importa saber quem é o defunto, queremos é chorar abraçados à viúva.

quinta-feira, junho 11, 2009

Cartas a Tás (11 de 60)







Ituverava, 11 de junho de 2009


Amigo, sei que fui um tanto hostil na última correspondência, mas tudo se deu pelo fato de ter censurado minha carta de numero nove, e ignorado meu pedido por um pequeno empréstimo. Ainda não sei a razão; se foi pelo meu novo emprego, ou se por insegurança de sua parte, quanto a perder o cargo de destinatário da série, Cartas a Tás.
Lembrei-me do quanto éramos amigos, das nossas primeiras musas, dos bailes onde éramos, sem qualquer dúvida, os caras mais tímidos e feios entre todos gaiatos da época.
Eu estava rindo ao lembra-me de você, de quando tirou a Luzia Picolezeira para uma dança, naquele baile de gala da Associação Atlética Ituveravense: Lembra? Bom tempos, “veinhaco”!
Dançaram coladinhos aquela canção magnífica da Sade (Smooth Operator), e quando terminou ela lhe pregou um tapa bem no meio da fuça. Você nem se importou, destampou a rir com cinco dedos estampados em relevo na face, e nunca nos contou o motivo; nem precisava. Aquela canção motivava mesmo qualquer ousadia de paixão! Não estranho seu atrevimento com aquela senhora, que na época estava no esplendor de seus 63 anos bem vividos, Tás. Logo você partiu para a escola de aeronáutica, e a Luzia, tadinha, tentava lhe esquecer com aquele vendedor de frios no atacado; a mussarela que o cara vendia era promissora, mas a mortadela...Luzia morreu, sabia? Dizem que nunca lhe esqueceu, que você foi o melhor namorado que teve; disseram na época, né. Tás, me desculpe pela última carta, é que vovô precisava ser defendido, e o sangue falou alto, amigo. Abraço!

quarta-feira, junho 10, 2009

Cartas a Tás (10 de 60)


Ituverava, 10 de junho de 2009



Vejo que meus apelos para um resgate urgente de sua cidadania se tornaram um pedrisco em seus confortáveis sapatos em cromo alemão, caro Tás. Penso que andou a tremer nas bases, por assim dizer, ao saber que poderia perder o cargo de destinatário de minha série de cartas (Cartas a Tás). Mas se acalme amigo, repouse dessa violenta tormenta que lhe impingiu, fazendo-o colocar uma foto da caixa d’água que vovô jamais quis derrubar; contradizendo as línguas maledicentes.
Quanto a revogar a lei da grávida, estou para ver caboclo com mais coragem que vovô, para sugerir o fim de uma lei arbitrária, autoritária, truculenta como essa de Newton. E não foi a inveja que motivou meu avô não; como fez insinuar em seu blog. Muito pelo contrário, Sr Tás. Em minha família, “na verdade, na verdade”, somos faltos do gene que faz submergir este mal secreto (como se referiu Zuenir, em um livro, certa vez, a este pecado capital).
Não ter colocado na sua pagina de comentários a minha carta de numero nove não lhe satisfez, então quis cutucar onça? Foi isso? Chama meu avô de invejoso, distorce os fatos, e comete mais uma batelada de impropérios que a raiva me impede de exibir a conta exata agora. Tás, francamente... Se for isso que recebo por meu cuidado com a preservação do encardume de tua alma, não tenho mais palavras que exprimam o quanto estou desapontado agora. Sem mais; me despeço.

segunda-feira, junho 08, 2009

Cartas a Tás (9 de 60)




Ituverava, 08 de Junho de 2009

Caro Tas, não quero que me tome por vagabundo, nem tão pouco quero o incomodar, mas...Preciso de alguns euros, “emprestados”, irmão. É que pretendo conhecer a Europa, alguns lugares pitorescos que há por lá, e com meu ordenado de Fisioterapeuta, eu estive fazendo as contas, só vai rolar lá por 2054, e talvez a artrite, a próstata e o enfisema não me permitam visitar todos lugares que pretendo.
Tenho feito algo para antecipar esta excursão, decidi usar meu blog como fonte de renda, um complemento no orçamento. Acho que ganharei algum dinheiro agora, como “funcionário do Google”. Os caras não me falaram quanto vou ganhar, mas estou bem otimista. Acho que, em breve, irão me chamar para uma reunião com a alta cúpula do grupo.
Estive pensando, e acho também, que vão sugerir que eu interrompa a sessão Cartas a Tás; que não vai lá muito bem de comentários e visualizações. Quando eu exibia poemas e contos a coisa ia bem melhor. É que penso que os caras dirão que escolhi mal o protagonista da saga, que o texto é bom, as citações bem encaixadas, mas falta carisma ao alvo das correspondências. Acho que me acusaram de ser bairrista, por ter escolhido um conterrâneo, e me perguntaram por que não escolhi um cara como o Melamed (que ta mandando bem), ou mesmo um Hosmani (que acabou de lançar um livro), haverá até quem dirá que com um bom dicionário de tradução de português para inglês eu poderia fazer uma seqüência, Cartas a Britney, e assim ver minha pseudo-carreira de escritor, roteirista, dramaturgo, etc, etc, etc decolar enfim. Na verdade acho que os caras darão um tremendos esculacho por minha escolha. Acho que dirão até que, com um Gustavo Borges, um Vitor Martins; como fui escolher logo o Cocão?Porém não me importa que digam tudo isso, já que comecei mesmo, certo ou errado, estou disposto a ir até o fim. E estou pronto para rebater as críticas sobre seu nome, amigo. Ah, e antes que me esqueça: Parabéns pelo CQC 56! E se não sair algo do roteiro eu mando outra carta para saber o motivo da conspiração.

