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sexta-feira, abril 10, 2009

GAZETA SETE TROMBETAS ENTREVISTA JEFHCARDOSO

A GAZETA SETE TROMBETAS ENTREVISTA O ESCRITOR JEFHCARDOSO (10.04.09)


Gazeta Sete Trombetas - Por que você escreve?

Jefhcardoso - Talvez minha resposta decepcione, pareça fugidia, mas é a pura verdade: ainda não sei, mas desconfio. Desconfio que escrevo como uma maneira de materializar meus sonhos, como uma maneira de dizer ao mundo algo, que se dissesse com palavras se perderia ao vento.


Gazeta Sete Trombetas - Quando você decidiu dedicar-se a literatura?

Jefhcardoso - Quando uma carta minha foi lida. Publicada e comentada por meus amigos. Depois disso decidi escrever e mostrar para quantas pessoas eu pudesse, e isso tornou-me uma espécie de escritor dos meus amigos. Foi assim que começou, com o forte caráter amador, sem nenhuma pretensão, sem nenhuma erudição.


Gazeta Sete Trombetas - Como foi o processo de procura por editoras?

Jefhcardoso - Não procurei, não tenho nada pronto de fato e ainda estou um tanto surpreso com o que meus amigos dizem sobre o que escrevo.


Gazeta Sete Trombetas - Você esperava tanta receptividade com seu trabalho?

Jefhcardoso - Eu nem sabia que tinha um “trabalho” nessa área. Sou fisioterapeuta, minha vida seguia outro curso, e o fenômeno da internet me fez pensar que tudo, absolutamente tudo, era possível em comunicação.


Gazeta Sete Trombetas - Sua família influenciou na escolha pela literatura?

Jefhcardoso - Minha família nuclear, meus pais, avós, tios, tias, irmãs, não são pessoas ligadas à literatura. Literatura nunca foi assunto em minha casa, mas me lembro de minha mãe lendo Jubiabá enquanto tomava banho de sol no quintal, e do meu pai lendo livros de filosofia oriental. Fora isso, meu contato com a literatura foi mesmo na escola; trôpego e cambaleante. Quanto à família que constitui, influencia totalmente. Ver minha família orgulhosa por um texto meu no jornal de minha cidade foi decisivo para todos textos que escrevi posteriormente.


Gazeta Sete Trombetas - O que seus filhos acham do pai ser escritor?

Jefhcardoso - Meus filhos são muito jovens, mas do que posso perceber, parece que ficam orgulhosos pelo pai ser escritor, mais do que por ser fisioterapeuta (risos). Acredito que isso se deva ao senso de percepção da arte e do artista que já possuem. Os educadores conseguiram passar essa noção para eles já nos primeiros anos de escola, uma vez que o colégio deles recebe com certa regularidade a visita de escritores, e incentiva a leitura, assim como as artes, oferecendo aulas de teatro, inclusive.


Gazeta Sete Trombetas - Você é casado com uma psicóloga, de que maneira isso influencia na sua literatura?

Jefhcardoso - Profundamente, pois ela colabora com sessões gratuitas (risos) e possui um olhar complacente para os meus ímpetos criativos.



Gazeta Sete Trombetas - Você é graduado em Fisioterapia e possui 12 anos de trabalho na área. Como é a sua relação da Fisioterapia com a Literatura?

Jefhcardoso - Bastante natural e inspiradora. Existe uma cooperação mutua entre as duas coisas. A Fisioterapia me mostra o ser humano num momento muito intenso e sério de sua vida, na luta contra as limitações ocasionadas pela enfermidade. Já a Literatura, me apresenta um mundo de possibilidades ilimitadas, um universo fantástico. Ambos se completam, e me dão uma intensidade muito grande em tudo que faço.



Gazeta Sete Trombetas - Em sua literatura é possível notar a forte presença da poesia na narrativa. Como você lida com a poesia? Você tem vontade de lançar um livro só com seus poemas? Quais são os poetas que admira?

Jefhcardoso - Lido com a poesia de maneira muito singular. Acho que ela existe no dia, na vida, nas pessoas. E quando um escritor a capta, e lhe concede a forma de versos; eis a poesia escrita! Mas, ainda que ninguém a passasse para a escrita, ela existiria nos olhos de quem vê o dia. Quanto a lançar um livro com minhas poesias, seria uma obra muito pessoal, seria o negativo de minha alma se revelando até para mim. Meus poetas preferidos são o Fernando Pessoa, a Cora Coralina e o compositor sertanejo de raiz de um modo geral.



Gazeta Sete Trombetas - O que você costuma ler? Você lê os seus contemporâneos?

Jefhcardoso - Minha leitura é concomitante a minha vida. Tudo que li me trouxe até o livro que leio hoje. O que acontece é que a curiosidade me leva ao próximo livro, sendo assim não há um critério, nem uma lista a qual eu siga. Vou lendo, o que me parece ser a coisa mais interessante para o meu momento. Quanto aos contemporâneos, não consigo chegar ao passo destes, uma vez que me sinto atrasado para ler os clássicos, mas acredito que será muito bom quando me sentir no direito de descobrir estes. Isso é algo que aguardo.







Gazeta Sete Trombetas - Quais são suas influências?

Jefhcardoso - Tudo que li em minha vida. Desde leitura obrigatória na escola, até os livros que os amigos me deram de presente; passando pela leitura técnica em Fisioterapia, bulas de remédios e a Bíblia Sagrada.
Acho que não há como definir influências, uma vez que o processo de aprendizagem da escrita é paralelo a vida, tudo influencia.



Gazeta Sete Trombetas - Você ganhou o prêmio “Novo Talento”. O que mudou quando ganhou o prêmio?

Jefhcardoso - Em verdade tudo muda o tempo todo quando se descobre aos 35 anos, ser capaz de escrever algo que as pessoas gostem de ler e comentem com entusiasmo. Quanto a ganhar um prêmio, é como uma resposta do universo para um dom surpreendente que desponta.



Gazeta Sete Trombetas -Você nunca fez nada formal relacionado à Literatura. Você acredita que uma formação acadêmica pode bloquear o processo criativo?

Jefhcardoso - Tudo isso é tão novo para mim, tão surpreendente, que na verdade não sei definir o que pode bloquear ou estimular meu processo criativo. Estou experimentando essa nova fase com a experiência de vida que possuo, e com a inexperiência em exposição literária que também possuo.


Gazeta Sete Trombetas - Você acredita na existência de uma literatura feminina?

Jefhcardoso - Se a Literatura é a maneira que o escritor interpreta o mundo, ou o imagina; acredito que a mulher sendo um ser completamente distinto do homem, possua sua própria visão de mundo, marcada por contexto social, cultural e “hormonal” (risos). Sendo assim a literatura produzida por uma mulher é universal e feminina.

Gazeta Sete Trombetas - Você tem um blog chamado “jefhcardoso”. Como você vê a influência da internet na Literatura? Existe ‘literatura de internet’?

Jefhcardoso - Vejo a ‘literatura de internet’ como uma realidade, e profundamente transformadora da literatura convencional. O que foi feito até então, esta feito. E o que for criado a partir de agora, será sempre influenciado por essa “janela para o mundo”; uma vez que propõe um novo tipo de escrita, e um novo tipo de leitura, de um dinamismo sem precedentes em toda história da escrita.


Gazeta Sete Trombetas - O que você diria para quem quer ser escritor?
Jefhcardoso - Eu diria: “Se der certo eu lhe digo”

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