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sábado, fevereiro 14, 2009

Gladiator X Besta Fera

Gladiator X Besta Fera


O lugar, um destes confins da terra dos sonhos que nem se sabe o nome ao certo; e de fato, só existe na imaginação fértil. O ano, um desses que já passaram há séculos e mais séculos, cujo registro o tornara duvidoso de veracidade, todavia, o fato não vai com o mesmo tom das circunstancias de lugar e tempo, o fato é algo interessante de se narrar, veja como o narro:
Durante muito tempo, Gladiator passou por aquele bosque sem ser de fato importunado, talvez fizesse aquele caminho há dez, onze, doze anos quem sabe. Havia sempre em seu caminho uma estranha criatura, que exibia seus dentes afiados e sujos, e rosnava quando via o guerreiro passar. Era uma tentativa de inibi-lo, de intimidá-lo, como fazia com todas criaturas que viviam ou passavam por aquele bosque fabuloso. Mas Gladiator nunca foi homem de se intimidar com grunhidos ou dentes a mostra, na verdade deixava estar. Passava, reparava no comportamento esquisito de Besta Fera, pois assim era conhecida tal criatura, Besta Fera. No entanto, não dava maior importância àquele comportamento primitivo da animalesca criatura, seguia em seu caminho, pois tinha que passar por ali, e via a criatura, pois esta estava ali em todas passagens que fizera.
Gladiator passava toda vez que era necessário atravessar o bosque, não desviava da estradinha de terra, afinal, esta era a única via para a travessia do bosque. Ia e via, mas fingia ignorar o comportamento da fera, achava que esta era a melhor maneira de não se encolher nem desrespeitá-la. Na verdade Gladiator evitava um confronto, pois a achava uma criatura, digamos, meio falta de autocontrole, e temia as conseqüências de um eventual embate; Gladiator não possuía em sua natureza propósitos de guerra, apenas fazia o que era necessário para a manutenção da paz, para com quem estivesse em seu caminho.
Entretanto, como que para tudo que há no mundo, existe um dia para o fim, a situação que perdurava por anos, encontrou numa tarde de primavera o seu protelado cabo.
Enfim, se deu o tão adiado combate.
Gladiator vinha em sua rotina diária, quando notou que besta fera se interpôs em seu costumeiro caminho, sabia que um dia isto ocorreria, não estava de todo desprevenido, exceto pela surpresa que acompanha ás vítimas do ímpeto alheio. Besta fera não permitiu a passagem do guerreiro, colocando-se no exato ponto estreito que esse teria de percorrer, para chegar à outra extremidade do bosque, a fim de buscar a água necessária a sua sobrevivência e de sua prole. Estava armado então o palco da grande contenda; contenda que se deu, somente após inúmeras passagens de relativa calma. Era realizado o convite para curvar-se ou acender ao combate. Mas não perca de vista que aquele guerreiro era na verdade um homem de paz, a guerra era apenas seu ofício, nunca criava tais situações belicosas, apenas combatia quando era convidado por circunstâncias especiais como aquela, por exemplo. Não era ele quem declarava, ou instituía uma guerra, mas era quem guerreava quando a guerra era instaurada. Diplomacia não era, nunca fora o seu dom maior, mas mesmo assim tentou dissuadir Besta Fera de tal confronto de armas dizendo:
_Besta Fera, sabe que é a criatura de maiores recursos de combate entre todas deste grande bosque, porém acho desnecessário o uso de força apenas para firmar sua soberania aqui dentro destes domínios. E continuou em tom de respeito: _Você sabe muito bem, que preciso passar por esta estrada, para defender a sobrevivência minha e de minha gente, sendo assim, aconselho-te a ponderar e tornar possível minha jornada pacifica, que de maneira alguma tira seu sossego ou diminui a tua imagem de soberana deste bosque.
A Fera agiu como se tivesse ouvido uma afronta, talvez aquilo, aquela demonstração de bom senso, alimentara ainda mais seu desejo de medir forças com o guerreiro, e ao ouvir aquelas palavras começou a afiar suas imensas e maciças garras. Era vaidosa, com esmero as afiava, gastou tempo para isso, tempo esse que serviu em favor de Gladiator, que o aproveitou para formular ali, rapidamente, valendo-se de sua experiência de combate, uma estratégia que lhe desse alguma vantagem na luta. Nosso bom soldado não era dotado de grande estatura, não possuía vantagem física sobre os de sua espécie, era um tipo bem comum, desses que passam perfeitamente desapercebidos em meio a uma pequena multidão que seja. Mas era astuto, e soube o momento exato de atacar Besta Fera; esta ainda preparava-se para investir contra o guerreiro quando em uma corrida, seguida de um grande salto, Gladiator a atingiu direto na boca com um golpe de clava, que era, junto com uma faca, suas únicas armas naquela travessia. Besta Fera arregalou os olhos, ao sentir que suas presas haviam sido abaladas, já no primeiro golpe do guerreiro. E partiu para cima do guerreiro instintivamente, numa atitude desordenada, e levou então o segundo golpe contra sua boca já avariada. Neste segundo golpear as presas que já haviam sido abaladas pelo primeiro golpe, tiveram então entre elas suas primeiras baixas, e foram ao solo, causando pavor em Besta Fera, que ainda não havia sido atingida com tamanha objetividade e segurança por um adversário. A Fera, visivelmente abalada pela desvantagem no combate, recuou para dentro de uma caverna, disse que voltaria com mais força mais tarde, e que Gladiator estaria destruído em pouco tempo. O guerreiro ficou plantado diante da caverna. Pareceu-lhe claro que não passava de mais um blefe, daquela triste criatura que vivia de aparências. O tempo transcorreu e antes de findar a tarde Besta Fera saiu da caverna desconcertada, certificou-se que nenhuma outra criatura do bosque a via naquela situação vexatória, porém eram muitas ás criaturas a saborear o tropeço da tirana, as criaturas observavam por de trás da densa folhagem, atrás das árvores, em cima da caverna, e em toda parte.
Gladiator aguardou para ter certeza de qual seria a intenção da criatura, uma vez que lhe imporá a derrota. A criatura aceitou a situação que ela mesma proporcionara, voltou para seu lugar no alto de um pequeno morro, logo acima do trecho de estrada, na qual tentara impedir a passagem do guerreiro.
Gladiator ao ver Besta Fera abatida, não disse nenhuma palavra, apenas abaixou, apanhou alguns odres que levava atados uns aos outros, e seguiu seu caminho rumo a fonte situada nas profundezas do bosque.
Daquele dia em diante, tudo continuou como estava, como sempre fora, porém, se Besta Fera via que Gladiator se aproximava, não o encarava como antes, nem rosnava, apenas espreitava a passagem do bom guerreiro da paz, e se este a olhava ela baixava seus olhos e mais nada.
Assim encerro minha narrativa do combate entre Gladiator e Besta Fera, e ao leitor deixo a liberdade das conclusões e das morais da estória.

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