domingo, junho 07, 2009

Cartas a Tás (8 de 60)




Ituverava, 07 de junho de 2009



É com grande pesar que me vejo compelido a concordar com as suspeitas da moça que o tenha chamado arrogante para com os seguidores, “mestre Tas”. Realmente noto que a simplicidade anda longe de sua rotina. Colocou esse post em Inglês, afinal, queres provar o que? Que o país dos analfabetos é também o país dos que falam apenas em uma língua? Não entendi mais que algumas bulhufas, do que o carinha feio dizia pelas ruas da bela NY. Ao terminar de assistir o vídeo senti um nó na garganta, lembrei-me de como éramos parecidos na infância, todos perguntavam se éramos irmãos aonde íamos, e ao negarmos, brincavam que alguém devia ter pulado cerca nas famílias. Lembra?
Sete cartas primorosas, e o que recebo como resposta? Uma linha, uma mísera linha. Preferes deveras responder aos que lhe agridem, lhe ameaçam, lhe fazem fofocas do Pará, do que dar atenção a um irmão de leite. Confesso que tenho dificuldades para redigir esta oitava carta, pois meus olhos inundados me turvam a visão agora.
Era um jovem humilde quando partiu para a capital. Foste fugido, pois achava ter matado o Neném Galinha com uma “estilingada” na testa. E se não o matou de fato, verdade é que, seu ato resvalou a tragédia de um homicídio, pois o pobre rapaz ficou muitos dias sem reconhecer pessoa, dia da semana, ou até mesmo dinheiro em cédula; ficou, por assim dizer, por muitos meses: “fora de área”. Graças a Deus ter sido apenas um susto! Está inocente do incidente, amigo. Mas lembra como era humilde ao fugir para a capital com a idéia de arranjar por lá um diploma de Dotô? Naquele tempo lhe conhecíamos Tas! Não faria descaso de nós: Não, não o faria.

sábado, junho 06, 2009

Cartas a Tás (7 de 60)







Ituverava, 06 de Junho de 2009


Tás, assombroso este tal Twitter! Parece coisa satânica, ou mesmo instrumento de manipulação de pessoas. Sei que anda por aí metido com estas coisas malignas. Esta fazendo lavagem cerebral nestes infelizes, Tas? Vergonhoso!
Cadê o Tas que ama as pessoas mais que tudo? Onde andará o humanista que cresceu em nossa cidade singular? Onde habita agora aquele jovem, dos ideais anarquistas, vida torta e hábitos esquisitos?
Mesmo nas altas rodas, nos ambientes de grande ostentação é preciso conservar algo de um Robinson Crusoé em seu íntimo, meu irmão. Senão terá perdido de vez a tua identidade original, amigo. Se esta já não vai...
Ás vezes é bom ir ao fundo e freqüentar os homens, e às vezes somos até obrigados e chamados a isto, mas aquele que prefere permanecer só e tranquilo em sua obra, e não quer ter mais que uns poucos amigos, porém verdadeiros, é quem circula com maior confiança entre os homens e o mundo; disse certa vez, quase nestas palavras, o Vincent Van Gogh a seu irmão Théo.
Não direi mais nada por hora. Seja este nosso destino, meu rapaz, que teu caminho prospere, e que Deus esteja contigo até no olho do furacão do egocentrismo e te faça triunfar, é o que desejo com um cordial aperto de mão.
Teu quase irmão, que te ama, JEFHCARDOSO

quinta-feira, junho 04, 2009

Cartas a Tás (6 de 60)







Ituverava, 04 de Junho de 2009.



Incrível como resistem aos tempos esses tais besouros de Liverpool! Amigo tas, concordo que jamais deixaram de ser umas brasas estes caras, mas você, amigo...Desde quando é admirador do quarteto de Liverpool? Se não me falha a boa memória era na verdade um combatente ferrenho da “besouromania”; dizia aos quatro ventos que bons eram, na verdade, Os Animais de Newcastle. Era mesmo um garoto de hábitos estranhos a quem não lhe conhecia, Tás.
No entanto para mim que era de sua casa parecia perfeitamente compreensível sua mágoa para com os queridinhos do pop. Afinal, jamais conseguiria se enquadrar na figura de fã dos fantásticos roqueiros. Teus cabelos crespos lhe foram verdadeiras maldições pregadas em tua cabeça. Lembro-me das incontáveis horas em que Dona Shirley lhe mantinha preso por entre seus joelhos, e com o coração contrito de mãe, ao ouvir os urros de dor do filho, lhe puxava o pixaim as raias do enlouquecimento, contudo, jamais conseguiste assemelhar-se aos boys ingleses; isso era algo duro demais para um garoto ituveravense que sonhava com ieieie inglês. Não obstante deste vazão a tua fúria ao quebrar a banda, o palco, e cada integrante que ousou fazer um cover dos garotos na praça 10 de Março, naquele triste domingo de outono, quando dezenas de pessoas se espremiam diante o palco improvisado para cultuar a sensação britânica que invadia todo mundo.
Por tua causa Tas, houve choro, gritos e ranger de dentes na praça, naquela tarde e, até hoje, muitos senhores ituveravenses vertem em lágrimas ao ouvir as canções do quarteto de Leeverpool, ao qual não puderam desfrutar em seu ápice.
Foi um verdadeiro animal revoltoso naquela tarde! Deste episódio já lhe perdoamos, porém, Ituverava fora privada deste desfrute pop, por tua causa, estimado amigo. Mas isso são águas revoltas passadas.

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