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quinta-feira, setembro 17, 2009

Cartas a Tás (46 de 60) "Um Sonho De Sabedoria - Parte II de III"


...dirigi-me a um pequeno estabelecimento, senti um cheiro inebriante de doce sendo cozido. Notei que, ao aproximar-me, o aroma se modificava, indo de doce de leite a de goiaba, deste ao de mamão, deste outro ao de figo, era algo incrível! Ao adentrar-me deparei-me com uma senhora bastante idosa a mexer o doce de múltiplos aromas.
Disse-lhe bom dia, ao que ela retribuiu. Perguntei que doce era aquele que cheirava tão deliciosamente, lembrando-me a infância longínqua. Ela sorriu com ternura e respondeu-me: _Este doce é uma receita muito antiga que existe antes mesmo da escrita, e que quem me passou foi um a senhora poetisa: Cora, Cora Coralina!
Ela tirou então do tacho uma colher das boas, fumegante, e veio em minha direção. Aceitei sorrindo, agradeci, e quando provei, não sei descrever o que senti; foi como se o frescor dos primeiros anos de minha vida tomasse conta de mim, e a cada bocadinho sorvido, uma saudosa imagem daquela fase dos meus primeiros anos vinha-me. Outra colherada e não me contive, desatei a rir; na seguinte, as lágrimas verteram em torrente. Fiquei constrangido, e tentando restituir meu domínio disse: _Desculpe-me senhora, nunca havia me ocorrido algo assim, eu nem sabia que havia ainda infância dentro de mim, devo estar falto do juízo.
Ao que ela redarguiu: _ Meu filho, não se reprima, “de infância é feito o doce sabor da poesia”.
Perplexo ao ver na simplicidade tanta sabedoria para a vida; guardei aquela frase no peito e segui em meu caminho.
Despertei por um breve momento, fui ao banheiro, retornei para minha cama achando curioso aquele sonho fabuloso, puxei o lençol e no estante seguinte já estava dentro de um aeroporto a ouvir o alto-falante anunciar: “Por motivos técnicos os voos para Manaus serão cancelados, por tempo indeterminado”. Pensei: “Que tenho eu com isso?”
Quando vi, veio falar comigo um piloto, chamando-me por meu nome. Dizia ele, no caminho até a aeronave, que sempre aceitava correr risco por uma boa causa. Assim, foi o piloto Mendes levar-me ao meu destino. Porém, o mau tempo causou uma pane no pequeno avião, e acabamos tendo de fazer um pouso de emergência sobre uma pista clandestina.
O baque fora muito violento, ao que o Mendes, que era ótimo piloto, não resistiu; uma tragédia!Fiquei ali me sentindo solitário, desolado, sem comunicação e...

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